O que é Flash Crash?

Um flash crash é um evento que acontece nos mercados de títulos em que a retirada de ordens de ações amplia — considerável e rapidamente — as quedas de preços. O resultado desse fenômeno é uma rápida liquidação de títulos que pode acontecer até em questão de poucos minutos, causando quedas drásticas.

Uma queda repentina nos valores é intensificada à medida em que programas de trading reagem a situações inusitadas no mercado — como vendas intensas de um ou mais títulos — e, automaticamente, começam a vender grandes volumes em um ritmo extremamente acelerado com o intuito de evitar perdas.

Os flash crashes podem disparar os circuit breakers nas principais bolsas de valores, como a NYSE, que interrompem as negociações imediatamente. Nesses casos, elas só são retomadas quando as ordens de compra e venda consigam ser combinadas uniformemente e as negociações tenham condições de serem retomadas de uma maneira ordenada.

Descomplicando a Bolsa de Valores

Como aconteceu o Flash Crash em 2010?

O flash crash de 2010 foi, até então, o mais noticiado. Aconteceu em 06 de maio daquele ano e começou quando o índice Dow Jones caiu mais de mil pontos no período de 10 minutos — a maior queda da história até aquele momento. A conta desse evento resultou em mais de US$ 1 trilhão em patrimônio evaporado, embora o mercado tenha conseguido recuperar 70% desse valor até o fim do mesmo dia.

Alguns relatórios iniciais que alegavam que o crash foi causado por um pedido incorreto provaram ser errôneos algum tempo mais tarde. As reais causas foram atribuídas a um operador localizado no subúrbio de Londres. O homem se declarou culpado e confessou que tentou enganar o mercado comprando e vendendo rapidamente centenas de contratos de uma empresa por meio da Chicago Mercantile Exchange (CME). Após confessar o crime, foi sentenciado à prisão domiciliar.

Quais são os eventos de Flash Crash mais recentes?

Depois do incidente em 2010, houveram algumas outras ocorrências de flash crash. Nelas, o volume de pedidos gerados pelos computadores ultrapassou a capacidade das trocas de manterem o fluxo de pedidos adequados.

A primeira delas aconteceu em 18 de maio de 2012 com o IPO (Internal Public Offering - Oferta Pública Inicial, em Português) do Facebook. Embora não tenha sido um flash crash por si só, as ações da empresa foram retidas por mais de 30 minutos porque uma falha impediu que a Nasdaq precificasse as ações com precisão. Essa parada causou um prejuízo de US$ 460 milhões.

O segundo caso aconteceu em 22 de agosto de 2013 quando as negociações foram interrompidas na Nasdaq por mais de 3 horas. Isso aconteceu porque os computadores da NYSE não conseguiram processar as informações de preços em questão.           

Como um Flash Crash pode ser prevenido?

Ao passo em que as negociações de títulos se tornaram mais computadorizadas e impulsionadas por algoritmos em redes globais cada vez mais complicados, a propensão para erros, falhas e até mesmo flash crashes aumentou consideravelmente. Por esse motivo, bolsas globais como o CME, Nasdaq e a NYSE implementaram alguns mecanismos de segurança mais fortes para que seja possível evita-los.

Um bom exemplo dessas medidas é a implantação de circuit breakers que acionam uma pausa ou uma parada completa nas atividades de negociação. Nela, uma queda equivalente a 7% ou 13% no índice de um mercado em relação ao fechamento anterior interrompe todas as atividades de negociação por um período de 15 minutos. Já uma queda de 20% ou mais interrompe as negociações pelo resto do dia.

A SEC (Security and Exchange Comission - a Comissão de Títulos e Câmbio dos EUA) também precisou proibir o acesso simples ou as conexões diretas às bolsas. Isso porque as firmas de negociação de alta frequência acusadas de precipitar os efeitos do flash crash costumavam usar o código da sua corretora para ter acesso direto a qualquer bolsa. Pode ser que essas medidas não eliminem completamente os flash crashes, mas são capazes de minimizar os danos que eles podem causar.

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