Finanças Pessoais

Num cenário de instabilidade política e econômica, risco fiscal, dados da economia brasileira abaixo das expectativas do mercado e escalada da inflação, crise hidrológica, queda no preço do minério de ferro no exterior, tudo isso torna desafiador escolher quais ativos ter na carteira para enfrentar as turbulências.

Com base nesse quadro e também nas expectativas para os próximos meses, um especialista da Rico Investimentos falou sobre os principais investimentos que se deve ter no portfólio em setembro.

Foto: Freepick/jcomp carteira
Em setembro, cautela e proteção do patrimônio são as coordenadas para formar a carteira

Risco x Retorno na carteira

Uma pesquisa da Motley Fool, empresa de consultoria financeira, mostrou que a Geração Z entende o risco de uma forma bem distinta das anteriores: para os mais jovens, investir em criptomoedas é menos arriscado do que ter ativos no mercado de ações e opções.

No mundo dos investimentos, quando é preciso decidir a composição de uma carteira, o risco é uma das primeiras questões a considerar. Não só porque, quando mal calculado, pode gerar danos irreparáveis ao patrimônio, mas também por dizer muito sobre a eficiência da alocação de recurso.

"De forma bem simples, um investimento X numa janela de 12 meses que tenha perspectiva de ganho de 10%, mas com risco de queda de 5% seria menos eficiente que um ativo Y com retorno esperado de 7% mas com chance de perda de 2%, por exemplo, mesmo com uma perspectiva maior de possível retorno", explica Lucas Collazo, analista da Rico.

"Isso porque a opção Y remunera o capital do investidor de forma mais eficiente em relação ao risco inerente do investimento do que a opção X", detalha.

A situação se torna complexa quando você não consegue entender o valor justo de um determinado ativo, ou seja, fica mais difícil de calcular o retorno esperado. Dessa forma, a eficiência não fica clara e se torna um “ponto cego” para alocação de recursos.

"Mercados que apresentam essa dificuldade de leitura se tornam um investimento que deveria ser realizado com uma parcela pequena do seu patrimônio e com recursos que você não se importa de perder, no bom português", diz Collazo. "É assim que enxergamos categorias como a das criptomoedas, que têm grande volatilidade e pouca visibilidade de retornos potenciais: melhor ser mais clássico nesse sentido do que cometer erros irreversíveis", complementa ele.

Onde investir em setembro de 2021?

A palavra-chave é cautela para o mês. Incertezas em relação à da situação fiscal por aqui, e uma preocupação crescente com uma possível “quarta onda da pandemia”, e com o rumo da política monetária nos EUA, lá fora, dão o tom da situação. A questão é saber até quando o banco central americano vai continuar despejando dinheiro na economia, o que faz sobrar recursos para os mercados emergentes.

Neste sentido, a categoria de renda fixa ficou em evidência foi a "que teve maior mudança no mês contra mês, e para cima", afirma Lucas Collazo. "Num cenário de incertezas, principalmente com a escalada dos preços, os títulos de inflação (IPCA+) são os que oferecem a maior proteção - por isso aumentamos nossas posições (no ativo)."

Em relação à Bolsa de Valores, Collazo considera que, apesar do momento de tensão, ainda há "ótimas histórias para serem contadas e gerarem bons resultados. Boas empresas com gestão alinhada e ações ainda descontadas que devem ganhar com a reabertura da economia podem ser uma boa pedida." O analista ainda ressalta que fundos de ações que fazem gestão profissional nesse mercado também devem capturar oportunidades no longo prazo.

Por fim, o especialista recomenda também a diversificação na carteira por meio de moedas fortes. "Ter parcela do capital fugindo de riscos brasileiros sempre é bom, isso somado ao fato da reabertura estar melhor endereçada lá fora só melhora essa alocação. A parte dolarizada das nossas exposições em ações internacionais serve como proteção para nossa carteira, uma vez que o dólar costuma performar bem em cenários de maior estresse", explica.

O analista finaliza mencionando que regiões como a Europa, que possuem empresas de qualidade atreladas à velha economia e que acabaram ficando para trás se comparado com demais regiões desenvolvidas, oferecem boa perspectiva de risco x retorno. / Texto original publicado na Riconnect

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