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Mercado Financeiro

Bolsa sobe com China, devolve a alta com recessão e risco fiscal, e cai 0,17%; dólar sobe 0,60%

Ibovespa consegue sustentar fechamento acima de 100 mil pontos

Data de publicação:28/06/2022 às 17:45 -
Atualizado um mês atrás
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Bem que a Bolsa de Valores brasileira, a B3, iniciou os negócios com o pé direito, embalada nas notícias vindas da China, sobre relaxamento de medidas restritivas contra a covid-19 e sinalização de política monetária menos rígida para estimular a economia. Condições que favoreceram as commodities e empresas ligadas ao setor.

O Ibovespa chegou a subir 1,46%, além dos 102 mil pontos. No entanto, os investidores operavam de olho em uma preocupação doméstica, a do risco fiscal. Na parte da tarde, o mercado se mostrou mais sensível à queda das bolsas americanas e chegou a cair 0,80%, abaixo dos 100 mil pontos. No encerramento, no entanto, a queda foi amenizada, de 0,17% ,aos 100.591 pontos. Já o dólar deu mais uma esticada, de 0,60%, e ficou cotado a R$ 5,27.

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Bolsa opera de olho na PEC dos Combustíveis e risco fiscal - Foto: Reprodução

No começo do dia os ventos favoráveis soprados da China com alívio nas medidas restritivas para controle da pandemia e a liberação da entrada de viajantes estrangeiros ao país e ainda o anúncio do Banco do Povo sobre a adoção de uma política monetária acomodatícia de modo a não prejudicar a economia, levaram a uma alta das bolsas internacionais e também das commodities.

A valorização do minério de ferro no mercado chinês beneficiou as ações de Vale, que fecharam com alta de 1,69%. As de Petrobras subiram 1,14%.

No entanto, o fantasma da recessão ainda está atuante sobre os mercados. "Os Estados Unidos, pela primeira vez, vê a ancora inflacionária ser colocada em xeque. Isso porque a projeção de inflação de longo prazo que estava controlada até pouco tempo, em níveis normais, começou a aumentar ao longo dos horizontes mais longos desencorando essa expectativa", diz Bruna Centeno, especialistas em renda fixa da BLue3.

E quando isso acontece, explica ela, a inflação que até então poderia ser considerada como transitória passa a ser permanente, estrutural. "Isso exige uma postura mais dura do FED em relação ao aumento da taxa de juros o que faz com que a economia flerte com uma recessão nos próximos anos, diminuindo o nível de atividade econômica", conclui ela.

Tarde fraca para as bolsas

A divulgação do índice de confiança do consumidor abaixo do esperado, colocando mais uma vez em xeque as perspectivas para o crescimento global, afetou as bolsas americanas, ressalta Victor Hugo Israel, especialista em renda variável da Blue3.

A Dow Jones fechou com queda de 1,56%, a S&P 500, de 2,01%, e a Nasdaq, de 2,98%

O mercado doméstico se mostrou mais sensível a esse movimento e não resistiu diante da perspectiva de aumento de gastos do governo com aumento e criação de novos benefícios sociais. Cenário que, segundo Israel, gerou um forte estresse sobre a curva de juros, principalmente o miolo dela, com contratos de vencimento em 2025 e 2027 que chegaram a subir 2,25% no pregão de hoje, indica Israel.

O relatório sobre a PEC dos Combustíveis, que deveria ser divulgado nesta segunda-feira, 27, mas teve o anúncio adiado para hoje, poderá sacramentar o aumento de benefícios sociais como o Auxílio Brasil e o vale-gás, e a criação do vaucher-caminhoneiro de R$ 1 mil.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.