Logo Mais Retorno
Fundos de Investimentos

Gestor de fundo que apostou contra banco Lehman Brothers entra na briga entre Elon Musk e Twitter

Decisão sobre compra da rede social pelo bilionário será tomada na justiça

Data de publicação:16/09/2022 às 05:00 -
Atualizado 9 dias atrás
Compartilhe:

David Einhorn, famoso gestor de hedge fund que apostou na falência do banco Lehman Brothers, prevendo a crise das hipotecas americanas de 2008, entrou em uma nova briga: entre o Twitter e o magnatada da tecnologia Elon Musk.

O fundo de Einhorn na Greenlight Capital comprou ações do Twitter acreditando que o fundador da Tesla será obrigado pela Justiça a concluir o negócio de US$ 44 bilhões, por ele abandonado.

O choque entre bilionários é mais um novo capítulo nessa novela em que Musk se envolveu - o 'compra e o descompra' do Twiter-, mas que tem data e local marcados para um desfecho: uma audiência de cinco dias, em outubro, na Delaware Chancery Court - principal e mais conceituada corte para processos sobre negócios dos Estados Unidos,

balanço twitter elon musk
Fundos apostam na compra do Twitter por Elon Musk, em negócio que foi fechado em 25 de abril | Foto: Reprodução

David Einhorn escreveu em sua última carta aos investidores que, com o fundo long-short comprou ações do Twitter por US$ 37,24 cada, acreditando que, com a decisão de que Musk tenha de concluir o negócio com a empresa, os papéis podem subir mais US$ 17.

De acordo com o gestor especialista, contudo, caso a corte tome uma decisão contrária ao Twitter, as ações podem despencar os mesmos US$ 17.

Argumentos de David Einhorn para compra do Twitter

Apesar do risco, Einhorn se mostra confiante com a inclusão das ações ao portfólio do fundo. Para ele, o maior incentivo que a corte americana terá para obrigar Musk a seguir com a compra do Twitter é simplesmente a própria aplicação da lei.

O gestor pontua que deixar o bilionário imune nesse processo pode gerar um precedente para que outros compradores arrependidos ou "cínicos" ameacem cancelar seus acordos, trazendo insegurança para os negócios.

"O Delaware Chancery Court passou anos desenvolvendo jurisprudência relacionada a acordos de fusão. O precedente resultante e a compreensão clara das obrigações contratuais dos compradores criaram uma grande previsibilidade nessa esfera. Caberá ao chanceler McCormick seguir esse precedente e proteger a santidade do tribunal."

David Einhorn, gestor do Greenlight Capital, em carta aos investidores

David Einhorn não está sozinho

Outro gestor que aposta na conclusão do negócio é Matthew Halbower, do Pentwater Capital. O fundo, especializado justamente em oportunidades de ativos em litígio, reportou a aquisição de mais de 18 milhões de ações do Twitter no segundo trimestre de 2022. Tornou-se com isso o sétimo maior investidor da rede social.

O gestor, em entrevista à rede americana CNBC, confirmou que suas expectativas são de que Musk seja obrigado a comprar a companhia.

Entenda o caso

Em abril deste ano, Elon Musk fechou um acordo com o Twitter para comprar a empresa por um valor de US$ 54,20 por ação. Pouco tempo depois, em maio, o bilionário e CEO da Tesla, montadora de veículos elétricos, voltou atrás e disse que só efetuaria a compra se a rede social revelasse a verdadeira quantidade de usuários robôs que existiam dentro da plataforma.

Musk não aceitou os dados fornecidos pelo Twitter e questiona a companhia, tentando desistir do acordo. A decisão, então, está nas mãos do Delaware Chancery Court, em julgamento marcado para o próximo dia 17 de outubro.

Ao contrário dos fundos que apostam na compra do Twitter, há quem acredite que a corte pode decidir em favor do bilionário. Um ex-juiz da mesma corte afirmou à CNBC que o tribunal pode deixar Musk sair ileso deste processo, sem ter de efetuar a compra, porque há chances de que, em uma decisão favorável ao Twitter, ele não cumprisse a ordem judicial e isso traria constrangimentos à corte.

Leia mais

Sobre o autor
Renato Jakitas e Bruna Miato
A Mais Retorno é um portal completo sobre o mercado financeiro, com notícias diárias sobre tudo o que acontece na economia, nos investimentos e no mundo. Além de produzir colunas semanais, termos sobre o mercado e disponibilizar uma ferramenta exclusiva sobre os fundos de investimentos, com mais de 35 mil opções é possível realizar analises detalhadas através de índices, indicadores, rentabilidade histórica, composição do fundo, quantidade de cotistas e muito mais!