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O aumento de 400 mil barris na produção diária de petróleo, por decisão da Opep no domingo, provocou uma reação negativa dos mercados. A perspectiva de ampliação da oferta a partir de agosto, quando a decisão entra em vigor, levou a uma desvalorização de cerca de 8% no preço do barril nesta segunda-feira, 19, o que afetou os negócios com a Petrobras na B3.

A expectativa de que mais produção de petróleo redunde em baixa no preço do barril e afete o fluxo de caixa das companhias do setor levou à queda das ações da Petrobras. A ação ON recuou 1,18%, cotada por R$ 26,85, e a PN caiu 2%, cotada por R$ 26,24.

Foto: Envato
Plataforma de petróleo

A produção em maior escala é retomada pela Opep, após a redução provocada pela crise da pandemia, sob expectativa de aquecimento da economia global e, com ele, da demanda por petróleo.

Vírgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, entende que a intenção por trás do acordo firmado pela Opep vai além. Seria reduzir também a concorrência de outros países, com a definição de um custo médio de produção em torno de US$ 35 para que as companhias que atuam no setor tenham lucro com a prospecção e extração de petróleo.

O preço do barril de petróleo de boa qualidade produzido pelos países da região do Oriente Médio é mais barato que o extraído em terra ou no pré-sal, comenta Lage. O custo de produção dos chamados países soberanos da organização também é baixo, em torno de US$ 4 a US$ 5 por barril.

Já o custo médio de produção de barril de petróleo em terra no Brasil gira em torno de US$ 18 a US$ 19 e no pré-sal, de US$ 7, de acordo com Lage, o que dá folga ao País continuar extraindo petróleo com lucro.

A ideia que estaria embutida no acordo firmado pelos países da Opep seria bem-sucedida se o aumento de oferta não encontrar contrapartida na demanda e os preços despencarem. Um cenário de desequilíbrio que forçaria um corte na produção, para tentar subir os preços, mas que tornaria o custo mais alto que não compensaria a extração.

Um eventual cenário desses afetaria o valor patrimonial, a lucratividade da estatal e refletiria em baixa do preço das ações. “Não é o que os investidores temem em relação à Petrobras”, afirma o especialista da Valor Investimentos, referindo-se às seguidas e recentes desvalorizações dos papeis da companhia.

Petrobras cai por ruído político

“A queda da Petrobras é reflexo de ruído político”, aponta Lage. O medo do mercado, segundo ele, é que a Petrobrás seja usada em manobras para a adoção de medidas populistas, com interesse político. “É esse temor que o mercado vem precificando no valor das ações.”

Para Flávio de Oliveira, head de Renda Variável da Zahl Investimentos, o aumento de produção tende a baixar o preço do petróleo e a impactar negativamente o fluxo de caixa da Petrobrás.

Ele lembra, contudo, que havia prejuízo também quando a companhia demorava no repasse de aumento do preço internacional de petróleo ao dos combustíveis para o consumidor final. “Como existe esse viés de intervenção, diante de uma eventual queda de preços a Petrobras não terá pelo menos o constrangimento de repassar o corte ou, ainda, de conter eventuais altas para o consumidor, o que até certo ponto pode ser positivo para a companhia.”

Oliveira afirma que as ações da Petrobras estão descontadas, negociadas com deságio em relação aos pares internacionais e também em relação ao preço internacional do petróleo.

O economista da Ativa Investimentos, Guilherme Souza, calcula que existe uma defasagem de 15% no preço da gasolina em relação à cotação internacional. “O aumento da produção pode trazer um alívio no preço dos combustíveis ao consumidor no curto prazo e essa defasagem deverá ser reduzida”, acredita Souza.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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