Mercado Financeiro

Você sabia que a prática de investir dinheiro vem de muitos séculos atrás e que, de acordo com os historiadores, já havia, desde aquela época, mulheres tendo destaque nesse setor?

Pois é:  o nome de Eufrásia Teixeira Leite é o mais conhecido quando se pensa em mulheres que cresceram na sociedade por causa da prática de investimentos financeiros. 

O seu sucesso em aplicações foi tanto que ela multiplicou de maneira impressionante a herança dela e de sua irmã e ainda ajudou diversas instituições de caridade. 

Porém, o que mais pesou, quando se trata de encontrar uma espécie de ensinamento na história da investidora brasileira, é como ela passou a ser muito melhor vista e mais respeitada, mesmo em uma sociedade patriarcal, por causa das suas posses. 

A partir de agora, você ficará sabendo mais da vida dessa investidora que é uma inspiração para homens e mulheres que querem multiplicar a sua renda. 

É claro que Eufrásia se tornou uma inspiração especial para as mulheres, já que ela conseguiu se tornar o que seria chamado de bilionária em uma sociedade na qual as pessoas do sexo feminino não costumavam ganhar tanto dinheiro por si próprias. 

Quem é Eufrásia Teixeira Leite?

Primeiro, vale a pena falar um pouco de aspectos mais básicos da vida de Eufrásia. Como já falado, ela ficou órfã e tinha uma irmã, chamada Bernardina. Ambas receberam uma boa herança, mas o seu valor era bem menor do que o montante no qual Eufrásia conseguiu transformá-la. 

Ela nasceu na cidade de Vassouras, localizada no Rio de Janeiro, no ano de 1850. Nos registros históricos, ela é citada como “empresária”, “investidora” e “rentista”, termos que, notoriamente, costumavam se aplicar apenas aos homens naquela sociedade. 

Vale dizer que Eufrásia também tem as suas atividades de filantropia muito reconhecidas, já que ela fazia grandes doações, sendo elas a diferentes instituições. 

Ela também morreu no Rio de Janeiro e já com idade avançada: aos 80 anos. 

A Chácara da Hera, que foi o lugar onde Eufrásia viveu durante muito tempo na cidade de Vassouras, é considerada um ponto turístico para muitos e ainda está bem conservada. 

A sua importância na sociedade, não apenas por causa dos investimentos financeiros, mas também pela forma como ela acabou se posicionando na sociedade devido ao seu talento para investir, fez com que a sua vida se tornasse três livros. 

Um deles se chama A Mulher e a Casa, do ano de 2013 e escrito por Eneida Queiroz. 

A vida da investidora, rentista e filantropa também é contada no livro Mundos de Eufrásia, de 2011, escrito por Claudia Lage. 

Até mesmo a famosa escritora Ana Maria Machado se rendeu à história de vida tão intrigante de Eufrásia e a relatou no livro Um Mapa Todo Seu, de 2015.

Vale dizer que o Museu Casa de Hera, que é um patrimônio cuidado pelo governo federal, é aberto à visitação e traz diferentes pertences da rentista, de sua irmã e do resto da família. 

História de Eufrásia Teixeira Leite

Os seus pais, que faleceram no ano de 1872, eram Ana Esméria Correia e Castro e Dr. Joaquim José Teixeira Leite. 

Assim que eles morreram, Eufrásia e sua irmã ficaram sabendo que receberiam uma herança bastante volumosa naquela época. A rentista tinha 22 anos e se dispôs, junto à sua irmã, a multiplicar aquela quantia. 

Para entender o porquê de a herança das duas ter sido tão alta (quase a mesma quantidade de riqueza que D. Pedro I tinha na época), é preciso salientar que a família paterna de Eufrásia já era de grandes posses antes de ela nascer. 

Na realidade, a sua família paterna também tinha excelentes condições financeiras porque eles se dedicavam aos negócios relacionados ao café. Naquela época, a plantação e a venda de café era um dos caminhos mais garantidos para se fazer fortuna no Brasil. 

Devido ao grande dinheiro que a sua família tinha, Eufrásia Teixeira Leite sempre foi cercada da melhor educação possível, tendo a possibilidade de fazer diversos cursos, além de contar com excelentes escolas. 

A formação de Eufrásia incluía até mesmo a fluência em Francês, o que fazia com que ela fosse considerada muito mais sofisticada. 

Uma vez que os seus pais faleceram, ela decidiu ir embora para a Europa; afinal, a cidade de Vassouras já não apresentava mais tanto glamour e, na realidade, estava indo ladeira abaixo. 

A beleza de Eufrásia Teixeira Leite também não era ignorada por ninguém e Joaquim Nabuco não conseguiu resistir a ela. Por causa disso, tiveram um relacionamento em 1873, quando estavam na mesma embarcação a caminho da Europa. 

Ambos tinham o hábito de trocar diversas cartas entre eles e uma curiosidade é que ninguém conseguiu recuperá-las. 

Há algumas especulações a respeito do que aconteceu com as cartas: para alguns historiadores, elas foram queimadas e não haveria meios de descobrir o seu conteúdo. Para outros, elas teriam sido colocadas no caixão de Eufrásia Teixeira Leite quando ela faleceu. 

Porém, ainda é possível ter acesso a um pouco da história de amor entre eles por causa do acervo da Fundação Joaquim Nabuco, que conta com materiais escritos por Eufrásia. 

Morou por um bom tempo próximo ao Arco do Triunfo, em Paris, junto à sua irmã.

Porém, mais do que os amores de Eufrásia e a sua presença na alta sociedade, muitos destacam a sua sofisticação, demonstrando visualmente toda a riqueza que ela possuía. 

As roupas usadas pela rentista brasileira eram sempre de grandes estilistas e, no seu museu encontram-se várias das peças. 

Apesar de Eufrásia Teixeira Leite ter falecido em Copacabana, a sua vontade mesmo era de continuar na França. No entanto, ela tinha problemas de saúde que tornavam uma viagem desse tipo impossível. 

Infelizmente, ela já não estava com a sua irmã no período em que morou em Copacabana por causa da sua morte.  Eufrásia foi sepultada em sua cidade natal, mas de maneira muito discreta para que as pessoas não saibam onde está o seu túmulo. 

Como Eufrásia Teixeira Leite ficou rica?

Primeiramente, Eufrásia aproveitou-se dos títulos financeiros, ou seja, dos investimentos que já foram deixados pelos seus pais como herança. 

Não se pode dizer que ela fez negócios com a escravidão porque a quantidade de escravos que ela tinha era muito limitada e não demorou muito para, após a morte dos pais, eles receberem a carta de alforria. 

Além disso, Eufrásia e a sua irmã eram proprietárias de ações do Banco do Brasil e de diferentes títulos financeiros nacionais. 

Enquanto estavam em solo brasileiro, as duas se dedicaram a cobrar dívidas e, quando acharam oportuno, venderam os títulos financeiros que tinham, decisão que foi suficiente para que elas multiplicassem de maneira impressionante a sua herança. 

Já enquanto estava na França, a rentista também continuou se dedicando aos investimentos de capital e se tornou sócia (por meio de ações) de diferentes bancos e empresas com bastante expressão naquela época.

Negócios de Eufrásia Teixeira Leite

Como se pode perceber, Eufrásia Teixeira Leite apostou em formas muito seguras de conseguir mais lucro e torna-se surpreendente a quantidade de empresas das quais ela chegou a adquirir alguma ação:

Todos os tipos de investimentos que Eufrásia fez naquela época eram de empresas que acrescentavam muito à sociedade. 

As estradas de ferro, por exemplo, eram fundamentais para que todo mundo, pessoas e produtos, pudessem se deslocar. É preciso lembrar que os trens eram a principal forma de se locomover entre diversas regiões. 

O Banco do Brasil continua sendo, até hoje, uma das empresas nas quais as pessoas mais confiam em investir. 

É possível notar a perspicácia de Eufrásia, já que ela conseguia escolher muito bem quais eram os tipos de negócios que poderiam se transformar em lucro para ela e para a sua irmã. 

Além disso, os historiadores declaram que a rentista era muito boa em administração, ou seja, ela tinha bons instintos com relação a quanto investir, quando valia a pena, em que momento era melhor fazer a venda, etc. 

A sua influência no mundo empresarial era tão intensa, coisa inusitada para uma mulher, que os registros históricos mostram que a Bolsa de Valores de Paris nunca tinha recebido nenhuma mulher ali antes de Eufrásia Teixeira Leite. 

Atualmente, Eufrásia ainda é bastante lembrada nos cursos de economia e a sua trajetória como mulher empreendedora em uma sociedade muito retrógrada é digna de ser mencionada. 

Vale sempre ressaltar que as instituições de caridade que receberam ajuda financeira de Eufrásia são numerosas e que ela abriu o espaço para que mais mulheres começassem a se interessar pelos investimentos e em criar a sua própria fortuna.

Imagem do autor

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Economia
Mercado Financeiro
Veja mais Ver mais