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Renda Fixa

Além do novo Tesouro Direto para aposentadoria, conheça os três títulos hoje disponíveis para o investidor

Instituição também tem planos de desenvolver um título com foco em ESG

Data de publicação:28/12/2021 às 05:00 -
Atualizado 5 meses atrás
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Para comemorar 20 anos de atividade, o Tesouro Direto prepara o lançamento de um título voltado para aposentadoria individual dos investidores – o Tesouro Direto-Previdência - segundo reportagem do jornal 'O Estado de S. Paulo'. O novo produto financeiro deve entrar no mercado em 2022.

Nesse modelo de investimento de renda fixa, haverá um período de acumulação, de 30 anos a 40 anos, no qual o aplicador não recebe o pagamento pelo Tesouro do fluxo de juros do papel. Somente após esses anos, o investidor passa a receber o pagamento mensal como se fosse uma aposentadoria.

Site do Tesouro Direto - Foto: Agência Brasil

“Hoje, o mercado de previdência fala muito em rentabilidade. Não fica claro qual é a renda que o poupador vai ter. Temos que mirar a renda”, ressaltou o secretário do Tesouro Direto, Paulo Valle, em entrevista ao jornal.

Referências para a criação do novo título do Tesouro Direto

O desenho do novo papel é inspirado nos estudos do Nobel de Economia, Robert Merton e do seu colega Arun Muralidhar. E mais recentemente também do brasileiro Fabio Giambiagi, que publicou um artigo sobre o tema, em conjunto com os colegas Mauricio Dias Leister, Arlete Nesse e André Dovalski, pela FGV.

Título ESG de Tesouro Direto

O Tesouro também está com planos em andamento para fazer emissões de títulos públicos atrelados aos princípios ESG de boas práticas nas áreas ambiental social e de governança.

Segundo o subsecretário da Dívida Pública do Tesouro, Otavio Ladeira de Medeiros, o governo está definindo quais são os indicadores que serão usados como referência para a emissão desse tipo de título. O processo começou esse ano e deve se estender ao longo de 2022.

A ideia é que as emissões comecem no mercado internacional, como usualmente é feito em outros países. Mas com o passar do tempo poderão ser feitas no mercado doméstico de venda de títulos públicos.

O ingresso nesse mercado pelo Tesouro Direto é considerado estratégico porque o mundo vive um momento de grande oferta de recursos, ao mesmo tempo em que investidores têm cobrado cada vez mais um compromisso firme com a pauta ESG - já existem fundos que aplicam seus recursos exclusivamente nesse tipo de ação.

Até agora, 22 países fizeram emissões de títulos públicos ligados ao "selo", número que tende a crescer rapidamente.

Conheça os três tipos de título já negociados no Tesouro Direto

O novo título do Tesouro Direto, atrelado à aposentadoria, que deve ser lançado em 2022 vem juntar-se aos títulos da dívida pública já negociados para investidores pessoa física na plataforma do Tesouro Direto. São três os títulos ofertados: Tesouro Prefixado, Tesouro Selic e Tesouro IPCA.

Título do Tesouro prefixado

Cada título tem suas características. O Tesouro Prefixado é vendido com juro previamente definido. Como já vem embutido no papel, o investidor, ao comprá-lo, toma conhecimento de quanto receberá de rentabilidade ao fazer o resgate, no vencimento do título.

Título do Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título com juro pós-fixado, indexado à Selic. É a taxa básica de juro definida em reuniões periódicas do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central. É um título cujo rendimento acompanha a variação da Selic – tanto na alta como na baixa.

Título to Tesouro IPCA

O Tesouro IPCA é um título com rentabilidade híbrida. Parte é juro prefixado, que já vem embutido no papel, e parte é correção monetária, calculada no momento do resgate. A correção corresponde à variação do IPCA no período e funciona como proteção do capital contra a inflação. Por ter essa blindagem, o juro prefixado assegura juro real positivo ao comprador qualquer que seja o comportamento da inflação.

Por estar indexado à inflação, o Tesouro IPCA é o único ofertado na plataforma que garante juro real ao comprador. Nesta segunda-feira, 27, o título para vencimento em 15/08/2026, o Tesouro IPCA+ 2026, foi oferecido por IPCA + 4,98% de juro ao ano.

Tesouro Direto versus a inflação

Uma cobertura contra a inflação que o Tesouro Selic não tem oferecido, embora a taxa básica tenha saído da mínima histórica de 2% ao ano, em março, para 9,25% ao ano, no momento. O motivo é que a correção da Selic ainda está atrasada em relação ao ritmo de alta da inflação.

A Selic fecha 2021 acomodada em 9,25% ao ano diante de uma inflação medida pelo IPCA que deve acumular uma alta de 10,02%, de acordo com as previsões de analistas contidas no boletim Focus desta segunda, 27.

O que esperar para o Tesouro Direto em 2022

A expectativa de especialistas é que essa assimetria se inverta em favor da Selic no primeiro semestre de 2022. Seria o resultado de uma puxada do juro básico ao intervalo entre 11,50% e 11,75%, como aponta a maioria das apostas do mercado, e o início de queda da inflação como resposta a uma política monetária mais dura, contracionista, do Banco Central.

O Tesouro Prefixado não está indexado nem à Selic nem ao IPCA. Seu rendimento é definido previamente levando em conta uma estimativa de um suposto juro real e correção monetária. Nesta segunda-feira, 27, o Tesouro Prefixado 2024, com vencimento em 1º/7/2024, foi oferecido por uma taxa prefixada de 10,86% ao ano.

Nesse tipo de papel com juro prefixado, o comprador só terá rendimento real positivo se a inflação a cada ano ficar abaixo da taxa prefixada. No Tesouro Prefixado 2024, com taxa bruta de 10,86%, o investidor terá perda se a inflação anual ultrapassar esse patamar.

Sobre o autor
Renato Jakitas
Editor-chefe do Portal Mais Retorno.