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Finanças Pessoais

Veja os prós e contras do RendaA+, novo título do Tesouro para aposentadoria

Título começa a ser vendido pelo site do Tesouro Direto a partir do dia 30 de janeiro

Data de publicação:24/01/2023 às 06:00 -
Atualizado 4 dias atrás
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O Tesouro Nacional passa a oferecer, a partir de 30 de janeiro, um título para os investidores que pretendem juntar reserva de emergência para financiar a aposentadoria complementar, o Tesouro RendA+.

Especialistas apontam vantagens e desvantagens para o novo produto, com um spoiler: o novo título é visto mais como positivo para a acumulação de valores para renda futura.

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Novo título visa a acumulação de valores para renda futura - FOTO: Agência Brasil

Título poderá ser comprado via PIX

Lançado no fim de dezembro, um dos pontos positivos do Tesouro RendA+, de acordo com especialistas, é a facilidade com que o investidor terá acesso a ele.

O título poderá ser comprado na plataforma do Tesouro Direto, com baixo custo, ou até sem nenhum, se comparado com um fundo de previdência privada ofertado no mercado.

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Valor inicial de aplicação gira em torno de R$ 30, podendo ser via PIX - FOTO: Agência Brasil

O valor inicial de aplicação gira em torno de R$ 30, podendo ser via PIX, e a ideia é que o investidor junte valores com depósitos ao longo do tempo que garantam um benefício mensal no fim do período de acumulação.

Rendimento será IPCA+

O novo título terá o rendimento atrelado à inflação pelo IPCA, como correção monetária, mais juro real de aproximadamente 6% ao ano, de acordo com o simulador do Portal do Investidor.

Prazos: de 2030 a 2065

Na largada, serão oferecidos produtos com oito opções de datas de conversão, que correspondem ao momento que o investidor passa a receber a renda que acumulou: 2030, 2035, 2040, 2045, 2050, 2055, 2060 e 2065.

“É a data que o investidor pode escolher para se aposentar ou passar a receber a renda mensal”, afirma Bruna Centeno, especialista em renda fixa da Blue3.

Resgate será mensal, por 20 anos

O valor acumulado não poderá ser resgatado de uma só vez, como ocorre com outros títulos comprados na plataforma do Tesouro Direto.

A liberação do benefício, a partir da aposentadoria, será mensal, feita ao longo de 240 meses. O investidor receberá durante 20 anos a renda mensal sobre o valor que acumulou.

Elton Souza, sócio da Matriz Capital, diz que “o novo produto nasce com um propósito de acumulação de capital para geração de renda por tempo determinado”.  

Diferentemente dos demais papeis que pagam integralmente o capital no vencimento, o investidor do RendA+ tem a opção de recebê-lo na forma de renda mensal por período de 20 anos.

Foco será nos microempreendedores

O novo produto de geração extra de renda para a aposentadoria tem como público-alvo trabalhadores com renda entre três e cinco salários mínimos. Principalmente os autônomos, como os microempreendedores individuais (MEIs).

O processo de aplicação é simples, dispensa intermediários. Ela pode ser feita diretamente pelo interessado. O potencial estimado de investidores na nova modalidade é de 3 milhões de pessoas.

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Potencial estimado de investidores na nova modalidade é de 3 milhões de pessoas, maior parte de MEIs - FOTO: Divulgação

A aplicação pode ser feita diretamente pelo interessado, mediante um cadastro simplificado no Portal do Investidor, aqui.

Custo baixo

Um dos maiores atrativos, na opinião de especialistas, é o custo do investimento, bastante baixo. Ou até inexistente.

Sem taxa de custódia até seis salários

Outro é que, se optar por receber o capital em forma de renda, após o prazo estabelecido, o investidor não paga a taxa de custódia da B3, desde que o rendimento mensal não passe de seis salários mínimos (atualmente R$ 7.272). Quem receber mais que isso pagará uma taxa de 0,1% sobre o que ultrapassar esse valor.

Não pode vender antes de 60 dias

Outra diferença em relação aos demais títulos do Tesouro Direto é que o investidor não poderá vender o RendA+ nos primeiros 60 dias, contados da data de sua compra, explica Souza, da Matriz Capital.

Taxas decrescentes

O investidor que antecipar a venda pagará taxas decrescentes, de acordo com o tempo que ficar com o papel.

Quem permanecer com o título até dez anos, pagará uma taxa de 0,5%  sobre o valor de resgate. Entre dez e 20 anos, a taxa recua para 0,2%. Acima de 20 anos até o limite do vencimento, cai para 0,1%.

Especialistas consideram esses custos mais que competitivos em relação aos cobrados em produtos ou planos semelhantes no mercado. Algumas seguradoras cobram em um plano de previdência taxa de administração entre 1% e 2% por ano.

IR é similar à renda fixa

O investidor do Tesouro RendA+ vai pagar imposto de renda pelas alíquotas em vigor nos investimentos de renda fixa. Quem resgatar em até 180 dias será tributado pela alíquota de 22,5%; entre 181 e 360 dias, de 20%; entre 361 e 720 dias, 17,5%; e em prazo acima de 720 dias, 15%.

Elton Souza, sócio da Matriz Capital, diz que o RendA+é indicado para quem planeja ter uma renda adicional ao benefício da Previdência Social e manter uma renda complementar pelo prazo de 20 anos.

Não vale para reserva de emergência

Por ser um processo de formação de poupança, “não é aconselhável para investidores que têm intenção de usar o recurso no curto prazo, pois perderão a isenção da cobrança da taxa de custódia”.

Como opção ainda para a formação de renda futura, Souza cita a previdência privada, “com estrutura semelhante à ofertada pelo RendA+”,  e a acumulação de reserva pela compra de títulos privados.

São papeis que em geral oferecem taxas de rendimento superiores às do Tesouro Direto e alguns isentos de imposto de renda, como os CRAs e os CRIs. “Uma gestão eficiente pode trazer uma diferença significativa em uma carteira bem gerida.”

 

Sobre o autor
Renato Jakitas
Editor-chefe do Portal Mais Retorno.

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