É normal buscarmos proteção. Gostamos de nos sentir seguros. Por isso existem tantos produtos relacionados a seguros: seguro de casa, seguro de vida, seguro de carro e até seguro de celular!

Isso porque não gostamos de ser pegos desprevenidos. A chance de ter que enfrentar eventos adversos nos deixa céticos.

No mercado financeiro também enfrentamos turbulência e se proteger contra isso é fundamental.

Imagine perder um carro que você nem terminou de pagar. A dor financeira e psicológica que isso causa.

No mundo dos investimentos o risco é inerente a todo processo e não é difícil acontecer de ter perdas.

Ora, no mercado financeiro também existem seguros que podem ser adquiridos.

São eles que chamamos de Hedge!

Hoje iremos falar de como “contratar” essa proteção.

Já deixo um alerta que o texto de hoje carrega um pouco mais de conteúdo técnico e talvez você precise ter um embasamento mais profundo de textos anteriores para entender bem o assunto.

Mesmo assim, se tiver qualquer dúvida no meio do caminho, pode nos chamar no chat, e-mail ou simplesmente deixar um comentário no final do texto!

Indo direto ao ponto, continue lendo para saber mais sobre:

  1. O que é Hedge de investimentos
  2. Instrumentos de Hedge
  3. Exemplo prático

O que é Hedge de investimentos

O que é Hedge

Hedge é uma palavra em inglês que quer dizer algo como cerca ou barreira. No mercado financeiro, significa proteção.

Essa proteção é contra o chamado Risco Não Sistêmico, ou seja, aquele que não afeta todo o mercado e ela consiste simplesmente em reduzir eventuais perdas que você possa ter em seus investimentos caso algo fuja do planejado.

O hedge não precisa ser necessariamente feito pelo mercado de derivativos e pode ser feito também adquirindo ativos que são relacionados de forma inversa entre si. No entanto, os derivativos costumam ser largamente usados para hedge e por isso explicarei brevemente sobre esse mercado a seguir.

Derivativos são contratos que têm um ativo principal. Ou seja, um contrato que depende seu preço de um outro.

Por exemplo, existe um derivativo de taxa de juros que é o contrato de DI futuro. Esse contrato estabelece quanto será a taxa de juros no futuro (geralmente em alguns meses ou anos).

No fundo, trata-se de uma aposta (apesar de suas oscilações serem bem embasadas) de que no futuro da taxa de juros irá convergir para aquele valor acordado no contrato de hedge. A oscilação do valor do contrato se dá conforme vão mudando as perspectivas para a taxa de juros ao longo do tempo.

No fim do contrato, é aferido o valor real da taxa de juros e o valor acordado. As diferenças entre eles são liquidadas conforme a aposta (caso a taxa efetiva seja maior do que o valor acordado, o vendedor paga a diferença, e vice-versa).

O que o Hedge faz, dessa forma, é utilizar de outros contratos para se proteger de oscilações de preço no investimento original.

A forma mais simples que eu penso em hedge são produtores da economia real que precisam vender produtos futuramente e logo querem se proteger contra oscilações de preço.

Por exemplo, imagine um produtor de cana de açúcar. A cana, como qualquer produto agrícola precisa ser plantada, colhida, ensacada e depois vendida. Ou seja, existe um tempo entre o momento que se decide plantar e o momento da venda.

Como a cana é um produto largamente exportado, a taxa de câmbio influencia muito a receita do agricultor.

Imagine que foi produzida 100 sacas de cana e a saca seja exportada por US$ 2/saca. Imagine ainda que a taxa de câmbio seja de /R$/US$ 4,00.
A receita do agricultor seria de US$ 200,00, o que traduzindo para reais (o que importa, já que ele está no Brasil) daria R$ 800,00.

Agora imagine que a taxa de câmbio sofra uma apreciação e vá para R$ 3,00/US$. Agora a receita do produtor será de apenas R$ 600,00.

Perceba o quanto é importante a taxa de câmbio para ele. Ele precisa de alguma forma se proteger dessas oscilações.

Isso pode ser feito através do hedge cambial. Com esse mecanismo, esse agricultor consegue “travar” uma taxa de câmbio a que será vendida sua produção. Isso dá mais previsibilidade de receita para ele.

Essa “trava” da taxa de cambio é feita por, por exemplo, contratos futuros ou de opções, como veremos a seguir.

Como todo seguro, o Hedge também é pago. Dessa forma, ao se fazer um hedge, você abre mão de todo ganho possível mas está protegido.

Usei esse exemplo simples mas o hedge é largamente utilizado para qualquer investidor.

Para conhecer mais estratégias como o Hedge e ter investimentos ainda mais sofisticados, se inscreva abaixo e fique por dentro de todas as novidades do Mais Retorno:

Instrumentos de Hedge

O que é Hedge

Vamos ver os instrumentos pelos quais o Hedge pode ser feito e depois ver alguns exemplos.

Contratos Futuros

O contrato futuro é uma forma mais direta de proteção.

Simplesmente é acordado um valor entre o vendedor e o comprador do ativo que será válido no vencimento do contrato. Se o preço do ativo subir além daquele valor, o comprador ganha no vencimento, caso contrário, o vendedor é quem ganha.

Perceba que o hedge é feito na medida que se “trava” o preço daquilo que está sendo negociado (taxa de juros, cambio, preço de uma ação) no momento do acordo, do negócio.

Portanto o hedge é feito quando você, obviamente, vai negociar o preço futuro em patamar que aceitar e achar razoável. Caso evolua de forma ainda mais favorável, você não receberá o valor além daquele preço negociado. Porém, caso a evolução seja desfavorável, você também não terá que pagar além do hedge fixado.

Opções

O contrato de opção, como o nome sugere, te dá a opção, o direito (e não obrigação) de comprar ou vender um determinado ativo (ação, câmbio, taxa de juros, enfim, qualquer título).

Essa é a forma mais conhecida de fazer Hedge.

Voltando ao exemplo do agricultor, ele pode adquirir uma opção de vender sua produção à taxa de câmbio de R$/US$ 4,00. Se a taxa for para R$/US$ 3,00, como no exemplo, basta ele executar a opção e angariar a receita com a primeira taxa de câmbio.

Caso o câmbio se desvalorize ainda mais (lembre-se, desvalorização cambial é bom para o exportador), ele nada faz (tem o direto e não obrigação) e vende ao câmbio vigente.

Swap

O Swap significa “troca” e no nosso caso essa troca é de um ativo por outro. Isso é feito como forma de trocar o risco dos investimentos.

Esse mercado só é possível pois os riscos e percepção de ativos são diferentes de agente para agente.

Por exemplo, imagine que duas partes façam uma operação de swap de Ibovespa por dólar, isto é, um agente troca o rendimento que o Ibovespa terá no futuro pelo rendimento que o dólar dará e vice-versa.

No vencimento do contrato se, por exemplo, a valorização do dólar for inferior à do Ibovespa, o agente que “swapou” (que trocou o rendimento do dólar pelo do Ibovespa) receberá a diferença entre essas duas variações.

O Hedge é feito na medida que existe uma contraparte que assume o risco da operação.

Por exemplo, se uma empresa possui dívidas em dólares, ela pode fazer uma operação de swap com um banco, que fica com o risco da desvalorização do dólar. Caso a moeda americana suba mais do que aquele valor acordado, o banco é quem terá de honrar essa alta além do fixado.

Exemplo prático de Hedge nos investimentos

Exemplo prático de Hedge

Vamos ver um exemplo prático agora de como fazer um hedge, de fato, trazendo mais para a situação de um investidor.

Suponha que um investidor adquire 100 ações da Petrobrás por R$ 10,00, esperando que ela se valorize para R$ 15,00.

Claro, isso é mercado acionário, as coisas podem não se comportar como esperamos e ação pode cair. Nesse sentido, o investidor adquire uma opção de venda a R$ 9,00 daqui a um mês. Ou seja, ele adquire o direito (não obrigação, se lembre) de vender a ação a R$ 9,00.

Passado esse primeiro mês, as coisas não evoluíram como esperado e a ação despencou para R$ 5,00. Bem, caso o investidor nada tivesse feito de hedge ele teria um prejuízo de R$ 500,00 (desembolsou R$ 1.000,00 na compra e vendeu por apenas R$ 500,00).

Mas como o investidor já havia lido o Mais Retorno, ele adquiriu a opção de venda a R$ 9,00. Com a ação a R$ 5,00, ele executa o direito que tem de vende-la a R$ 9,00 e seu prejuízo será de apenas R$ 100,00 (desembolsou R$ 1000,0 mas conseguiu vender por R$ 900,00).

Repare que sempre bati na tecla de que a opção é um direito e não uma obrigação. Isto porque caso a ação evolua favoravelmente a R$ 15,00, o investidor nada faz com sua opção e apenas vende a ação no mercado por R$ 15,00, angariando um lucro de R$ 500,00.

Obviamente, como qualquer seguro, a opção não é de graça. Ter o direito de vender a ação pelo preço de R$ 9,00 custa um valor que pode ser entendido como o preço do seguro de seu carro. E como todo seguro varia de carro para carro, o preço das opções também variam de acordo com o ativo subjacente (lembra que falei que derivativos seguiam os ativos que os originaram?).

Vamos tratar melhor do mercado de opções, muito utilizado e abordando todos seus aspectos, num futuro (sim, vale um texto só pra isso).

Conclusão

Operações de hedge fazem parte do mercado financeiro. Somo avessos ao risco por natureza e buscamos sempre proteção para o nosso dinheiro e então o hedge se faz necessário.

Como qualquer seguro, o hedge tem seus custos mas fazendo-o, é possível “travar” o preço do negócio e ter mais previsibilidade.
O ganho pode não ser o máximo, mas o prejuízo também não será o máximo ao se executar um hedge.

Existem diversos instrumentos de hedge. Tenha sempre em mente que deve se investir “hedgeando” suas aplicações mais arriscadas e escolha o melhor seguro a se ter.

Se ficou com alguma dúvida adicional ou quer contribuir mais com o assunto, comente abaixo!

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