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As empresas cujas ações são negociadas na bolsa de valores têm o dever de divulgar publicamente relatórios financeiros periódicos; entre eles, a DRE. Esses relatórios podem ser utilizados pelos investidores para selecionar quais ações vão comprar e, também, determinar quando é a hora de vender.

De fato, as informações presentes em relatórios financeiros são a base das análises financeiras e fundamentalistas, empregadas por investidores com estratégias de longo prazo.

No entanto, para utilizar corretamente essas informações, é preciso saber ler e entender os relatórios, algo que não se aprende na escola. Por isso, analisar a DRE de uma empresa na bolsa acaba sendo um desafio para muitos investidores iniciantes.

Para resolver esse problema, preparamos esse artigo. Você vai relembrar o conceito de DRE e descobrir que não é tão difícil interpretar todos aqueles números. Assim, será muito mais fácil determinar se a empresa está com boa saúde financeira e decidir se vale a pena ter essas ações na sua carteira. Então, acompanhe até o fim e aprenda como analisar a DRE!

O que é uma DRE?

Antes de mais nada, vamos ao conceito: DRE, ou Demonstração do Resultado do Exercício, é um tipo de relatório que a apresenta uma visão geral do desempenho da empresa em um certo período, a partir de suas receitas, custos, despesas operacionais e despesas não-operacionais.

Legalmente, as empresas cujas ações são negociadas na bolsa devem apresentar pelo menos uma DRE por ano, mas é comum que esse relatório seja divulgado de forma mais frequente. Afinal, ela não é útil apenas para os investidores, mas também para os próprios gestores, que usam suas informações para tomar decisões sobre o negócio.


Como é a estrutura de uma DRE?

Para analisar uma Demonstração do Resultado do Exercício, você precisa conhecer sua estrutura. Toda DRE segue uma estrutura padrão, e até mesmo a ordem dos itens que a compõem é sempre a mesma.

Essa é uma boa notícia, pois, se você consegue ler e entender uma DRE, vai conseguir ler e entender todas.

A estrutura de uma DRE é a seguinte:

Você deve ter observado que, exceto pela primeira linha dessa lista, todas as demais têm um sinal na frente.

Quando esse sinal é (-) ou (+), significa que o valor da linha será subtraído ou adicionado ao valor da linha anterior. Quando o sinal é (=), significa que o valor da linha é o resultado da subtração ou adição.

Assim, por exemplo, o lucro operacional é o resultado obtido após subtrair as despesas operacionais do lucro bruto.

Esses sinais foram colocados aqui apenas para que você aprenda como a estrutura da DRE funciona; eles não vão, necessariamente, estar presentes em uma DRE verdadeira.

Quando você estiver analisando uma Demostração do Resultado do Exercício, vai notar que ela traz o valor total de cada elemento, mas também discrimina os valores específicos que o compõem. Por isso, uma DRE verdadeira terá muito mais linhas. Porém, isso é bom: quanto mais detalhes, mais informação você terá para avaliar a saúde financeira da empresa.

Outro detalhe importante que pode ajudar a ler e entender uma DRE é que, em relatórios financeiros, muitas empresas indicam que um número é negativo por meio de parênteses.

Assim, por exemplo, se o resultado do exercício for lucro de R$ 1 milhão, ele vai estar representado como R$ 1.000.000,00. Enquanto isso, se for prejuízo de R$ 1 milhão, ele pode estar representado como (R$ 1.000.000,00).

Uma outra forma de entender ainda mais sobre este tema é através do nosso vídeo exclusivo no youtube, clique aqui para assistir:

O que os elementos da DRE representam?

Você já sabe qual é a estrutura de uma DRE: os elementos que a compõem e a ordem em que eles aparecem. Agora, vamos entender o que cada um deles representa.

O primeiro é a Receita Operacional Bruta, ou apenas Receita Bruta. Ela representa o quanto a empresa faturou com venda de mercadorias ou prestação de serviços.

Deduções representa o valor das devoluções, bem como o recolhimento de impostos sobre o valor das mercadorias vendidas e serviços prestados como o PIS, COFINS, IPI e ICMS.

Receita Operacional Líquida, então, é a receita bruta menos as deduções.

Depois, temos o CMV - Custo das Mercadorias Vendidas. Ele representa o quanto a empresa gastou para produzir as mercadorias que ela vendeu ou para executar os serviços que prestou.

No entanto, aqui só entram os gastos diretamente ligados com a produção de mercadorias e a execução dos serviços. Por exemplo, o salário de um funcionário que trabalha no "chão de fábrica" entra no valor do CMV, mas o salário de um funcionário do marketing, não.

Lucro Bruto, então, é a receita operacional líquida menos o CMV.

Em seguida, temos as despesas operacionais. Elas representam o valor que a empresa gasta com suas atividades em geral, que não são as atividades de produção de mercadorias e execução de serviços, mas também são necessárias para que ela possa funcionar.

Por exemplo, o gasto com aquele salário do funcionário de marketing entra no valor das despesas operacionais, assim como a compra de papel para as impressoras e o coffee break da empresa.

Lucro Operacional, então, é o lucro bruto menos as despesas operacionais.

O próximo item são as despesas não operacionais. Ela inclui gastos que não estão ligados de forma nenhuma com o funcionamento da empresa. Em geral, são gastos puramente financeiros, como o pagamento de juros sobre empréstimos.

Depois, temos as receitas não operacionais. A lógica é a mesma das despesas não operacionais: não estão ligadas ao funcionamento da empresa e, em geral, são puramente financeiras. Um exemplo seria o rendimento obtido sobre títulos de dívida que a empresa adquiriu com seus recursos (aplicações financeiras).

LAIR - Lucro Antes de IR e CS, então, é o lucro operacional, menos as despesas não operacionais, mais as receitas operacionais.

Chegamos ao penúltimo elemento, que não requer muita explicação: Imposto de Renda e Contribuição Social, dois tributos que a empresa deve recolher (IRPJ e CSLL).

Finalmente, o Resultado do Exercício, que pode ser Lucro Líquido ou Prejuízo Líquido, é o LAIR menos o IR e a CS.

Analisando uma DRE

Para encerrar esse artigo, que tal um exercício? Veja um exemplo hipotético de DRE:

Nessa DRE simplificada, você consegue observar, por exemplo, que a empresa gasta quase 50% do seu faturamento com vendas (a receita operacional bruta) em despesas operacionais, aquelas que não estão diretamente ligadas com a produção de mercadorias ou a prestação de serviços.

Naturalmente, seria preciso ter mais informações para fazer uma análise bem precisa, mas uma hipótese possível é que essa empresa tem uma estrutura muito inflada, com muitos funcionários, o que aumenta os gastos ligados às áreas administrativas.

Para um investidor, é interessante procurar empresas que têm estruturas enxutas, porque isso as torna mais lucrativas e, portanto, gera mais retorno sobre o investimento. Logo, a princípio, essa DRE mostra que, apesar da empresa gerar lucro, ela não é a melhor escolha para compor sua carteira de ações.

Esse é um tipo de análise da qual chamamos de "vertical", ou seja, você consegue tirar conclusões sobre os números da empresa comparando as linhas de cada conta em um mesmo período.

Mas outras análise tão importante quanto, é a que chamamos de "horizontal". Nesse caso, é importantíssimo que o investidor se atente a evolução de cada uma dessas linhas ao longo do tempo. Ou seja, essa análise vai te responder perguntas como: "será que o lucro dessa empresa vem crescendo a cada trimestre ou ano?" ou "como estão evoluindo as receitas e despesas dessa empresa com o passar do tempo?".

Através dessas informações, você conseguirá ter uma noção muito boa sobre o desempenho dos resultados da empresa tanto no presente, como a sua evolução no tempo. Dessa forma, ao comparar com suas concorrentes no mercado, você estará muito mais preparado para se decidir sobre qual ação de cada empresa pode estar mais interessante e ter maior potencial no momento.

Antes de encerrar esse texto, recomendo que leia também outro material muito bom que já publicamos aqui na Mais Retorno sobre análise horizontal e vertical e que complementa este aqui!

Agora, você já sabe o básico para analisar a DRE de uma empresa na bolsa. Que tal dar o próximo passo? Aprenda a investir na bolsa de valores de forma simples e prática, mesmo sem nunca ter investido um único real, com o curso Descomplicando a Bolsa de Valores!

Mestre em Ciências Contábeis e profissional do mercado financeiro há mais de 20 anos se especializando em investimentos. Tem como sonho levar de forma simples e dinâmica a informação sobre o mercado financeiro para todos os brasileiros. Autor do livro "Indicadores no mercado financeiro", apresentador do RetornoCast, metido a youtuber e sócio da Mais Retorno.


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