Mercado Financeiro

O mercado financeiro estará com a atenção centrada na ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) divulgará às 15h (horário de Brasília) desta quarta-feira, 7. Sinalização de alta dos juros ou fim de estímulos à economia americana tende a fazer a Bolsa cair ainda mais.

Nessa reunião, realizada em 16 de junho, o Fed manteve inalterada a taxa de juros de curto prazo dos fed funds, mas declarações de autoridades monetárias indicaram que existem algumas pressões inflacionárias localizadas em determinados setores da economia americana.

Foto: Arquivo
Indicação de alta dos juros ou redução de estímulos à economia americana será negativa para o mercado de ações - Foto: Envato

Foi o bastante para que o mercado financeiro global passasse a cogitar uma possível elevação dos juros americanos ou a redução gradual de estímulos monetários adotados para ajudar a recuperação da economia, uma forma de deter também possível avanço inflacionário.

É uma referência mais clara a essas questões que os investidores esperam encontrar na ata que será conhecida hoje para identificar possíveis pistas que orientarão a política monetária do Fed para uma economia que estaria supostamente a caminho de uma recuperação mais vigorosa.

Especialistas dizem que os mercados não deverão esboçar nenhuma reação se a indicação dada pela ata for a manutenção dos juros em níveis atuais, entre zero e 0,20% ao ano, e da política de estímulos monetários. Uma sinalização de alta dos juros ou redução de estímulos tenderia a provocar efeitos negativos na Bolsa e a pressionar o dólar.

Outros fatores que pesam na Bolsa

O mercado financeiro já ficou mal-humorado na véspera, mas por outros motivos. O cenário externo negativo, com o agravamento de incertezas com a pandemia do coronavírus e a queda das cotações do petróleo, foi um dos fatores que deprimiram ainda mais a Bolsa e deu fôlego à continuidade de alta do dólar.

O ambiente doméstico de incertezas com a crise política, que a cada dia ganha novos contornos a partir de denúncias na CPI da Covid no Senado, também tem contribuído com a instabilidade no mercado financeiro, pelo aumento de aversão a risco. Um sentimento que leva o investidor a sair da Bolsa e buscar mais segurança em ativos como o dólar.

A pressão sobre o dólar adiciona mais instabilidade ao mercado e à economia pelos efeitos negativos que a alta da moeda americana exerce sobre a inflação, em um momento que o Banco Central calibra seguidos ajustes na taxa básica de juros, a Selic.

A alta do juro básico não agrada ao investidor da Bolsa, entre outros motivos, porque o aumento da taxa piora as condições financeiras de empresas endividadas, reduzindo o lucro nos balanços dessas companhias.

NY: futuros com sinais mistos

Nos Estados Unidos, os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam sem direção única, com os investidores aguardando a divulgação da ata da última reunião do Fomc.

Na véspera, o índice Dow Jones recuou 0,60%, aos 34.577,37 pontos, o S&P 500 caiu 0,20%, aos 4.343,54 pontos, e o Nasdaq teve alta de 0,17%, aos 14.663,64 pontos.

A expectativa por um conteúdo hawkish gera cautela, uma vez que no encontro houve uma antecipação das estimativas para alta de juros.

Sobre as publicações dos índices gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês), ocorrida na véspera – e que veio abaixo das expectativas do mercado - a avaliação é de que o setor de serviços dos EUA ainda está forte.

Embora as pressões de preços permaneçam, "este relatório não fornece nenhum novo sinal que apoie o argumento de que a redução gradual deve ocorrer antes do início do próximo ano", aponta o analista da Oanda, Edward Moya.

CPI da Covid: Dias Ferreira

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid segue avançando com os trabalhos, acompanhados de perto pelos investidores, e tem ajudado a azedar o humor do mercado.

Nesta quarta-feira, o colegiado ouve o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. Ele foi exonerado do posto no último dia 29 após a denúncia de que teria pedido propina de US$ 1 para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Ele nega a acusação.

Na véspera, o presidente da comissão, senador Omar Aziz, decidiu tornar público o conteúdo da perícia realizada no celular do policial Luiz Paulo Dominguetti. A medida foi realizada durante o depoimento do policial, quando confirmou ter recebido pedido de propina para fechar contrato com o Ministério da Saúde ao oferecer vacina da AstraZeneca.

Além disso, Aziz solicitou ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos a inclusão do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e de seus familiares no programa de proteção às testemunhas.

A defesa de Witzel enviou à CPI requerimento pedindo proteção para que ele possa depois em sessão secreta da comissão. Ele já prestou depoimento em junho, mas afirmou que poderia apresentar novos elementos sobre corrupção envolvendo hospitais federais no Rio e organizações sociais.

A senadora Simone Tebet afirmou acreditar que houve falsificação no documento usado pelo governo de Jair Bolsonaro para rebater denúncia de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.

À comissão, Tebet identificou 24 erros na chamada "invoice" (uma fatura com os dados do pagamento) apresentada pelo ministro Onyx Lorenzoni, no dia 23 de junho, quando ameaçou processar os denunciantes.

"Tem clara comprovação de falsidade de documento privado. Nós estamos falando de falsidade ideológica formulada por alguém", disse a senadora.

A servidora Regina Célia Silva Oliveira, do Ministério da Saúde, fiscal do contrato da Covaxin prestou depoimento ao colegiado também no dia anterior.

Ela declarou que só assinou um relatório sugerindo a suspensão do contrato do Ministério da Saúde com Bharat Biotech entre os dias 23 e 24 de junho, após ter retornado de suas férias, mesmo com as irregularidades no documento e os atrasos na entrega do imunizante tendo sido verificadas antes.

Bolsas asiáticas fecham sem direção única

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta quarta-feira, seguindo o comportamento de Wall Street na véspera, com investidores à espera da última ata de política monetária do Fed.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,96% em Tóquio hoje, aos 28.366,95 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,40% em Hong Kong, aos 27.960,62 pontos.

 O Kospi se desvalorizou 0,60% em Seul, aos 3.285,34 pontos, em meio a um novo salto nos casos de covid-19 na Coreia do Sul, e o Taiex registrou queda de 0,35% em Taiwan, aos 17.850,69 pontos.

Por outro lado, os mercados da China continental tiveram um pregão positivo, impulsionados por ações do setor industrial. O Xangai Composto subiu 0,66%, aos 3.553,72 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,68%, aos 2.446,99 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul, embora Sydney tenha estendido em uma semana o atual lockdown motivado pela covid-19. O S&P/ASX 200 teve ganho de 0,90%, aos 7.326,90 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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