O que é o Viés Pró-Escolha?

Viés Pró-Escolha (ou Choice-Supportive Bias, conforme o termo original em Inglês) é o nome dado a um tipo específico de viés cognitivo.

Por definição, o Viés Pró-Escolha determina que todos os seres humanos possuem a tendência mental de, ao analisar uma decisão tomada no passado, atribuir ao processo de escolha mais racionalidade do que ele verdadeiramente possui.

Uma das formas mais comuns de "encontrar o viés pró-escolha em seu habitat natural" é observar uma discussão entre duas pessoas defendendo as suas paixões. Elas podem discutir qual é o seu time de futebol do coração, por exemplo, e explicarem o porquê de terem escolhido o melhor time para torcer.

Para tanto, elas se valem de toda sorte de campeonatos conquistados, jogadores de destaque e resultados em jogos marcantes. O que nenhuma das duas vai admitir, nós sabemos, é que o principal (se não o único) motivo para torcerem para esse time em virtude dos demais é o fator emocional.

Pode ser que até fosse o time do coração também da sua mãe, do seu tio, da sua avó. Ou você cresceu em uma fase em que o desempenho do clube foi excepcional, por um ou mais anos. Sem falar naqueles que assistiram a uma partida e já se apaixonaram. Acontece.

O que o viés pró-escolha faz é com que racionalizemos esse processo. Nossas emoções não são bons argumentos, certo? Assim, precisamos provar quase que cientificamente que estamos certos - porque, de acordo com o viés de desejabilidade social, estar certo é vital para sobreviver.


Como o Viés Pró-Escolha funciona?

Por que você escolheu ferramenta x ao invés da ferramenta y nesse projeto?", o seu chefe te pergunta.

Não precisamos lembrar que responder com um "porque eu quis" tende a ser visto como muito rude. Logo, assim como no exemplo anterior, começamos a racionalizar para apresentar uma resposta fundamentada e minimamente admirável quando algo do tipo nos é questionado.

Mas o que acontece quando somos nós mesmos quem nos fazemos essa pergunta? Nenhuma voz interna vai nos chamar de mal-educados, então por que não conseguimos assumir a base emocional de uma escolha?

Boa parte da resposta está na chamada dissonância cognitiva. Ela dita que, quando há uma inconsistência entre o que acreditamos, o que sabemos e o que fazemos, entramos em um processo de sofrimento. Para repará-lo, a mente cria uma história de modo a justificar suas atitudes.

É o que acontece em vieses como o viés do ator-observador, por exemplo, e a heurística do afeto.

Como somos condicionados a acreditar que justificativas emocionais não são suficientes e que pessoas inteligentes são racionais, nos justificarmos emocionalmente causa uma dissonância cognitiva.

"Eu sou inteligente. Eu preciso ser inteligente. Como assim eu tomei uma decisão por motivos emocionais? Não, não e não. A minha decisão foi a melhor racionalmente por motivo x, y e z".

Não precisa ser verdade, entende? Precisa parecer verdade - e já será suficiente para aliviar o nosso sofrimento.

Processos semelhantes ligados à autoimagem e os vieses cognitivos podem ser percebidos no efeito wobegon e no viés de autoconveniência.

Como o Viés Pró-Escolha interfere na sua vida financeira?

Já citamos tantos outros vieses (importantíssimos!) neste artigo, mas precisamos citar mais um. Simplesmente porque ele é a forma mais simples e clara do viés pró-escolha arruinar as finanças.

Prazer, Racionalização Pós-Compra.

Graças a ele, "tentamos usar de argumentos aparentemente racionais para justificar a compra desnecessária e irracional de um bem". Ou seja, usamos o viés pró-escolha como ferramenta para endossar o porquê de comprarmos coisas que não precisamos.

É o caso daquela "blusinha" nova (que vai fazer companhia para mais 10 no seu guarda-roupa), daquele lanche irresistível no fast food (mesmo quando o seu orçamento de lazer já estava estourado) e daquele celular novo (porque o seu anterior, comprado ano passado, já estava bem velhinho, poxa).

Basicamente, com a dupla Viés Pró-Escolha e Racionalização Pós-Compra acobertamos a nós mesmos. Nunca assumimos a responsabilidade (nem a causa real) por nossas ações.

Em pouco tempo, somos nocauteados por elas (e pelas dívidas) de tal forma, que até nos perguntamos: será que não valia mais a pena continuar usando-lhe apenas nas discussões de futebol?

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