Última modificação em 29 de março de 2021

O que é o ganho real?

Ganho real é o nome que se dá à rentabilidade obtida em determinado investimento, quando se desconta o impacto da inflação naquele período da chamada rentabilidade nominal. Esta última representa justamente o retorno bruto das aplicações, que, sem qualquer cerimônia, é praticamente "esfregado na cara" do investidor quando a oportunidade lhe é oferecida.

O grande perigo de se considerar apenas a rentabilidade nominal para decidir por esse ou aquele investimento, além de planejar cada um dos seus objetivos de curto, médio e longo prazo, é se basear em números ilusórios.

Imagine que o seu salário é de 3 mil reais. Diante desse valor, você organiza o orçamento de modo a pagar mil reais de aluguel e mil reais em outros gastos básicos (água, comida, transporte etc.), sendo que os mil restantes vão para uma espécie de reserva, já que você sonha em comprar uma televisão a vista no mês seguinte.

O que aconteceria se, no dia do recebimento, você descobrisse que só receberá como salário líquido 2 mil reais? Poxa, você não contou com isso. Agora, ou volta a morar com os seus pais ou deixa de comprar a sua televisão à vista. De qualquer forma, não receber tanto quanto você esperava foi um verdadeiro balde de água fria jogado sobre os seus planos.

Quando tratamos de ganho real, algo semelhante acontece.

Qual é a relação do cálculo de ganho real, o poder de compra e os objetivos dos investidores para o futuro?

Se o investidor aplica determinado valor hoje, calculando que receberá 1 milhão de reais ao final do período de maturação do investimento, ele não pode criar já uma lista das coisas que fará com esse milhão. Isso porque, a casa que ele tanto quer comprar que hoje custa 500 mil, em 15 anos, já custará bem mais.

O mesmo se pode dizer do carro que faz os olhos dele brilharem, da viagem dos sonhos ou mesmo de um curso de graduação.

E de quem é a culpa? Da inflação.

A inflação é como um ratinho que corrói pelas beiradas o poder de compra dos consumidores. Dizemos pela beirada porque, mesmo que alguns aumentos pontuais dos produtos nos assustem quando vamos ao supermercado, por exemplo, é apenas quando olhamos um período maior que verdadeiramente percebemos a sua ação.

Se na sua próxima ida à padaria você se lembrar que, lá no início dos anos 2000, ainda podia comprar um pãozinho com uma moeda de cinco centavos, é bem provável que dê aquele aperto no coração (e no bolso).

Agora imagine se, naquela época, você tivesse investido um valor esperando receber 500 reais hoje. Apaixonado por pão, você decide que usará esse dinheiro para comprar 10 mil pães de uma vez só.

Coitado. Não estamos julgando o seu gosto por pão, mas lamentando que você logo descobriria que só poderia comprar uma parte muito menor desses sonhados 10 mil.

Parece um exemplo bobo, mas se você acha idiota, saiba que pode estar cometendo o mesmo erro de raciocínio com outros sonhos muito mais importantes.

Imagine descobrir que o valor investido a vida inteira não será suficiente para manter o estilo de vida planejado durante a aposentadoria? Pois é, o pão é o menor dos seus problemas.

Como calcular o ganho real?

O cálculo do ganho é bem simples.

Se a rentabilidade nominal é de 10% e a inflação do período, de 5%, o ganho real é de 4,76%, visto que a fórmula utilizada é:
(1 + rentabilidade nominal) / (1 + inflação) = ganho real.

Não raro, alguns investimentos apresentam ganho real negativo, se transformando em um verdadeiro prejuízo. O exemplo mais comum disso é a poupança, que usualmente rende menos do que a inflação.

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