Mercado Financeiro

Bolsa sobe 7% e dólar cai 5% no primeiro semestre deste ano, confira

Mesmo com alta dos juros no semestre, renda fixa remunera o investidor abaixo da inflação

Data de publicação:30/06/2021 às 08:00 - Atualizado 5 meses atrás
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A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, chega ao fim do primeiro semestre liderando o ranking de investimentos, com valorização acumulada de 6,98%, até ontem, 29. O dólar contabiliza perda de 4,82%. Faltam os números desta quarta-feira para o fechamento definitivo dos primeiros seis meses do ano, mas já é possível ter uma boa ideia do que aconteceu no mercado nesse período.

Quem apostou na valorização da bolsa, em meio ainda ao cenário de incertezas com a pandemia do coronavírus, pode celebrar o resultado da primeira metade do ano. Percalços houve pelo caminho, como a segunda onda da covid, em fevereiro, que impôs novas restrições à atividade econômica, mas a bolsa de valores resistiu.

Foto: arquivo
Bolsa lidera ranking das aplicações no semestre com avanço de 7% e ganho real diante da inflação estimada em 3,82% no período

O mercado de ações sentiu momentaneamente o impacto, porém o baque não foi maior porque o avanço da vacinação nos países mais desenvolvidos e a perspectiva de recuperação econômica global deram alento aos mercados. O aumento da demanda externa, sobretudo da China e dos Estados Unidos, por commodities como minério de ferro e petróleo beneficiou as companhias que vendem matérias-primas lá fora.

Ações de empresas exportadoras de minério de ferro e aço, como Vale, Usiminas, CSN e Gerdau, e de petróleo, sobretudo a Petrobrás, deram sustentação ao mercado de ações em um momento ainda de grande incerteza com os efeitos da segunda onda da pandemia na economia.

Commodities favoreceu a bolsa

O ciclo das commodities puxado pela demanda externa assegurou suporte à bolsa de valores até que o avanço da vacinação no País passasse a dar certo alívio aos investidores. Um sentimento de otimismo começou a permear gradualmente o mercado, cujo foco se voltou ao setor de varejo, segmento que, para analistas, que seria mais beneficiado com uma possível abertura da economia e retomada de atividade.

Um fato externo visto como positivo, além do ciclo global de alta das commodities, foi a política monetária mais branda adotada pelo Fed (Federal Reserve, banco central do EUA). Ela consistiu na manutenção de juros baixos e na adoção de estímulos monetários, pela recompra de títulos, que injetaram bilhões de dólares no sistema financeiro, de onde parte se espraiou pelos mercados de demais países.

A liquidez abundante ou a ampla oferta de recursos em um cenário de juros baixos favoreceu as bolsas americanas, cuja variação serve como termômetro de expectativas também para a bolsa e o dólar doméstico.

Não obstante um cenário externo menos estressante, o dólar atravessou boa parte do primeiro semestre tensionado, em meio às preocupações fiscais. Principalmente em um momento de definição do Orçamento 2021 em que a pressão por gastos, por causa da crise da pandemia, vinha de todos os lados, principalmente dos parlamentares.

Orçamento aprovado esfriou o dólar

A aprovação do Orçamento, sem aparente risco à regra do teto de gastos, aliviou a inquietação com possível descontrole das finanças públicas e, por tabela, a pressão sobre o dólar. O aumento de receitas com o crescimento da arrecadação de impostos ajudou a melhora de expectativas para o cenários das contas públicas.

A redução de incerteza fiscal neutralizou parcialmente a pressão sobre o dólar, mas o baque maior veio com os seguidos aumentos da taxa básica de juros, a Selic, e a perspectiva de novas altas no segundo semestre. A Selic, que estava em 2% ao ano em março, quando ocorreu o primeiro aumento, e agora está em 4,25%, pode fechar o ano em torno de 6,00% a 6,50% e até 7%%, como indicam algumas projeções correntes no mercado financeiro.

Taxas de juro domésticas elevadas, comparadas com o juro de curto prazo em torno de 0,2% ao ano nos EUA, atraem capitais, sempre à procura de rentabilidade mais atraente, para o Brasil, o que deprime o dólar. Foi assim que a moeda americana não escapou do mergulho abaixo de R$ 5.

A elevação da Selic é o instrumento usado pelo Banco Central para conter a inflação causada pela escalada das commodities, que puxaram os preços de alimentos, combustíveis, dentre outros, e pela pressão sobre o dólar.

O aumento da Selic, contudo, não tem sido suficiente ainda para fazer frente à inflação acumulada pelo IPCA, que está em 3,22% no ano, até maio, e pode chegar em 3,82% em junho, com uma inflação mensal de 0,58% estimada pelo mercado. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulado é de 8,06%.

Uma escalada de inflação que, no balanço do primeiro semestre, provocou fortes prejuízos em aplicações tradicionais de renda fixa, da caderneta ao CDB, passando pelos fundos de renda fixa. Todas acumularam pesadas perdas no poder de compra do dinheiro ancorado nesses ativos.

Sobre o autor
Tom Morooka
Tom MorookaColaborador do Portal Mais Retorno.
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