Mercado Financeiro

A atenção dos mercados com a inflação continua nesta quinta-feira, 10. O foco, desta vez, não será o IPCA, mas o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos.

Dados da inflação que indiquem uma aceleração tenderia a colocar os mercados em alerta, de acordo com especialistas, porque pode levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a decidir por uma possível alta dos juros, ainda que considerada hipótese improvável, no momento.

Aqui, nesta quarta-feira, o mercado financeiro reagiu com aparente tranquilidade, sem sinais de mudança no humor, à divulgação do IPCA de 0,83% em maio, acima do esperado pelos analistas. A Bolsa recuperou-se da queda da véspera, com ligeira alta de 0,09%. O dólar subiu 0,69%, para R$ 5,07.

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Elevação dos juros nos EUA pode afetar bolsas e dólar por aqui - Foto; Arquivo

Especialistas acreditam que o mercado financeiro deve seguir a toada dos últimos dias, indiferente à inflação de maio superior à prevista, até a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, na próxima semana. O encontro começa na terça-feira, 15, e termina na quarta, 16, quando o Copom anuncia a decisão sobre a Selic.

O mercado financeiro dá como favas contadas que, como já adiantou o Copom após a última reunião, em maio, a Selic passará por nova alta de 0,75 ponto porcentual, para 4,25% ao ano. Ninguém aposta, por enquanto, que o colegiado tome decisão diferente, apesar da aceleração inflacionária.

O especialista e sócio da Valor Investimentos, Davi Lelis, diz que o mercado poderá reagir negativamente se o Copom reforçar a dosagem do ajuste e a Selic subir acima do esperado.

A economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, afirma que a preocupação do mercado é com algum sinal no comunicado do Copom, no fim do encontro, que indique eventual mudança para uma calibragem mais forte da Selic, embora não aposte nessa possibilidade, para não atrapalhar a retomada de atividade econômica.

Com o mercado financeiro bastante atrelado ainda a expectativas e movimentos no cenário externo, analistas consideram que, não obstante a valorização de ontem, o dólar permanece mais inclinado à queda, influenciada por fatores baixistas domésticos, como a redução de incertezas com as contas públicas.

A menos que ocorra uma mudança na política monetária, com dados da inflação acima do esperado e elevação dos juros, nos Estados Unidos.

NY: futuros próximos da estabilidade

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam próximos da estabilidade com o mercado financeiro na expectativa pela publicação, logo mais, do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de maio nos Estados Unidos.

Na véspera, o índice Dow Jones recuou 0,44%, em 34.447,14 pontos, o S&P 500 caiu 0,18%, a 4.219,55 pontos, e o Nasdaq teve perda de 0,09%, a 13.911,75 pontos.

Em abril, a taxa anual do CPI dos EUA ficou em 4,2%, maior nível desde 2008 e muito acima da meta oficial de inflação de 2% do Fed, como é conhecido o BC americano.

Além disso, a decisão de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), na próxima semana é aguardada pelos investidores, e leva a um período de silêncio dos dirigentes da autoridade.

“É improvável que alguém queira tomar uma posição firme antes do encontro do Fed na semana que vem, já que há incerteza sobre qual será a visão do presidente Jerome Powell a respeito dos dados de mercado de trabalho desfavoráveis”, explica o analista Antje Praefcke, do Commerzbank.

Antes da publicação a do CPI dos EUA, o mercado observou na véspera os números para a inflação na China. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) do país deu um salto anual de 9,0% em maio e alcançou a maior alta dos últimos doze anos.

No noticiário do dia anterior, foi divulgado pelo Washington Post que o governo dos EUA negocia a compra de 500 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer para doar a outros países.

A informação deve ser anunciada pelo presidente norte-americano, Joe Biden, na cúpula do G-7 que será realizada nesta semana no Reino Unido. 

CPI da Covid: novas convocações

No cenário doméstico, os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid seguem na atenção dos investidores. Na véspera, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco foi ouvido pelo colegiado.

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros, apontou pelo menos oito contradições no depoimento do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco, número 2 do então ministro Eduardo Pazuello.

A maioria dos "buracos" nas declarações, como classificou o relator, está no atraso para compra de vacinas no Brasil.

O ex-secretário insistiu que não houve nenhuma ordem formal para que o Ministério da Saúde suspendesse as negociações para a compra da Coronavac com o Instituto Butantan, em São Paulo, apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter dito que o governo federal não compraria a vacina desenvolvida em parceria com o laboratório Sinovac, da China.

Também no dia anterior, a CPI aprovou uma série de novas convocações, entre elas do ex-ministro da Cidadania e deputado federal Osmar Terra. Ele é apontado por membros da CPI como um dos integrantes do suposto “gabinete paralelo” do governo Bolsonaro, um grupo extraoficial que aconselharia ações a serem tomadas no combate à covid-19.

Os senadores também aprovaram a convocação do auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) que teria produzido um documento sobre mortes na pandemia do novo coronavírus, Alexandre Figueiredo Costa e Silva.

Além disso, deu sinal verde para a convocação de Francieli Francinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, para prestar depoimento à comissão.

Além disso, os senadores deram aval a realização de uma acareação entre Francieli e a infectologista Luana Araújo, que foi vetada pelo governo para assumir a Secretaria de Enfrentamento à Covid do Ministério da Saúde, após trabalhar por dez dias na pasta.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta quinta-feira, à espera de dados de inflação dos EUA. O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,34% em Tóquio hoje, aos 28.958,56 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,26% em Seul, aos 3.224,64 pontos, e o Taiex registrou ganho de 1,14% em Taiwan, aos 17.159,22 pontos.

Na China continental, os mercados também ficaram no azul, impulsionados por ações de montadoras e ligadas à energia renovável. O Xangai Composto se valorizou 0,54%, aos 3.610,86 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve alta de 1,09%, aos 2.422,58 pontos.

Já o Hang Seng ficou praticamente estável em Hong Kong, com perda marginal de 0,01%, aos 28.738,88 pontos. Os últimos números da China, publicados nesta semana, mostram aceleração dos preços locais. A inflação anual ao produtor, por exemplo, saltou para 9% em maio, alcançando o maior patamar em quase 13 anos.

Hoje também é dia de decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), mas o assunto ficou em segundo plano diante das preocupações com a inflação.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o tom positivo da Ásia e terminou o pregão desta quinta-feira com novo recorde. O S&P/ASX 200 avançou 0,44% em Sydney, ao nível inédito de 7.302,50 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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