Mercado Financeiro

Em meio a oscilações provocadas pela expectativa da sanção presidencial ao projeto de Orçamento para 2021 e pelas repercussões do discurso de Jair Bolsonaro na Cúpula de Líderes Sobre o Clima, a Bolsa de Valores fechou em queda de 0,58%, aos 119.371,48 pontos, nesta quinta-feira, 22. 

Às 13h22, o Ibovespa chegou a registrar leve avanço de 0,33%, aos 120.439,53 pontos. Bolsonaro sancionou a lei que vai destravar gastos com medidas emergenciais, cujos custos não serão contabilizados na meta fiscal deste ano. O mercado recebeu negativamente este movimento, que sinaliza possível deterioração das contas públicas.  

Bolsa de Valores volta a subir após impacto negativo do discurso de Bolsonaro na cúpula do clima - Foto: B3/Divulgação

No fechamento, o dólar à vista encerrou o dia em baixa de 1,73%, a R$ 5,4546. euquanto subiu em emergentes como México e África do Sul. No mercado futuro, o dólar cedia 2%, cotado em R$ 5,4585 às 17h, em pregão de volume forte, acima de US$ 16 bilhões.

O Dow Jones fechou em queda de 0,94%, assim como a S&P 500 e Nasdaq, que caíram 0,92% e 1,21%, respectivamente.

Bolsonaro promete reduzir desmatamento, mas não convence

Na Cúpula de Líderes sobre o Clima, convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, Bolsonaro falou por seis minutos, das 10h49 às 10h55. O presidente seguiu a expectativa dos especialistas de enfatizar o compromisso de reduzir o desmatamento ilegal no País antes de 2030, uma guinada em sua política para o setor.

No entanto, o discurso não encontra respaldo em suas iniciativas atuais, como por exemplo a destituição do superintendente da Polícia Federal no Amazonas, o delegado Alexandre Saraiva, que entrou com notícia-crime contra ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em caso envolvendo madeireiros.

"Somos um dos poucos países a adotarem metas de redução de emissões", disse Bolsonaro, durante a cúpula. "Determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais. Devemos aprimorar a governança da Terra, valorizando a floresta e o biodiversidade", disse ele, para, em seguida pedir recursos para o desafio do País. "É preciso ter juro e remuneração pelos nossos serviços ambientais aos bioma do planeta", afirmou.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, vem recebendo alguns pedidos contra a realização de um acordo com o presidente Bolsonaro.

Na véspera, várias personalidades no Brasil fizeram na véspera uma manifestação no Twitter pedindo a saída do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, com a hashtag #ForaSalles, o que se tornou um dos assuntos mais comentados da plataforma.

No entanto, o presidente, em almoço com vários ministros, demonstrou seu apoio à permanência de Salles no cargo.

Papeis corporativos: siderúrgicas em alta

Nesta quinta-feira, as siderúrgicas seguem acumulando ganhos na B3. Na véspera da divulgação de seu balanço de resultados, a Usiminas (USIM5) registrou alta de 5,36%. Na mesma esteira, a CNS (CSNA3) teve elevação de 4,41% e a Gerdau (GGBR3), 3,72%.

Orçamento: a sanção de Bolsonaro

Outro assunto que direciona as atenções do mercado financeiro desta quinta-feira é a sanção, com vetos ou não, do Orçamento 2021 pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na véspera, Jair Bolsonaro sancionou a lei que vai destravar o lançamento de programas emergenciais de combate à covid-19 e tirar o gasto nessas ações da meta fiscal de 2021, que permite rombo de até R$ 247,1 bilhões.

O ato foi publicado em edição extra do Diário Oficial apenas dois dias após a aprovação do projeto pelo Congresso Nacional.

Segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Investimentos, a rapidez se deve à necessidade de dar respaldo legal ao lançamento dos programas, aguardados com ansiedade pelo setor empresarial, e também de dar à equipe econômica instrumentos para solucionar o problema das despesas subestimadas do Orçamento.

A lei altera a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2021 para descontar do cálculo da meta fiscal deste ano os gastos emergenciais com saúde, o programa de manutenção de empregos e o programa de crédito a micro e pequenas empresas, o Pronampe.

Covid-19: empresários pedem reforço na vacinação

O volume de casos de mortes por covid-19 segue elevado no País. Segundo dados do consórcio de imprensa, o Brasil registrou 3.157 novos óbitos pela doença na véspera.

A diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, afirmou em entrevista coletiva na última quarta-feira, que “após meses, o Brasil reporta queda nos casos”.

Porém, ela advertiu que o nível de casos segue “alarmantemente alto” e mencionou o fato de que algumas administrações estão se apressando para relaxar medidas de controle, o que pode leva a uma nova piora da pandemia no País.

Na última terça-feira, em evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com o presidente Jair Bolsonaro e cerca de 10 ministros, os empresários ressaltaram a importância da vacinação da população, de um bom ambiente econômico para haver investimentos e das reformas estruturais.

Na ocasião, Bolsonaro disse a eles que a vacinação é fundamental para que o País volte a crescer com mais velocidade.

"O Brasil não parou. Fizemos muita coisa no ano passado, desde a gestão Pazuello, e as vacinas são uma realidade hoje. Não temos medo de CPI, mas espero que essa ação não prejudique o nosso trabalho", afirmou o presidente.

Após uma paralisação de cerca de 10 dias, o Instituto Butantan retomou a produção da vacina Coronavac com o carregamento de IFA que chegou da China na última segunda-feira. De acordo com o governo do Estado, a próxima entrega ao Plano Nacional de Imunização (PNI), com 5 milhões de doses, está prevista até a primeira semana de maio.

Em paralelo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse na véspera que todos os grupos prioritários podem ser imunizados contra a covid-19 antes de setembro.

NY entre perdas e ganhos com balanços e emprego

A bolsa de Nova York operam em estabilidade nesta quinta-feira, com investidores se concentrando nas perspectivas de lucros da temporada de balanços, em meio a continuidade da recuperação econômica.

Nesta quinta-feira, foi divulgado o número atualizado de solicitações de auxílio-desemprego na semana encerrada em 17 de abril. Segundo dados do departamento do trabalho do país, houve queda de 39 mil pedidos no período, totalizando 547 mil.

Trata-se do menor nível do indicador desde 14 de março de 2020. A leitura contrariou projeções de analistas, que previam alta a 603 mil solicitações.

A realização da cúpula do clima também movimenta o mercado nesta quinta-feira. Na abertura do evento, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden destacou que os Estados Unidos querem cortar a emissão de carbono pela metade até o fim desta década, como o caminho para o país ter emissão zero de carbono até 2050.

De acordo com Biden, cientistas destacam que esta é a década para reverter o aquecimento global e evitar mudanças climáticas irreversíveis no mundo. "Temos que tomar decisões para proteção do meio ambiente, todos juntos. Nesta cúpula, cada país deve dizer o que pode fazer para proteger o meio ambiente", declarou.

Apesar da redução da cautela, os riscos da pandemia de covid-19 para a recuperação econômica continuam no radar. De acordo com a imprensa local da Índia, o país registrou nas últimas 24 horas o recorde de 2.023 mortes pela doença.

Nos Estados Unidos, apesar da alta recente no número de novos casos de infecção por coronavírus, a vacinação tem avançado. O presidente americano, Joe Biden, divulgou na véspera que o país aplicou 200 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 nos 100 primeiros dias de seu governo.

Biden lembrou que a meta inicial, de aplicar 100 milhões de doses do imunizante contra o coronavírus, foi alcançada 58 dias após sua posse como presidente, o que permitiu dobrar a aposta. "Conseguimos", comemorou.

Por outro lado, assim como o Brasil é foco de apreensão em relação à covid-19 no mundo, a Índia também passou a ser foco de preocupação. Nas últimas 24 horas, o país contabilizou mais de 314 mil casos da doença, um recorde global.

Europa: bolsas fecham alta com BCE e balanços

Os mercados acionários da Europa registraram ganhos nesta quinta-feira. O bom humor seguiu após a decisão do Banco Central Europeu (BCE), que reafirmou a postura acomodatícia de sua política monetária, algo que tende a beneficiar as ações. Além disso, alguns dados positivos nos Estados Unidos contribuíram para o movimento no continente, em meio a balanços mistos. O índice pan-europeu Stoxx fechou em alta de 0,68%, aos 439,63 pontos.

Os ganhos em Nova York, no dia anterior, e na maior parte da Ásia mais cedo ampararam abertura positiva nas bolsas europeias. O movimento se manteve mesmo após alguns balanços mistos. Renault registrou baixa de 1,33% em Paris, após divulgar resultados, e o papel do Credit Suisse caiu 2,11% em Zurique. Já outros balanços foram bem avaliados, com Volvo em alta de 2,48% em Estocolmo e Nestlé ganhou 2,88% em Zurique, também depois de publicarem seus números.

A presidente da autoridade europeia, Christine Lagarde, disse que a perspectiva da economia no curto prazo da zona do euro segue comprometida por incertezas ligadas à pandemia de covid-19 e aos esforços de vacinação contra a doença.

Em coletiva de imprensa que se seguiu à decisão do BCE de manter sua política monetária inalterada, Lagarde ressaltou, porém, que a expectativa é de forte recuperação da atividade econômica da zona do euro ao longo de 2021, à medida que os esforços de vacinação progredirem e medidas de restrição forem retiradas. Confira matéria da Mais Retorno sobre o assunto.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira após um dia de recuperação em Nova York e apesar de temores causados pela disseminação da covid-19 em partes do mundo.

Em Tóquio, o Nikkei saltou 2,38%, aos 29.188,17 pontos. O índice, que havia acumulado fortes perdas nos dois pregões anteriores em meio a preocupações com um novo surto de coronavírus no Japão, foi impulsionado hoje por ações dos setores químico e farmacêutico.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng avançou 0,47% em Hong Kong, aos 28.755,34 pontos, e o sul-coreano Kospi subiu 0,18% em Seul, aos 3.177,52 pontos.

Na China continental, os mercados ficaram mistos: o Xangai Composto recuou 0,23%, aos 3.465,11 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto teve alta de 0,48%, aos 2.288,18 pontos. Em Taiwan, o Taiex registrou perda de 0,61%, aos 17.096,97 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul hoje, com alta de 0,83% do S&P/ASX 200 em Sydney, aos 7.055,40 pontos. /com Tom Morooka e Agência Estado

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