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Em relatório divulgado nesta terça-feira, 29, o Bank Of America (Bofa) manteve a recomendação underperform, ou seja, abaixo do desempenho médio do mercado, para a Ambev. O Bofa fixou o preço médio da ação da cervejaria em R$ 15, uma redução de 14%.

Segundo o relatório, a rápida expansão de marcas concorrentes, que crescem acima da demanda do mercado, contribuiu para levar o banco a essa reavaliação..

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Maior competição no mercado e o custo crescente com o desenvolvimento de novos produtos aumentam os desafios das cervejeiras

A Ambev vem perdendo espaço no mercado cervejeiro há 13 anos. Enquanto em 2005 a empresa correspondia a 69% dos produtos consumidos, em 2020 esse espeço caiu para 60%. O Bofa destaca, inclusive, que em 2018 o percentual era ainda menor, 56, mas, com o lançamento de novos produtos, a companhia recuperou uma parcela do mercado.

A principal concorrente da Ambev hoje é a Petrópolis, empresa que mais cresce no ramo das cervejarias. A companhia mais que dobrou sua capacidade de produção em 9 anos, passando de 1,4 bilhão de litros em 2011 para 3 bilhões em 2020. A Petrópolis, inclusive, anunciou o desenvolvimento em duas fases de sua planta em Uberaba, com o objetivo de aumentar a capacidade de produção para 4,7 bilhões. De acordo com as estimativas do relatório, a marca tem entre 15 e 20% de participação no mercado cervejeiro.

Outra ponta forte da concorrência fica com a Heineken, que também tem projetos para aumentar sua participação no mercado em vista. Em fevereiro deste ano, a empresa anunciou um investimento de R$ 1,8 bilhão para a criação de uma nova fábrica em Pedro Leopoldo, Minas Gerais.

A Heineken enfrentou problemas, recentemente, com restrições de capacidade, impossibilitando o aumento no volume de produção em 2020. Com os novos investimentos, no entanto, a Bofa estima que a companhia produza 3,5 bilhões de litros de cerveja em 2023 no Brasil, o que representa 40% do volume total esperado da Ambev.

Segundo o relatório, Petrópolis e Heineken podem aumentar sua capacidade combinada em mais de 30% em relação a 2019. No entanto, um problema para o mercado cervejeiro é a demanda, que deve ficar abaixo do ritmo das empresas, resultando em maior competição e lucros menores para todas.

As expectativas do banco são de que, com a recuperação do PIB, o consumo per capita de cerveja cresça 3% nos próximos três anos, totalizando 15,9 bilhões de litros. Esse valor permanece 0,5 bilhão abaixo do potencial de produção da Ambev, Petrópolis e Heineken juntas.

O pico no consumo de cerveja foi em 2012, com uma média de 270 ml por dia e por pessoa. Esse número caiu 6% em 2020, registrando 250 ml.

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Repórter na Mais Retorno

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