Última modificação em 11 de novembro de 2019

O que é a falácia do apostador?

Falácia do apostador é o nome dado a um viés cognitivo, segundo o qual os seres humanos tendem a acreditar que, se algo aconteceu com frequência no passado e no presente, ele influencia positiva ou negativamente a probabilidade que ele tem de acontecer no futuro. 

Relendo com cuidado essa afirmação (frequência no passado e presente = frequência no futuro), podemos encontrar dificuldade em encontrar o pensamento falacioso aqui vigente. 

Em outras palavras, ela faz tanto sentido que não encontramos o erro ao refletirmos sobre a questão, muito menos ao tomarmos decisões baseadas nela. 

Pense bem: se o sol nasceu ontem e nasceu hoje, esperamos que ele nasça amanhã. E ele sempre nasce outra vez (ainda bem!). Logo, a relação entre o histórico e a expectativa é coerente... Pelo menos nesse caso.

A nossa dificuldade (e todos os nossos problemas relacionados) nasce ao aplicar o mesmo sistema em eventos que não seguem a mesma regra. Isto é, em eventos que são independentes e cuja ocorrência individual não interfere uns nos outros. 

Por exemplo, imagine um apostador que, em um jogo de cara ou coroa, apostou em cara. Na primeira vez, cai em cara e ele reforça a aposta - sendo logo influenciado pelo viés da mão quente. Na décima vez, por outro lado, ele entende que já caiu em cara vezes demais e que é pouco provável que o mesmo se repita. 

Contudo, a probabilidade de 50% sempre se mantém. Ou seja, não importa o resultado anterior, as chances de cair em cara na vez seguinte ainda é de 50% - as fadas da aposta não as mudam, acredite. 


Como a falácia do apostador se relaciona com outros vieses cognitivos?

Se esse é um termo novo para você, saiba que os vieses cognitivos são um conjunto de erros lógicos cometidos pelo cérebro humano, oriundos de uma falha no processamento de informações do mundo ao seu redor.

Existem centenas de vieses cognitivos (e a cada dia esse número cresce): viés de resultado, heurística da ancoragem, efeito avestruz, ilusão monetária... 

Como podemos perceber, nem sempre o termo "viés" aparece obrigatoriamente em seu nome. Mesmo assim, a falácia do apostador faz parte desse grupo.

E uma das principais características dele é que os vieses não acontecem isoladamente. Um não precisa ser "desligado" para o outro entrar em ação. Pelo contrário, eles se retroalimentam, de modo que a ação de um pode ser gatilho para a ação de outro e reforçá-lo.

No caso da falácia do apostador, os principais vieses com os quais eles se relacionam são o viés da mão quente (como já te contamos!),  a heurística da representatividade e a negligência de probabilidade.

Não podemos nos esquecer, contudo, de que outros fenômenos psicológicos podem inferir nela, como seres complexos que somos.

Como a falácia do apostador interfere nas suas finanças?

Se você acredita que a falácia do apostador afeta apenas o capital dos apostadores, está muito enganado.

Na verdade, ela tem influência principalmente sobre os investidores do mercado de ações

Ao se depararem com uma série de valorizações de um título, por exemplo, muitos investidores se sentem ansiosos para vender os seus papéis. Isso porque sentem que essa sequência revela que a desvalorização é agora mais provável - é o famoso "muito bom para ser verdade". 

E vice versa: muitos compram ações em plena queda, sem grandes análises, simplesmente pela sensação de que por conta dessa frequência de desvalorizações, elas devem se valorizar em breve. 

Olhando de fora, podemos achar um absurdo investir se guiando tanto na emoção. Mas você se lembra que te contamos como os vieses se retroalimentam? 

Sob o efeito da falácia do apostador, o indivíduo pode ser guiado pelo viés de confirmação e pela percepção seletiva a apenas perceber argumentos (pesquisas, notícias, opiniões) que confirmem a sua intuição.

E como sabemos, ela é bem confiável do que o Sol e bem mais próxima de uma moeda... Viciada, no caso. 

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