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BlackRock: ciclo de alta dos juros está chegando ao fim e quadro fiscal preocupa

No País, gestora aponta oportunidades em títulos de renda fixa, do governo e de empresas

Data de publicação:12/07/2022 às 10:37 -
Atualizado 5 meses atrás
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O Banco Central começou a subir os juros antes de seus pares e, por isso, o ciclo de alta das taxas pode estar perto do fim, diferentemente de Estados Unidos e Europa.

Já o cenário fiscal é bem mais preocupante, avalia Axel Christensen, diretor de estratégia de investimentos para a América Latina da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, com US$ 10 trilhões em ativos. No País, o executivo vê oportunidades em títulos de renda fixa, do governo e de empresas.

alta de juros
Para a BlackRock, ciclo de alta de juros está perto de ser concluído, mas acende o sinal vermelho para o cenário fiscal - Foto: Envato

"Certamente, há aspectos com que estamos preocupados, em termos da situação fiscal, do crescimento da dívida pública e sobre quais as decisões de política econômica serão tomadas em torno disso".

Axel Christensen, da BlackRock

Há ainda o temor de que a alta generalizada de preços possa provocar inquietações na sociedade, como aconteceu nos países vizinhos, que viram uma série de protestos nas ruas.

"O Banco Central está muito mais perto de atingir o fim do ciclo de alta de juros do que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que apenas começou, ou o Banco Central Europeu (BCE), que nem começou ainda", afirmou Christensen.

Nesse ambiente, a incerteza sobre a política monetária na América Latina é menor do que no mundo desenvolvido.

A inflação no Brasil ainda não chegou a ponto de começar a cair, mas está perto, disse o economista. Pelo lado negativo, a alta mais intensa de juros pelo BC vai comprometer a atividade, afirmou Christensen.

O economista vê risco acima de 50% de recessão na América Latina, justamente pela alta de juros aqui ter sido mais rápida do que em outras regiões.

Eleições

Sobre as eleições em outubro no País, Christensen avalia que as pesquisas até agora mostram uma corrida presidencial sem muitas surpresas. Por isso, não deve haver grandes movimentos do mercado, a menos que haja alguma mudança não esperada nos nomes envolvidos na disputa.

Um dos fatores a se monitorar é como ficará a nova configuração do Congresso após as eleições, pois isso vai ajudar a dar uma visão do espaço do próximo presidente da República para tocar sua agenda de políticas, disse o executivo da BlackRock.

O executivo afirmou também que colocaria o Brasil em uma lista de mercados emergentes "seguros", mas alerta que o País enfrenta obstáculos importantes, como a baixa produtividade e o baixo crescimento estrutural da economia. / com Agência Estado

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