Empresa

No setor de alimentos, empresas como a JBS e Marfrig serão beneficiadas em resultados do 2º trimestre por suas operações nos Estados Unidos. Lá, há uma demanda crescente por seus produtos, o que deve permitir às empresas resultados recordes, ou algo bem próximo a isso, segundo o time de Research do BTG Pactual digital.

No entanto, nem todas as companhias do setor poderão exibir números tão positivos. Acompanhe a análise, uma a uma:

Marfrig (foto) e JBS devem apresentar números recordes no segundo trimestre, favorecidas pelas operações nos EUA

JBS

A expectativa da equipe do BTG Pactual é de que a empresa, que divulga seu balanço no dia 11 de agosto, apresente resultado recorde com receita de R$ 83,4 bilhões, EBITDA de R$ 11,3 bilhões, e margem de 13,5%. É o único papel que recebeu a recomendação de compra.

As operações nos Estados Unidos devem apresentar resultados sólidos, com a forte demanda e consequente elevação dos preços das proteínas, o que compensou as pressões de custo em paridade de poder de compra (PPC) e carne suína, enquanto a carne bovina nos Estados Unidos deve continuar sendo o principal destaque do trimestre.

“Esperamos que o EBITDA da JBS USA expanda 18% ao ano, e explique todo o crescimento ao ano em números consolidados”, dizem os analistas em relatório. A Seara deve sofrer os impactos dos preços mais altos dos grãos e uma demanda doméstica mais fraca, enquanto a carne bovina do Brasil deve melhorar sequencialmente.

Os profissionais também esperam que a situação favorável de consumo nos Estados Unidos se estenda por, pelo menos, mais um trimestre. Condição que poderá levar a empresa a entregar outro ano de recorde em seus resultados, embora com a ressalva de que projetam um enfraquecimento nos números a partir do final deste ano.

Marfrig

Os spreads de carne bovina dos EUA continuam fortes, o que deve permitir à empresa divulgar, em 10 de agosto, resultados notáveis, para usar a mesma qualificação dos analistas.

“Os spreads médios no país ficaram 46% acima do histórico durante o trimestre, e o segundo maior já registrado, não só por causa de um pico de ciclo, mas, principalmente, por causa de uma demanda forte com a reabertura rápida, subsídios governamentais e sazonalidade favorável”, explica o relatório.

Com a indústria de carne bovina operando perto de sua capacidade total, a National Beef deverá também entregar uma expansão de receita sólida de 17% ao ano. Isso deve ajudar a impulsionar um EBIT recorde na divisão de R$ 3,4 bilhões, com margem de 20,5%.

Na América do Sul, as margens devem permanecer pressionadas devido ao Brasil e à Argentina, com um EBIT de -R$ 25 milhões, com margem de -0,5%. Resultados que, no entanto, não deverão comprometer um trimestre geral muito forte.

As receitas consolidadas devem ficar em R$ 21,9 bilhões, com EBITDA de R$ 3,7 bilhões, devido a uma base comparativa mais baixa, com margem de 16,9%.

Os spreads nos EUA permanecem sólidos, o que significa que os lucros devem perdurar no curto prazo, indica o relatório, “mas nossa crença é de que as margens começarão a se normalizar a partir do final do ano, à medida que os ventos cíclicos e conjunturais diminuem”, por isso, a recomendação é “neutra”, em relação ao papel.

Minerva

A empresa divulgará seu resultado em 9 de agosto, e os analistas esperam que a receita siga sendo sólida, e os resultados gerais do trimestre em tendências muito parecidas ao trimestre anterior.

“No Brasil, o ciclo negativo da pecuária e a demanda doméstica mais fraca devem continuar se traduzindo em volumes e margens menores, mesmo que a demanda externa por carne bovina permaneça sólida”, aponta o relatório.

Os resultados obtidos no Paraguai devem mais uma vez ser o principal destaque e ajudar a compensar números mais difíceis na Argentina, impactada por restrições às exportações impostas pelo governo e uma virada de ciclo, enquanto o Uruguai deve continuar em cenário positivo.

Tudo sendo colocado na mesma balança, são esperadas receitas de R$ 5,9 bilhões, e EBITDA de R$ 502 milhões, na margem de 8,5%. "O múltiplo continua a parecer pouco exigente, mas os gatilhos para uma reclassificação ainda parecem limitados com base em uma dinâmica de ganhos mais fraca em um setor historicamente pró-cíclico".

BRF

A expectativa é de que a receita permaneça sólida, e as margens continuem com tendência de queda. A BRF divulgará seu resultado em 12 de agosto.

Os custos mais altos de ração e matéria-prima devem continuar a reduzir as margens consolidadas, mas uma recuperação mais acentuada em Halal e um desempenho ainda forte da receita devem compensar parcialmente isso.

“Esperamos que a empresa entregue um trimestre decente, embora mais ameno, com um sólido desempenho de receita compensado por pressões de margem”, traz o relatório. As projeções são de receitas consolidadas de R$ 11,6 bilhões e EBITDA de R$ 1,19 bilhão, com margem de 10,3%.

No Brasil, os volumes devem crescer 3% que, combinados com preços mais altos, resultam em um bom avanço de vendas, de 27% ao ano. O EBITDA na divisão, porém, deve crescer 4% ao ano para R$ 564 milhões, já que as pressões de custo trazem a margem para baixo em 210 bps ao ano para 9,6%.

 “No futuro, ainda vemos espaço limitado para uma recuperação substancial da margem por conta das pressões de custo persistentes, um cenário macro mais fraco no Brasil e uma oferta-demanda mais equilibrada na China, tudo o que poderia dificultar a trajetória de desalavancagem, conforme as iniciativas de capex se acelerem”, ponderam os especialistas.

M. Dias Branco

A empresa divulgará resultado em 6 de agosto, e os analistas esperam resultados sequencialmente melhores após dois trimestres de margens historicamente baixas, embora seja aguardado um desempenho geral fraco.

Os volumes devem seguir tendências semelhantes registradas a partir de março, levando a um declínio consolidado de 20% ao ano (-15% para biscoitos e -27% para massas) sustentado por menor transferência de participação de mercado e demanda doméstica mais fraca.

A receita líquida deve ficar estável em R$ 1,9 bilhão, com o EBITDA recorrente de R$ 140 milhões, margem de 7,4%. e lucro de R$ 77 milhões. As pressões sobre os custos das commodities permanecem altas, mas agora parecem mais acomodadas, o que pode dar espaço para que as margens continuem se recuperando no futuro.

“Ainda assim, acreditamos que a proposta de valor só começa a fazer sentido se reconquistarmos a confiança de que as margens próximas a 10%-13%, conforme embutidas em nossas projeções de longo prazo, se provem mais uma vez viáveis, o que provavelmente dependeria de apresentações de receita mais fortes e consistentes. Continuamos cautelosos”, finalizam os analistas.

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