Renda Variável

Com o mercado doméstico navegando em águas mais calmas, após o presidente Jair Bolsonaro baixar o tom de seus ataques contra o Supremo Tribunal Federal (STF), a Bolsa de Valores voltou a registrar alta no fechamento desta segunda-feira, 13, depois de cair 2,27% na semana passada.

O Ibovespa recuperou o patamar dos 116 mil pontos, com uma variação positiva de 1,85%.

Foto: Envato
Destaques do pregão ficaram com empresas com atuação digital, de construção, viagens e educação

Além do alívio interno, o dia também foi marcado por um otimismo no exterior, o mercado parece mais otimista em relação à retomada econômica, as preocupações já não são mais gigantescas em relação ao avanço da variante delta do coronavírus. Com a combinação desses fatores, os investidores estrangeiros se animaram com demonstrações de maior apetite a riscos, o que favorece os ativos de países emergentes, entre eles os brasileiros, principalmente porque recuaram muito nas últimas semanas.

O pregão foi de alta generalizada, com ações de grande peso na composição da carteira teórica da B3 com valorizações expressivas, como Petrobras, que subiu 3,51%, e os chamados bancões que também subiram: Itaú (+1,25%), Bradesco (+2,05%) e Santander (+0,87%).

No entanto, segundo especialistas, os principais destaques desta segunda-feira ficaram por conta de empresas com forte presença no digital, do setor de construção civil e companhias que são beneficiadas pelo avanço da vacinação.

Empresas digitais

Entre as 10 maiores altas registradas, quatro são de empresas que atuam pelo digital. Destas, três são varejistas: Méliuz, Lojas Americanas e Americanas. O quarto papel é de um dos primeiros bancos digitais do País, o Banco Inter, que acompanhou não só a alta do setor financeiro, mas também reportou um dos maiores avanços: 7,36%.

A maior valorização do dia foi da Méliuz, recém-chegada na carteira teórica da B3. Os papéis da companhia nativa digital, que trabalha com cupons e cashback para lojas online, dispararam 12,81%.

Assim como a maioria absoluta das empresas de varejo, a Méliuz registrou um avanço acentuado nesta segunda num movimento de recuperação. A economista da Toro Investimentos, Thayná Vieira, explica que o comércio varejista nacional vem sendo impactado pelas incertezas macroeconômicas ocasionadas pelas projeções de maior aumento na taxa básica de juros, a Selic, além da aceleração da inflação.

Esses dois fatores combinados afetam diretamente o poder de compra dos consumidores, o que prejudica o desempenho das companhias do setor. Por terem caído muito, especialistas consideram que as ações das varejistas estão baratas, o que atrai os investidores assim que os cenários passam a ser mais otimistas.

Os papéis da Lojas Americanas e Americanas (antiga B2W), ambos do setor de varejo também com uma pegada mais forte no digital, estiveram entre os principais destaques do dia. As ações subiram 7,26% e 4,81%, respectivamente.

Ações do Magalu

No Brasil, um dos nomes de maior destaque do varejo digital é o Magazine Luiza. Por se tratar de uma empresa bem estruturada e avaliada pelos especialistas das principais casas de investimento, os papéis da companhia surfaram por um bom período em ondas de valorização. No entanto, o Magalu vem perdendo força e, ao longo de 2021, registra baixa de 30,03%.

No pregão desta segunda-feira, embora tenha sido uma das ações com maior volume de negociação, a alta registrada pela empresa (1,51%) ficou distante das observadas por outras companhias do mesmo segmento.

De acordo com Alex Carvalho, analista CNPI da CM Capital, "na análise gráfica, o ativo ainda não esboça reação para uma nova alta, podendo ainda se aproximar de suas regiões de suporte antes de um movimento mais forte de recuperação".

O especialista ainda destaca que a YipitData rebaixou as estimativas para o crescimento das vendas da varejista no terceiro trimestre, o que gerou uma queda de mais de 8% nas ações nas última sexta-feira. "Com isso, o papel perde momentaneamente o foco do mercado, que é redirecionado para outras empresas do setor com projeções melhores de crescimento", explica Carvalho.

Construção civil

O analista da CM Capital considera que o setor com maior brilho do dia foi o de construção civil, com uma alta de 5,57%, liderada pela Gafisa, que subiu 7,26%. Outras empresas importantes do segmento também tiveram variação positiva no pregão. Cyrela, Eztec e MRV avançaram 4,91%, 4,57% e 4,31%, na sequência.

Para Thayná Vieira, da Toro, a valorização do setor pode ser justificada pelo mesmo motivo das altas observadas no varejo: esses setores estão sofrendo com a alta da inflação e dos juros, mas o mercado começa a enxergar luz no fim do túnel e aposta em melhoria nos indicadores macroeconômicos no segundo semestre, com o avanço da vacinação e retomada da economia.

Diante dessa perspectiva, os papéis que estão bem descontados, como o da construção, passam a chamar a atenção. Outro ponto importante na análise do mercado são os resultados positivos apresentados por essas empresas no segundo trimestre.

Avanço da vacinação

O avanço da vacinação pelo Brasil, principalmente entre as gerações mais jovens, está beneficiando as ações das companhias que dependem do fim das medidas restritivas para se aproximarem dos níveis registrados no período pré-pandemia.

A CVC, empresa de turismo, teve a terceira maior alta desta segunda, subindo 9,30%. O analista da CM Capital explica que o avanço é conduzido pelo desempenho positivo do setor de aviação com a retomada de demanda de diversos países. "O ativo ainda tenta se recuperar de sua baixa desde o início da pandemia, no entanto já se mostrando mais altista para o médio e longo prazo", afirma Carvalho.

Na mesma esteira de alta, Yduqs e Cogna, ambas companhias do setor de educação que possuem diversas marcas espalhadas pelo País, também viram seus papéis saltarem ao longo do dia: 7,99% e 6,64%, respectivamente.

Segundo os especialistas, além do ritmo mais acelerado de vacinação entre os mais jovens, principal público dessas redes, as empresas também tiveram motivos mais específicos para fechar o pregão no azul.

A Yduqs, que é dona da Estácio Participações, demonstrou interesse na compra do Centro Universitário de Brasília (CEUB), destaca Alex Carvalho. A instituição de ensino já está negociando a aquisição com a Ânima, mas o BTG Pactual estima que a gigante da educação deve ganhar a disputa, por ter uma posição de caixa melhor. A notícia animou os investidores, o que elevou o preço da ação.

Já a Cogna viu seus papéis saltarem após a divulgação da informação de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição de 30% do capital social da plataforma educacional Ampli (que é da Kroton, uma das subsidiárias da Cogna) pela TIM.

"Com a operação, o conteúdo didático da plataforma será oferecido para a base de cliente da TIM, o que poderá ampliar o crescimento da base de alunos da Ampli", destaca Thayná Vieira.

Ações do Banco Pan

O Banco Pan, que fez sua estreia na carteira teórica da B3 na última semana, foi outra entre as altas acentuadas do pregão de segunda-feira. Os papéis da companhia dispararam 9,45%.

A economista da Toro explica que o avanço se deve ao anúncio feito pelo banco de que vai adquirir 80% da Mobiauto, plataforma digital voltada para a compra e venda de veículos.

De acordo com o Banco Pan, a operação, que ainda depende de aprovações regulatórias, tem o objetivo de expandir sua estratégia digital, além do aumento da participação da instituição no financiamento de veículos leves e motos.

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Repórter na Mais Retorno

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