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Aplicações de renda variável apanham da inflação no ano; renda fixa ganha musculatura

Cenário externo, com inlação e juros em alta pelo mundo, atingiu a renda variável

Data de publicação:03/10/2022 às 12:04 -
Atualizado 2 meses atrás
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Alguns segmentos da renda variável ainda estão no azul, como a bolsa de valores, com valorização acumulada de 4,97%, até setembro. Outros com rendimento nominal negativo, como o dólar, com baixa de 3,24%, e o ouro, com queda de 13,18%.

Em contrapartida, o segmento de renda fixa ganhou musculatura. Tanto em rendimento nominal como real. As principais opões conservadoras, de títulos a fundos de renda fixa, estão entregando ganho real, acima da inflação, ao aplicador. Até mesmo a poupança.

renda variável
Renda fixa foi favorecida com juros altos e inflação mais baixa - Foto: Envato

A renda fixa foi duplamente beneficiada nesse período. De um lado pelo ciclo de alta dos juros, que chegou ao fim de agosto, com a Selic acomodada em 13,75%. Um nível considerado elevado por especialistas.

E, de outro, pelo escorregão da inflação, impactada por medidas do governo que baixaram os preços de alguns produtos, via corte de impostos, como combustíveis e energia elétrica. O IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo) interrompeu a escalada de alta em junho e mergulhou para o terreno negativo, a deflação.

Em julho, com o rendimento nominal mensal de títulos e fundos de renda fixa acima de 1%, o IBGE mediu uma deflação ou variação negativa de preços de 0,68% no mês. Movimento que persistiu em agosto, com nova deflação de 0,36%.

O ciclo recente de inflação negativa dá sinais de continuidade. O IPCA-15, uma espécie de indicador prévio de inflação, já antecipou uma variação negativa de 0,37% em setembro.

Em tese, em cenário de deflação, o rendimento nominal da renda fixa transforma-se em ganho real, em sua totalidade, engordado ainda pela incorporação do índice de variação negativa de preços.

Cenário externo castiga a renda variável

Enquanto a renda fixa surfa na maré de juros altos e inflação em desaceleração, internamente, a renda variável enfrenta uma série de percalços em um ambiente de incertezas, principalmente globais. O principal fator de preocupação está na dinâmica de inflação, principalmente nos Estados Unidos e em países da Europa.

A escalada inflacionária tem levado os bancos centrais das principais economias a lançar mão de juros altos para conter a alta de preços. O Fed (Federal Reserve, banco central americano) vem aumentando a taxa de juros desde maio e reforçando o tom duro na condução da política monetária. Uma atuação que gera expectativas negativas no mercado financeiro, sobretudo em ativos de renda variável, que sorem com o temor de que a economia americana seja abatida pela recessão.

O dólar tem passado por valorização no mundo, na esteira da elevação dos juros americanos. Menos no Brasil, que iniciou o ciclo de alta dos juros antes dos demais e atrai capitais para investimento tanto na bolsa de valores como na renda fixa.

Confira o ranking dos investimentos no ano, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Balanço das aplicações no ano

Aplicação/indicadorRendimento/variação
1 - Fundos DI*9,25%
2 - Fundos de Renda Fixa*9,17%
3 - CDBs*8,80%
4 - Títulos IPCA**8,73%
5 - Fundos Imobiliários (Ifix)6,63%
6 - IGP-M6,61%
7 - Poupança5,76%
8 - Ibovespa4,97%
9 - IPCA***4,06%
10 - Dólar-3,24%
11 - Ouro-13,18%
12 - Euro-16,28%
13 - Bitcoin-58,77%

Fonte: Fabio Colombo

  Obs.:

*  média

**  indicativo 

*** projeção

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.

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