Logo Mais Retorno
Economia

2022: ano para investir no Brasil ou no exterior?

Onde é melhor para investir em 2022: no Brasil ou no exterior? Fizemos uma análise geral do contexto econômico para tentar responder essa pergunta. Confira!

Data de publicação:28/01/2022 às 08:00 -
Atualizado 7 meses atrás
Compartilhe:

Os últimos anos têm sido difíceis para o investidor da bolsa brasileira. Desde a explosão da pandemia no país, em março de 2020, a volatilidade tomou conta dos ativos de renda variável.

Esse cenário de incerteza deve se manter ao longo de 2022. Neste ano, afinal, temos uma série de pautas relevantes para o futuro do país e que ainda não possuem uma direção definida. É o caso, por exemplo, das eleições ou do risco fiscal do país.

pesquisa presidentes sobre a economia pós-pandemia

Diante desse ambiente de dúvidas, é natural que o investidor se questione qual é o melhor destino para o seu capital. Será que ainda vale a pena apostar em ativos brasileiros ou a saída é partir para o mercado exterior? É o que vamos tentar responder no artigo de hoje.

Qual é o cenário de 2022 para os investimentos?

Para começar a responder qual é o melhor destino para os seus recursos financeiros, precisamos primeiramente entender o contexto global, sobretudo em dois aspectos: econômico e político.

É fato que o Brasil é um país com maiores incertezas do que potências econômicas, como são os Estados Unidos. Eleição, PEC dos Precatórios, risco fiscal, inflação e a falta de algumas reformas são alguns dos temas que justificam um maior temor sobre os próximos anos do nosso ambiente local.

No entanto, não podemos ignorar alguns detalhes que, por vezes, passam despercebidos. O primeiro deles é que o efeito inflacionário não é uma exclusividade brasileira. Os americanos também estão lidando com um forte aumento dos preços ao longo dos últimos doze meses. Gasolina, veículos e energia, por exemplo, tiveram uma inflação de dois dígitos.

Não por acaso, os Estados Unidos registraram uma inflação de 7,0% no acumulado de 2021. O resultado pode parecer "normal" para nós, brasileiros, mas representou o maior aumento de preços dos últimos 40 anos na terra do Tio Sam. A meta definida pelo governo americano para o índice inflacionário era de 2,0%.

E o que isso significa na prática? Que os Estados Unidos precisarão utilizar de mecanismos de política monetária para tentar controlar o aumento de preços. Em outras palavras, a expectativa é que os juros devem subir. E isso afeta toda economia global, dada a relevância dos EUA para a economia do planeta.

No entanto, isso não é nenhuma novidade. O que acontece é que os mercados não são tão eficientes como imaginamos. E os investidores tentam antecipar movimentos que, em algumas vezes, podem ser exagerados.

Portanto, se você já havia chegado à conclusão de que é melhor fugir dos problemas do Brasil, precisamos aprofundar um pouco mais no comparativo desses investimentos. Vamos lá!

A bolsa brasileira já antecipou os desafios de 2022

Que o Brasil é um país mais instável que os Estados Unidos, todos nós sabemos. Igualmente, não é nenhuma novidade que Brasília é sempre uma caixinha de surpresas para os ativos de renda variável brasileiros.

Entretanto, como os investidores tentam antecipar as situações econômicas, podemos ver que há um grande descasamento entre o desempenho da bolsa americana e da bolsa brasileira. E, para muitos analistas, esse receio exagerado com o futuro do país deixou os nossos ativos bastante descontados.

Para entender melhor esse cenário, vamos fazer um comparativo entre os dois principais índices acionários dos dois países: o Ibovespa e o S&P500. Para começar, veja abaixo o desempenho do índice nos últimos dois anos, períodos no qual tivemos a explosão da pandemia. O gráfico foi gerado pela nossa ferramenta gratuita de comparação de fundos de investimentos.

Em um horizonte de médio prazo, parece normal, concorda? A bolsa americana caiu menos do que a bolsa brasileira no auge da pandemia. Esse é um cenário justo dada a diferença de estabilidade entre os países. No entanto, após a normalização do pânico inicial dos investidores, as curvas mostram comportamentos distintos.

Vamos focar então no último ano dos índices. Observe, logo abaixo, como há uma correlação até junho, quando o Ibovespa atingiu a máxima histórica. Entretanto, após esse pico, os dois indicadores seguem movimentos distintos. No período, o S&P500 valorizou em 16,34%, enquanto que o Ibovespa apresentou um resultado negativo de 7,80%.

O cenário político prejudica a expectativa dos investidores em relação ao longo prazo. No entanto, ao mesmo tempo, empresas vêm reportando resultados recordes. Será que não houve um exagero?

Preço vs. valor: a bolsa brasileira está barata

Essa é a famosa assimetria que os economistas tanto gostam de mencionar. É verdade que o cenário brasileiro é muito mais desafiador do que apresenta a economia americana. Ao mesmo tempo, essa queda excessiva do Ibovespa acaba desvalorizando demais os ativos da nossa bolsa. E isso os torna ainda mais atrativos para novos investimentos.

Em resumo, apesar dos desafios locais, podemos concluir que a bolsa está barata e atrativa. E, pensando no longo prazo, tem muita empresa negociando a múltiplos baixos.

E sabe quem concorda com essa afirmação? O investidor estrangeiro! Isso mesmo: somente em 2021, o fluxo de capital estrangeiro ficou positivo em mais de cem bilhões de reais.

Alguns fatores ajudam nesse tipo de investimento, como o dólar valorizado — o que torna os ativos brasileiros ainda mais baratos para quem investe com moeda estrangeira. Ou seja, se o cenário desafiador pode assustar, ele também cria oportunidades bem rentáveis para quem investe pensando no longo prazo.

Onde investir em 2022: no Brasil ou no exterior?

Agora que já passamos por detalhes políticos e econômicos relevantes para o ano de 2022, podemos nos voltar para a questão central deste artigo. Afinal, onde investir em 2022? No Brasil ou no exterior?

Se você já acompanha os nossos conteúdos, talvez já saiba que a resposta é em ambos. Isso porque a melhor proteção contra crises e a volatilidade é justamente a diversificação.

Ademais, tentar acertar os ativos do ano (chamado tecnicamente de market timing) não é uma estratégia que costuma ser vencedora. É muito difícil prever o comportamento dos investidores e eventos não planejados — como é o caso da própria pandemia — podem modificar por completo o planejamento anual para os ativos.

Vale lembrar que os juros dos Estados Unidos crescendo não tornam a renda fixa americana tão atrativa assim. Vale lembrar que, por aqui, os ativos de renda fixa já oferecem uma remuneração de quase 10% ao ano. Desta forma, embora o risco seja maior, a rentabilidade dos ativos brasileiros se destaca.

O mesmo vale para a renda variável. Se as ações brasileiras sofreram nos últimos meses, elas se tornaram mais baratas para quem aceita o risco e entende que o mercado acionário é orientado para o longo prazo. A forte entrada de capital estrangeiro, mencionada no tópico anterior, reforça que os preços atuais são atrativos para quem busca se associar a boas empresas.

Em suma, portanto, com uma bolsa descontada em relação aos principais concorrentes e com taxas de juros elevadas, não faz sentido deixar de investir no Brasil com preocupação de decisões políticas de curto prazo. O ideal, reforço, está na diversificação de ativos por aqui e também no mercado exterior.

E, vale lembrar, a economia estrangeira não se limita aos Estados Unidos. Atualmente, você pode expor seu patrimônio a diversos ativos da Europa, da China e de outros importantes pólos econômicos. Desta forma, com equilíbrio, a sua carteira ficará protegida de movimentos locais do Brasil, mas sem ignorar o bom potencial que eles oferecem para quem tem paciência.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

Inscreva-se em nossa newsletter