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Mercado Financeiro

Bolsa recua mais de 2% e dólar sobe a R$ 5,74 com avanço da ômicron pelo mundo

Mercados internacionais também fecharam em queda

Data de publicação:20/12/2021 às 19:03 -
Atualizado 6 meses atrás
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Em mais um dia marcado pela preocupação global com o avanço da ômicron, a nova variante do coronavírus, pelo mundo, a Bolsa de Valores fechou em queda expressiva de 2,03%, aos 105.020 pontos, nesta segunda-feira, 20, acompanhando o desempenho dos mercados internacionais. Pesquisas indicam que a cepa é mais contagiosa e infecta, também, os já vacinados e curados de covid-19, o que tem levado diversos países a adotarem novas medidas restritivas.

Também acompanhando a aversão ao risco dos investidores, o dólar avançou 0,82%, cotado a R$ 5,74, o maior patamar desde 30 de março, pior momento da pandemia no Brasil. Por ser considerado uma moeda segura, o dólar é uma das principais opções dos investidores que buscam proteger seu patrimônio em momentos de incerteza no mercado e na economia.

Mercado: confira a Bolsa e o dólar nesta sexta-feira, 17 de dezembro
Bolsa tem queda expressiva neste pregão | Foto: Reprodução

"A aversão ao risco por conta da variante ômicron começou a ser precificada nos mercados, que também começam a enfrentar um período de menor liquidez por conta dessa época de fim de ano".

Ariane Benedito, economista da CM Capital

O analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, explica que a perda do patamar dos 106 mil pontos pelo Ibovespa neste pregão eleva a probabilidade de retorno do índice para as mínimas do ano, aos 100 mil pontos, "em linha com sua tendência de curtíssimo prazo e em vista da perda do suporte intermediário".

Evolução da ômicron: o terror dos mercados

Embora as pesquisas apresentadas até aqui demonstrem que a nova variante do coronavírus tem um potencial menor de provocar casos graves e morte, a cepa já foi encontrada em mais de 90 países e tem um nível de transmissão muito alto. A confirmação de que a ômicron pode infectar, também, pessoas já vacinadas e curadas de covid-19 ajudou a elevar a aversão ao risco no Brasil e no mundo.

Além das incertezas quanto aos danos que a nova cepa pode trazer à saúde dos infectados, também há cautela em relação aos impactos econômicos que novas medidas restritivas de circulação possam trazer à atividade global. Na Europa, a Holanda já decretou lockdown até a segunda semana de janeiro, Alemanha, Dinamarca e França adotaram medidas restritivas para viajantes e o Reino Unido sinalizou que também pode adotar medidas semelhantes.

Em entrevista, o economista-chefe do UBS Wealth Management, Paul Donovan, pontuou que "o vírus em si tem um impacto econômico relativamente limitado. É o medo do vírus que tem impacto econômico".

Fechamento das bolsas na Europa e nos EUA

Europa

  • Stoxx 600 (Europa): -1,38%
  • FTSE 100 (Londres): -0,99%
  • DAX (Frankfurt): -1,88%
  • CAC 40 (Paris): -0,82%
  • PSI 20 (Lisboa): -1,00%
  • Ibex 35 (Madrid): -0,83%

Estados Unidos

  • S&P 500: -1,14%
  • Dow Jones: -1,23%
  • Nasdaq 100: -1,10%

Cenário doméstico: Orçamento de 2022

Internamente, temores fiscais reforçam a cautela, após relatos sobre debates, no centrão - grupo de sustentação do presidente Jair Bolsonaro - de aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. Para completar, o relatório do Orçamento de 2022 abocanhou R$ 16,5 bilhões em emendas do 'orçamento secreto' para o próximo ano, período de eleições presidenciais.

O temor é que um "pacote de bondades" do presidente Jair Bolsonaro, em busca de recuperar popularidade, tenha efeitos além dos já estimados nas contas públicas.

A previsão é que o relatório da peça orçamentária do próximo ano seja votado nesta terça-feira, 21, pela Comissão Mista de Orçamento (CMO).

O dia na Bolsa

A segunda-feira foi de queda praticamente generalizada para a Bolsa de Valores brasileira. No campo das commodities, onde estão as empresas com maiores pesos na composição do Ibovespa, o petróleo caiu com as expectativas de uma queda na demanda em decorrência das medidas restritivas causadas pela ômicron. Neste contexto, as ações da Petrobras e PetroRio recuaram 2,86% e 5,86%, respectivamente.

Já o minério de ferro fechou em alta neste pregão. No entanto, a valorização da commodity não foi suficiente para impulsionar as empresas do setor na B3. A Vale caiu 1,12%, enquanto as siderúrgicas CSN, Usiminas e Gerdau derreteram 6,91%, 5,60% e 5,93%, na sequência.

Maiores altas da Bolsa

EmpresaCódigoVariação
JBSJBSS31,43%
EnevaENEV31,29%
MinervaBEEF31,21%
BraskemBRKM50,47%
Fonte: B3

Maiores baixas da Bolsa

EmpresaCódigoVariação
CVCCVCB3-8,76%
LocawebLWSA3-7,13%
CSNCSNA3-6,91%
BR MallsBRML3-6,66%
GerdauGGBR4-5,93%
Fonte: B3
Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno