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A Vale informou nesta quinta-feira, 9, a atualização de alguns valores de desembolso de caixa previstos para 2021. O capex (investimento e gasto de capital) está previsto em US$ 5,4 bilhões. No Vale Day, realizado em dezembro do ano passado, o guidance era de US$ 5,8 bilhões.

Foto: Envato
Vale reduz guidance para capex em 2021 para US$ 5,4 bi - Foto: Reprodução

A empresa esclarece que "as projeções apresentadas envolvem fatores de mercado alheios ao controle da Vale e, dessa forma, podem sofrer novas alterações".

Os demais dados são apresentados sem comparativo com projeções anteriores e referem-se a critérios financeiros apenas - não há menção a guidance de produção, por exemplo. Conforme o quadro apresentado, as despesas com Brumadinho devem ficar entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3,2 bilhões.

As despesas financeiras líquidas deverão se situar entre US$ 800 milhões e US$ 1,1 bilhão. Já para imposto de renda e Refis, a faixa é de US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões

E a companhia informa também que a linha "outros", incluindo capital de giro, derivativos, dividendos pagos aos acionistas não controladores, Samarco e Renova e outros, ficaria entre US$ 600 milhões e US$ 900 milhões.

A companhia diz que reapresentará oportunamente o item 11 de seu Formulário de Referência.

'Minério verde'

A empresa informou também que vai investir US$ 185 milhões nos próximos dois anos para produzir um novo aglomerado de minério de ferro, chamado de "briquete verde", capaz de reduzir em 10% a emissão de gases do efeito estufa no processo de produção de aço.

A mineradora quer iniciar a produção em três plantas em 2023, com capacidade de 7 milhões de toneladas por ano. O aglomerado é feito de minério de ferro com uma solução tecnológica que inclui a areia do tratamento de rejeitos da mineração.

O novo produto torna desnecessária uma das etapas da produção do aço, a chamada sinterização. Nela, o fino de minério é aglomerado a uma temperatura de 1.300ºC, com uso intensivo de combustíveis fósseis para gerar calor. Sem a etapa, a emissão de CO2 é reduzida.

Segundo a Vale, o produto reduz ainda a emissão de particulados e de gases como dióxido de enxofre e óxido de nitrogênio, além de dispensar o uso da água na sua produção. A tecnologia levou quase 20 anos para ser desenvolvida.

Desenvolvimento e estratégia

O novo produto começou a ser desenvolvido pela Vale em 2004. Os primeiros testes industriais foram realizados em 2019, em um forno a carvão vegetal. Em 2020, foi testado em forno a coque de grande escala. Durante anos, siderúrgicas tentaram desenvolver produto semelhante, sem sucesso - o aglomerado se desintegrava no alto-forno. A Vale já patenteou a tecnologia em 47 países.

O "briquete verde" faz parte da estratégia da Vale de reduzir em 15% as suas emissões de escopo 3, relativas à cadeia de valor, até 2035.

Em números absolutos, o compromisso de redução soma 90 milhões de toneladas de carbono equivalente (MtCO2e), volume igual às emissões de energia do Chile de 2018, ano-base usado na meta de escopo 3. / com Agência Estado

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