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Após troca de comando, Petrobras sobe mais de 4,4%; o que esperar da empresa e suas ações

Percepção é de que a mudança de presidente não deve trazer alterações significativas na política de preços da petroleira

Data de publicação:31/03/2022 às 00:30 -
Atualizado 2 meses atrás
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Em dois pregões após a troca da presidência de Petrobras, a boa receptividade do mercado pode ser traduzida em números: as ações preferenciais, PETR4, acumulam alta de 4,22%, e as ordinárias, PETR3, de 3,02%, na B3.

Analistas e investidores reagiram com tranquilidade à saída do general Joaquim Silva e Luna e à chegada do economista Adriano Pires, indicado pelo governo para assumir a estatal. A percepção é de que a mudança não deve trazer mudanças significativas na política de preços da petroleira, e por isso as casas continuam recomendando os seus papeis.

Analistas e investidores avaliam com tranquilidade a troca de comando da Petrobras
Adriano Pires foi bem recebido pelo mercado por seu perfil técnico - Foto: Divulgação/Cbie

Analistas recomendam a compra dos papéis de Petrobras

"O nome de Adriano Pires foi bem recebido pelo mercado, é alguém do setor de petróleo e gás, com conhecimento técnico e respeitado na área. Sem dúvida, a substituição foi uma decisão política, mas há a percepção de que existe uma certa blindagem em relação à interferência (do governo) nos preços (dos combustíveis), o que se reflete também na diminuição da presença em refino", disse Alexandre Brito, sócio da Finacap Investimentos.

Bancos e corretoras de valores aprovaram, aparentemente sem maiores ressalvas, a indicação do economista Adriano Pires para o comando da Petrobras. Não apenas endossaram o nome, como renovaram a recomendação de compra de papeis da companhia com preços-alvo mais elevados.

A XP manifesta, em relatório, que reitera a visão otimista sobre Petrobras, embasada na alta qualidade e produção crescente dos ativos do pré-sal e elevado ganho de dividendos. A equipe de análise estima alta de 23% em 2022 e de 100% na soma dos bônus dos próximos cinco anos.

A indicação de Adriano Pires é vista pela casa como neutra para positiva. Uma classificação que situa em um plano muito baixo o risco de mudança na estratégia adotada pela atual gestão. O risco político, aponta o relatório, era e é ainda alto, “mas o valuation atrativo e o alto pagamento de dividendos são extremos demais para serem ignorados”.

A XP mantém a recomendação de compra, com novo preço-alvo para o fim de 2022, de R$ 47,80 por ação de PETR4 (preferencial) e de PETR3 (ordinária) – o valor anterior era R$ 45,30 por ação. O preço alvo para cada ADR teve elevação de US$ 16,40 para US$ 18,40.

Paridade de preços deverá ser mantida

Victor Martins, analista da Planner Corretora, acredita que a política de preços da Petrobrás, “bem conversada e consolidada”, permanece sob nova gestão. Ele entende que a paridade com os preços internacionais será mantida, “ao mesmo tempo que alguns mecanismos de estabilização de preços seriam estudados, com o Congresso, se a volatilidade persistir”.

“O estilo de administração de Adriano (Pires) deixa o mercado mais tranquilo e confiante”, diz o analista da Planner. “O investidor está colocando no preço (em alta) a maturidade de quem está chegando e a do mercado”, avalia.

Martins destaca dentre os apelos da empresa “os resultados operacionais, com margens crescentes de lucro, e a excelente distribuição de dividendos para todos os acionistas, majoritários e minoritários”. A Planner tem recomendação de compra para PETR4, com preço justo de R$ 40 por ação.

Em relatório, o Itaú BBA expressa recomendação de compra de PETR4, com preço-alvo de R$ 38. Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Messem Investimentos, destaca o valuation e os dividendos da companhia, ao reiterar a recomendação de compra, com preços renovados, dos papeis de Petrobras, em um horizonte de 12 meses: R$ 45,30 para PETR3 e R$ 47,80, para PETR4.

Trajetória dos papeis

As ações da estatal de petróleo fecharam o dia anterior com a segunda valorização consecutiva após a indicação de Adriano Pires para a presidência da Petrobras. PETR3 subiu mais 1,77%, para R$ 35,11, e acumula alta de 3,02% em dois dias. PETR4 avançou mais 2,14%, para R$ 32,99, e acumula valorização de 4,40%.

A avaliação do novo comando de Petrobras

Regis Cardoso e Marcelo Gumiero, do banco Credit Suisse, disseram, em relatório, que Adriano Pires é nomeado em um contexto de alta pressão política sobre os preços dos combustíveis, o que pode levantar preocupações de intervenção política na Petrobras.

Mas lembram que Silva e Luna deixará o cargo após um mandato de um ano que começou em meio às incertezas com políticas semelhantes em torno dos preços dos combustíveis no início de 2021. "Sob sua liderança, a Petrobras continuou a seguir os preços de paridade internacional e apresentou bons resultados em 2021", escreveram eles.

Os analistas apontam que, em uma reportagem recente, Adriano Pires se opôs a qualquer interferência direta nos preços da refinaria da Petrobras como solução para os problemas de preços de combustível no Brasil. "Ao contrário, ele propõe outras soluções, como um fundo de estabilização de combustíveis ou subsídios temporários para mitigar a volatilidade dos preços no curto prazo", concluem.

Paridade internacional

Também em relatório, o banco Safra destacou que, em entrevistas e artigos, Pires sempre defendeu manter os preços da Petrobras alinhados com os preços de importação, e que qualquer iniciativa para mitigar os altos preços dos combustíveis devem ser custeados pelo governo, e não apoiadas em recursos da Petrobras. Ele também se manifestou em favor da venda de parte do refino da companhia, ressaltou o banco.

"Embora mudanças na política de preços não possam ser totalmente descartadas, entendemos que a combinação das declarações de Pires, o estatuto da empresa e a lei para empresas estatais aumenta a probabilidade de continuidade", disse o banco, ressaltando que a estatal não está apenas apresentando uma boa situação financeira, mas também protegida por um arcabouço legal que ajuda a evitar o controle de preços pelo governo.

Poucas mudanças

Os analistas Leonardo Marcondes e Monique Greco, do Itaú BBA, também disseram não esperar alterações significativas na política de preços de combustível da Petrobras. Ainda assim, disseram ver a notícia como negativa, "porque a Petrobras pode continuar enfrentando desafios recorrentes para garantir a convergência de preços para a paridade internacional".

Em relatório, eles reforçam que Pires é um renomado consultor do setor e tem apoiado uma solução mais estrutural para a complexa equação dos preços dos combustíveis que concilia os interesses dos acionistas da Petrobras com os consumidores brasileiros, criando um mecanismo de estabilização a ser financiado pelos royalties do petróleo e gás.

"No curto prazo, esperamos que os investidores se concentrem na política de preços de combustíveis da empresa e em possíveis mudanças na diretoria. Ressalta-se que a manutenção da paridade internacional não é apenas um componente essencial para garantir a sustentabilidade do abastecimento brasileiro de combustíveis, mas também ajuda a Petrobras a atingir sua meta de desinvestir parte significativa de sua capacidade de refino", destacam.

Calcanhar de Aquiles da empresa

Na visão do Itaú BBA, a alocação ineficiente de capital pode voltar a ser o calcanhar de Aquiles da empresa e deve ser a principal preocupação dos investidores. "Neste ponto, acreditamos que o principal risco da Petrobras é a manutenção de seu plano de negócios e, consequentemente, de sua estratégia de alocação de capital", apontam. / com Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.