Economia

Pix faz sucesso e número de usuários mais que dobrou em 6 meses, mostra Febraban

Pix vem se tornando a forma de pagamentos favorita dos brasileiros com um crescimento acentuado

Data de publicação:25/06/2021 às 08:00 - Atualizado 5 meses atrás
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Em novembro de 2020, o Banco Central (BC) lançou o Pix, Sistema de Pagamentos Instantâneos Brasileiro. De lá até maio de 2021, o número de pessoas cadastradas nesse sistema mais que dobrou, saltando de 41,2 milhões para 93,6 milhões. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2021, divulgada nesta quinta-feira, 24, pela Federação Brasileira de Bancos, a taxa média de crescimento mensal do número de usuários do Pix é de 18%.

Um número bastante significativo que não passa desapercebido pelos bancos tradicionais, já que sinaliza uma relevante mudança no comportamento dos clientes e traz redução de suas receitas com TED e DOC.

pix
Número médio de chaves por usuários no Pix foi de 2,3 em novembro de 2020 para 2,7 em maio de 2021

Com as medidas de restrição para a circulação causadas pela pandemia de covid-19, muitas pessoas tiveram de se adaptar ao mundo digital dos bancos. A pesquisa da Febraban mostra que, pela primeira vez, em 2020 mais da metade das transações bancárias, 51%, foi feita através do mobile banking. Outros 16% de todas as 103,5 bilhões de transações realizadas no último ano foram por internet banking.

Nesse contexto foi lançado o Pix, que vem ganhando cada vez mais espaço, principalmente entre os usuários pessoa física. Enquanto em novembro de 2020 o sistema correspondia a 7% das transações bancárias, em maio essa participação já estava em 30%. Ao mesmo tempo, as formas mais tradicionais de transferência, por TED ou DOC, caíram de 25% do total de transações em novembro para 19% em maio.

De acordo com os especialistas ouvidos pelo levantamento da Febraban, a popularidade do Pix pode ser justificada pela facilidade e velocidade que oferece aos usuários. Diferente de TED e DOC, o Pix funciona 24 horas por dia e todos os dias da semana, de forma instantânea. É um sistema que oferece simplicidade, transparência e segurança. Além disso, não há cobrança de taxa para transferência entre usuários pessoa física, desde que não haja uma operação comercial por trás.

“Além de trazer concorrência e inovação, o Pix, combinado à pandemia, vai aumentar o nível de bancarização digital. Identificamos clientes que não faziam TED ou pagamento online, apenas saque, passando a fazer Pix.”

Líder de tecnologia de instituição financeira para a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2021

Também vem perdendo espaço para o Pix os pagamentos por POS (as maquininhas de cartão). Embora ainda correspondam à maior parte das formas de transação, 51% em maio, esse número já caiu consideravelmente em seis meses. Em novembro do ano passado, a participação das POS era bem mais alta, de 68%.

Segundo a Febraban, as transações realizadas via Pix por usuários Pessoa Jurídica (PJ) também aumentaram, mas não na mesma proporção das Pessoas Físicas. As movimentações financeiras das empresas foram feitas 50% por Pix e 50% por TED ou DOC, em março de 2021.

Pix e os bancos

Analistas financeiros da XP Investimentos também ressaltam a expansão expressiva do Pix: "Não é novidade que o uso do Pix em transações mudaria o mercado, mas o ritmo que tem conseguido manter é excelente". De fato, o número de transações com o Pix já supera do de TED e de boletos de pagamento, no entanto, eles destacam que a TED ainda lidera em volume transacionado, pelos dados do próprio Banco Central.

Esse novo cenário, na opinião dos analistas da XP, com maior aceitação e forte crescimento do Pix, tem um impacto negativo para os bancos em geral, já que costumavam cobrar até R$ 10 por transferência, dependendo do cliente. Eles afirmam, no entanto, que as fintechs, como Banco Inter e Nubank, já não cobravam ou cobravam uma taxa muito mais baixa em relação aos grandes bancos. E como os custos de transação do Pix são menores, as fintechs acabam sendo favorecidas nessa transição para o novo sistema, sem redução ou redução mínima de receitas.

Sobre o autor
Bruna Miato
Bruna MiatoRepórter na Mais Retorno