Fundos de Investimentos

Está na hora de começar a investir nos Fiagros?

Fiagros são adicionados à carteira de FIIs para diversificação e redução de riscos

Data de publicação:18/05/2022 às 12:30 - Atualizado 2 anos atrás
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O registro de Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) no mercado brasileiro passou a ser permitido em agosto de 2021. Ainda naquele mês foi liquidado o primeiro Fiagro do país, o Galapagos Recebíveis do Agronegócio Fiagro-Imobiliário.

Nove meses após o marco inicial dessa nova categoria de investimentos, já são 13 Fiagros listados para negociação na B3, 27 registrados na Comissão de Valores Mobiliários e a quantidade de investidores no setor ultrapassou 50 mil, sendo destes a maioria de pessoas físicas.

Fiagros tiveram crescimento rápido se comparado ao dos fundos imobiliários - Foto: Agência Brasil

Podemos considerar o crescimento dessa categoria como rápido, principalmente quando comparamos com o Fundo de Investimento Imobiliário (FII), que demorou mais de uma década para alcançar a marca de 50 mil investidores. E há motivos para se esperar que os Fiagros acelerem ainda mais: um deles é a semelhança com o próprio mercado de FIIs que ultrapassou recentemente a marca 1,6 milhão de investidores.

O agronegócio e o imobiliário são mercados totalmente distintos e cada um tem suas particularidades, porém é possível utilizarmos as diversas semelhanças existentes entre os Fiagros e os FIIs para facilitar o processo de entendimento dessa nova modalidade pelos investidores.

Na resolução que autorizou o funcionamento dos Fiagros, a CVM determinou que esse tipo de fundo deveria ser enquadrado em uma das três categorias: (i) direitos creditórios (ii) imobiliário ou (iii) investimento em participações.

A política de investimentos do Fiagro deve ser plenamente aderente às regras aplicáveis para a categoria escolhida, acrescentando as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) aos ativos elegíveis para as carteiras de Fiagros Imobiliários.

Dos 40 Fiagros registrados na CVM até o momento, 31 são imobiliários e, na maioria, distribuem rendimentos mensais aos investidores (isentos de imposto de renda para pessoas físicas nos Fiagros com mais de 50 investidores).

Além disso, praticamente todos esses fundos possuem os CRAs entre os ativos alvo da política de investimentos, os aproximando dos Fundos Imobiliários que investem majoritariamente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) - segmento que responde atualmente por mais de 40% do Índice de Fundos Imobiliários da B3 (IFIX).

Tanto os CRIs quanto os CRAs são instrumentos de renda fixa lastreados em direitos creditórios, ou seja, para que eles existam, uma operação de crédito imobiliário ou do agronegócio precisa estar vinculada a eles. Dessa forma, os FIIs que investem em CRI e os Fiagros que investem em CRA possuem investimentos em renda fixa, o que significa que os resultados desses fundos serão obtidos de acordo com os índices que remuneram as operações da carteira, como a taxa DI, os índices de preço, como o IPCA, e as taxas prefixadas.

Além disso, o principal risco desses fundos também é o mesmo --, de os devedores eventualmente não efetuarem os pagamentos devidos e as garantias não serem suficientes para cobrir o valor do principal e remuneração estabelecida, o chamado risco de crédito.

É exatamente no tópico risco de crédito que surge o principal benefício de adicionar os Fiagros a uma carteira focada em FIIs: a diversificação. O agronegócio respondeu por 27,4% do PIB do Brasil em 2021, cresceu 24% em 2020 (ano que muitos setores sofreram com os impactos da pandemia), além de estar diretamente ligado ao mercado externo, dado ao alto volume de commodities exportado pelo Brasil, adicionando um nível de diversificação ainda maior, visto que o mercado imobiliário depende, essencialmente, da demanda doméstica.

Não é raro ver investidores erroneamente afirmando que o crédito para o agronegócio é mais arriscado do que o crédito imobiliário, com a justificativa de que no caso do crédito imobiliário, se o devedor não pagar, o imóvel ainda estará lá. Para fazermos uma comparação inicial dos riscos de crédito dos dois setores, vamos iniciar pelas linhas de crédito mais básicas.

Os financiamentos imobiliários financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e a carteira de crédito para Custeio Agropecuário do Banco do Brasil. No caso do financiamento imobiliário, a inadimplência está em torno de 0,7% - de acordo com os dados do Banco Central em dezembro de 2021 -, enquanto a falta de pagamentos da linha de Custeio Agropecuário do Banco do Brasil está em 0,4% (conforme o relatório de Análise do Desempenho do quarto trimestre de 2021).

Após esse ponto de partida, é importante ressaltar que as operações de CRI e CRA possuem, geralmente, estruturas de crédito complexas e que envolvem diferentes níveis de riscos e garantias, de forma que é impossível fazer uma comparação para afirmar qual é o menos arriscado.

Essa análise deve ser feita caso a caso, antes de investir, levando em conta o perfil do investidor e se o risco do fundo é compatível - para isso, é importante que os fundos sejam transparentes na divulgação das informações. No caso dos FIIs, o processo de evolução do nível de transparência demorou anos, enquanto os Fiagros já nasceram com uma régua mais alta neste quesito, imposta pela comparação com os próprios Fundos Imobiliários.

Outro ponto importante é que como os Fiagros são novos, os fundos tendem a estar menos diversificados, ou seja, com menos operações na carteira. O que pode ser alterado ao longo do tempo, conforme se tornam maiores.

Dessa forma, ao definir o limite daquele fundo específico dentro da carteira do investidor, esse teto tende a ser menor para fundos menos pulverizados. Por outro lado, essa maior concentração pode trazer benefícios pelo viés do retorno, uma vez que os Fiagros podem estar com um prêmio de risco maior atualmente pela diversificação.

Assim, analisando uma carteira de investimentos que já possui uma exposição a FIIs, independentemente de qual percentual representa do total da alocado, é possível afirmar que há benefícios em termos de diversificação de risco ao adicionar Fiagros nos ativos desse investidor.

O peso que essa categoria deve representar e a quantidade, somada à uma escolha criteriosa dos Fiagros, dependem de diversos fatores específicos de cada investidor e os critérios deverão ser revistos ao longo do tempo. Um ponto indispensável é que o investidor busque conhecer o gestor do fundo, principalmente o nível de transparência e alinhamento de interesses com os cotistas e a expertise no setor agro.

Por último, os Fiagros podem adicionar benefícios do ponto de vista de retorno, considerando que o estágio inicial do mercado pode proporcionar oportunidades de operações com uma relação de risco versus retorno favorável quando comparado com o mercado de FIIs que já é consolidado.

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Por Felipe Solzki, gestor de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e Fiagros na Galapagos Asset

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