Renda Fixa

O site do Tesouro Direto ganhou quase 400 mil novos participantes em março deste ano. Dados do Tesouro Nacional apontam que 390.394 novos investidores se cadastraram no programa do Tesouro que possibilita a compra direta de títulos públicos pela pessoa física, elevando o número total de participantes cadastrados para 10,3 milhões no fim de março, um aumento de 57,9% em 12 meses.

A compra direta de títulos públicos pela internet, na plataforma do Tesouro Direto, oferece, além de praticidade, redução no custo, se comparado com os fundos de investimento, que cobram taxa de administração. É só abrir uma conta em corretora.

Moedas empilhadas
Títulos atrelados à inflação são os mais buscados no Tesouro Direto - Foto: Jenifer Corrêa

A despesa, em geral, se resume à taxa de custódia de 0,30%, para a guarda do papel, na forma escritural. O investidor pode escolher várias modalidades de títulos, dos prefixados aos pós-fixados, além dos com rendimento misto que mescla juro e correção monetária pela inflação.

O Tesouro IPCA é a modalidade de título mais procurada em março, com 40,7% das novas contratações em março. A demanda indica a busca do investidor por proteção contra a escalada da inflação.

Divulgada nesta terça-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês de abril com alta de 0,31%. O aumento de abril se dá ante um avanço de 0,93% em março e, em 12 meses, já é de 6,76%, superando o teto da meta estabelecido pelo Banco Central, que é de 5,25% para este ano.

O Tesouro IPCA, ofertado no programa em duas modalidades – Tesouro IPCA e Tesouro IPCA com juros semestrais -, é visto como proteção contra a inflação porque rende uma taxa de juro prefixada, que já vem embutida no título, mais correção monetária, um seguro contra a inflação, calculada pelo IPCA no período de aplicação.

Na sequência das preferências, aparece o Tesouro Selic, com 35,3% das contratações, e o Tesouro Prefixado, com 24%.

Cenário positivo em abril

Os títulos com juros prefixados ofertados no Tesouro Direto se beneficiaram, em abril, da queda dos juros futuros, movimento conhecido, no jargão do mercado, como perda de inclinação ou fechamento da curva de juros. Quando os juros de contratos para vencimento futuro recuam, os títulos já emitidos e em circulação, em poder do investidor, se valorizam, porque as taxas de juro que embutem, para os respectivos prazos de vencimento, passam a rodar acima dos juros futuros.

De acordo com os analistas da XP Investimentos, em abril foi a primeira vez no ano que todos os títulos do Tesouro Direto se valorizaram, com a perda de inclinação dos juros futuros em relação a março. A causa foi a diminuição da pressão sobre os juros com a aprovação do Orçamento 2021, que reduziu as incertezas em relação ao risco fiscal, e a queda dos juros do Treasuries do Tesouro americano.

A expectativa dos analistas é que, apesar do ligeiro alívio em abril, o risco fiscal continue a ser ainda o principal fator de oscilação dos juros. As atenções devem continuar voltadas para andamento do processo de vacinação, e sua capacidade de conter novos casos e óbitos por covid-19, de modo que não venha a atrasar a reabertura da economia e consequentemente aprofundar o risco fiscal.

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Editor-chefe do Portal Mais Retorno.

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