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Renda Fixa

Entenda por que o Tesouro Selic foi o preferido pelo investidor em novembro

Tesouro Selic ficou com fatia de R$ 1,41 bilhão, ou 47%, do total de vendas dos títulos públicos

Data de publicação:22/12/2021 às 07:00 -
Atualizado 9 meses atrás
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Tesouro Selic e Tesouro IPCA são dois títulos da dívida pública que disputam a preferência do investidor pessoa física na plataforma do Tesouro Direto. Cada qual com seus atrativos, de acordo com os interesses e as necessidades do investidor. Em novembro, o líder nas vendas foi o Tesouro Selic, como apontam os dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira.

O Tesouro Selic é um título com juro pós-fixado indexado à taxa básica. A alta dessa taxa reflete imediatamente no rendimento da aplicação. A Selic está em 9,25% ao ano, mas estimativas apontam que ela poderá chegar perto de 11,50% na virada de 2022.

Tesouro Selic
Tesouro Selic tem repasse imediato do aumento do juro básico da economia ao rendimento

A taxa, definida ao ano, é dividida pelo número de dias úteis existentes no período da aplicação. O resultado obtido é incorporado dia a dia no rendimento. Algo minúsculo, mas que atualiza e é repassado de imediato ao ganho da aplicação, sobretudo quando a Selic muda de nível.

Esse repasse rápido da variação da Selic é um dos atrativos desse título, usado até mesmo para aplicação do dinheiro guardado como reserva de emergência. Quem repassa o título para o Tesouro antes do vencimento, por alguma necessidade, leva o rendimento atualizado até o dia do resgate.

Tesouro IPCA tem apelo próprio, mas exige outros cuidados

O título do Tesouro Direto atrelado à inflação, o Tesouro IPCA, funciona diferente do Tesouro Selic. Seu rendimento é híbrido, formado por juro prefixado, que vai garantir ganho acima da inflação, e correção monetária pela variação do IPCA, calculado no fim da aplicação.

Ou a cada semestre, dependendo do tipo de papel, se com previsão de pagamento de juros semestrais ou não. É um título que atrai o investidor em cenário de inflação em alta, porque o mecanismo de correção protege o capital, além do ganho real, acima da inflação, garantido pelo juro prefixado.

Quem aplica em Tesouro Selic no momento recebe como remuneração a Selic de 9,25% ao ano, sem o risco de grandes volatilidades pelo caminho, taxa que será mantida até a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Esse encontro, o primeiro do novo ano, está marcado para fevereiro, quando se presume, como já sinalizou o Banco Central, que a Selic terá nova alta de 1,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano.

O Tesouro IPCA 2026 com vencimento em 15/08/2026, o mais recomendado por especialistas, ofereceu nesta terça-feira, 21, juro prefixado de 5,02% ao ano mais correção monetária pela variação do IPCA.

É um título que oferece maior volatilidade ou oscilação em seu valor, de acordo com os riscos desenhados no cenário, como expectativa de inflação e juros em alta, turbulências políticas ou econômicas. São oscilações que podem ocorrer pelo caminho, mas, a menos que negocie o papel antes do vencimento, o investidor tem o rendimento assegurado de acordo com o combinado previamente ao resgatar no prazo final.

Tesouro Direto repete captação positiva em novembro

A movimentação de recursos na plataforma do Tesouro Direto em novembro, em operações de investidores pessoas físicas com títulos públicos, registrou saldo positivo de R$ 1,30 bilhão - diferença entre o volume total de R$ 2,99 bilhões de vendas e R$ 1,69 bilhão de resgates.

O título mais procurado em novembro, com participação de 47,15% ou R$ 1,41 bilhão no volume total de vendas, foi o Tesouro Selic, com rendimento vinculado à variação da taxa básica, ainda embicada em alta.

O segundo mais vendido foi o Tesouro IPCA, que oferece rendimento híbrido que combina juro real prefixado e correção monetária, com 35,23% ou R$ 1,05 bilhão. Em terceira posição, na escala das vendas, ficou o Tesouro Prefixado, ofertado com taxa de juro previamente definida, com 17,63% ou R$ 527,69 milhões.

Tesouro Selic na liderança

O balanço de novembro trouxe como destaque a volta da liderança do Tesouro Selic, posição sustentada pelo Tesouro IPCA em outubro, na lista dos títulos mais vendidos no Tesouro Direto.

A maior demanda pelo papel atrelado à Selic é atribuída à persistente elevação da taxa básica, que está em 9,25% ao ano. À medida que a Selic sobe aumenta também a rentabilidade de ativos vinculados a ela, como o Tesouro Selic.

Uma aplicação que oferece ainda menos volatilidade ou oscilação de cotas e possibilita condições mais facilitadas de saque, com rendimento, já que uma fração da Selic é incorporada dia a dia no rendimento pós-fixado do papel.

Captação segue a toada dos juros e da inflação

As captações positivas do Tesouro Direto se renovam a cada mês em um cenário de inflação e juros em alta. As preferências dos investidores se dividem, no cardápio em oferta, entre dois tipos com indexadores distintos, um vinculado à Selic e o outro ao IPCA, que alternam posições dentre os mais procurados na plataforma.

O Tesouro Selic não oferece ainda proteção plena contra a inflação, porque seu indexador, o juro básico, roda por enquanto ligeiramente abaixo da inflação. A Selic está no momento em 9,25% - abaixo da inflação em torno de 10,20% projetada para 2021. Mas o que anima o investidor é que com novas altas esperadas na virada do ano, em cenário de possível queda da inflação, a Selic passe a caminhar acima do IPCA.

O Tesouro IPCA tem apelo para o investidor ressabiado com a inflação que quer proteção contra os efeitos corrosivos dela. Por estar indexado ao IPCA, esse título assegura juro real prefixado, acima da inflação, e correção monetária pelo IPCA, que repõe a parcela do dinheiro desvalorizada pela inflação.

Poupança é esvaziada e Tesouro Selic é destaque

Enquanto o Tesouro Direto acumula captações positivas mês a mês, a caderneta de poupança, vista anteriormente até como concorrente dos títulos públicos, principalmente do Tesouro Selic, continua sangrando.

Em julho, as operações do Tesouro Direto registraram um saldo positivo (vendas acima de resgates) de R$ 934,1 milhões; em agosto, de R$ 1,288 bilhão; em setembro, de R$ 1,238 bilhão; em outubro, de R$ 1,920 bilhão; e em novembro, de R$ 1,306 bilhão.

O balanço mensal de movimentação de recursos da poupança tem sido persistentemente negativo desde agosto, quando houve um saldo negativo (volume de saques superiores aos depósitos) de R$ 5,47 bilhões; em setembro, R$ 7,72 bilhões; em outubro, R$ 7,430 bilhões, e em novembro, R$ 12,3 bilhões.

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.

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