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Mercado Financeiro

A importância de investir pensando no longo prazo

A questão do longo prazo é relativa e depende de outras variáveis como a idade do investidor

Data de publicação:06/09/2022 às 05:00 -
Atualizado 5 meses atrás
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No mercado financeiro, muito se fala sobre a importância de investir para o longo prazo. Você mesmo já deve ter escutado um conselho similar a este.

No entanto, o que seria esse tal de "longo prazo"? Por que ele é tão relevante, a ponto de ser praticamente uma unanimidade entre os investidores bem-sucedidos?

Importância do longo prazo nos investimentos | Foto: envato.

Aqui você verá um pouco mais esse termo, além de uma visão aprofundada de uma carteira de investimentos orientada para horizontes temporais mais longos. Bem como existem razões técnicas para ter essa base na gestão do seu patrimônio.

O que é longo prazo nos investimentos?

O conceito de longo prazo é um tanto quanto discutível, afinal o tempo que você está disposto a olhar para o futuro deve ser impactado por uma série de variáveis. Uma delas é a nossa própria idade: quanto mais experientes ficamos, menos tempo temos disponível para aguardar resultados.

Um jovem de 20 anos que investe na sua aposentadoria, por exemplo, pode perfeitamente optar por uma carteira com objetivo de resultados daqui 30, 40 ou 50 anos. Esse mesmo prazo já não faz tanto sentido para alguém que tenha 70 anos, pois essa pessoa não sabe se estará viva em um plano mais extenso.

O segredo, portanto, não é chegar a um número mágico de anos, mas sim entender o conceito que existe por trás desse famoso "longo prazo". Ou seja, investir de uma forma menos ansiosa, permitindo que o tempo produza resultados poderosos dentro da sua carteira de ativos.

Neste contexto, quando falamos sobre investir para o longo prazo, evite analisar os seus resultados em um horizonte curto de seis meses, um ano ou até dois anos. A sua carteira de investimentos deve ser pautada e prazos mais longos como cinco ou dez anos, especialmente caso você possua ativos de renda variável dentro da estratégia.

Juros compostos: a 8ª maravilha para os investimentos

O grande trunfo de investir pensando no longo prazo está em um velho conhecido do mercado financeiro: os juros compostos. Em outras palavras, trata-se de aplicação de juros sobre juros. Isto é, quanto maior o tempo do investimento, maiores as aplicações de ganhos sobre montantes também cada vez mais altos.

Não por acaso, esse é justamente o segredo secular das grandes instituições financeiras. Os bancos, afinal, enriquecem e fazem fortunas aplicando juros em seus empréstimos e financiamentos. Portanto, se você busca ganhar dinheiro e crescer o seu patrimônio, essa é uma estratégia que faz bastante sentido.

E por que ela funciona tão bem? Imagine uma situação hipotética na qual você possua R$100 e invista esse dinheiro, recebendo 10% a cada ano. Passado esse período, portanto, você teria R$110, mas no segundo ano o valor subiria para R$121. Note que, sem fazer um investimento, você "ganhou" um real extra. É o efeito dos juros compostos!

Claro que, neste exemplo, como o valor é baixo e o período é curto, os resultados não são tão impactantes. No entanto, vamos conferir na sequência o efeito do longo prazo para investidores que possuem maior paciência e disciplina na sua estratégia.

Por que investir para o longo prazo?

Para que o conceito do investimento para o longo prazo (e também do efeito dos juros compostos) fique mais claro, vamos então conferir alguns exemplos. Aproveitamos ainda para analisar o impacto dos aportes mensais — e como eles são importantes para produzir resultados poderosos para o seu patrimônio.

Neste exercício, vamos trabalhar com uma rentabilidade anual de 7%. Essa é uma taxa que pode ser facilmente alcançada até mesmo utilizando a renda fixa. Ou seja, um resultado bem viável até mesmo para um portfólio bem conservador. Para perfis mais agressivos, podemos encontrar um retorno médio mais atrativo.

Longo prazo sem aportes mensais

Vamos começar considerando um cenário no qual você tenha um patrimônio de R$20.000, mas não faça qualquer aporte ao longo do tempo. No gráfico abaixo, note a evolução desse patrimônio que, após 50 anos, supera o valor de R$589 mil mesmo sem qualquer novo investimento durante esse prazo.

Situação hipotética para efeito dos juros compostos | Fonte: Mais Retorno

Neste caso, apenas deixando os juros compostos agirem, você multiplicaria o seu capital em 25 vezes. Um resultado excelente e capaz de entregar bons rendimentos para a sua aposentadoria. E o cenário pode ser ainda melhor se você tiver o hábito de investir uma parte do seu salário em todos os meses...

Longo prazo com aportes mensais

Sem alterar as condições de patrimônio inicial (R$20.000) ou rentabilidade anual (7%), considere agora que você tenha o hábito de poupar uma parcela do seu salário para investir em todos os meses uma quantia de R$300. Ou seja, aportes anuais de R$3.600. Abaixo estão os resultados dessa simulação.

Situação hipotética para efeito dos juros compostos | Fonte: Mais Retorno

Observe como uma simples quantia de R$300 pode produzir resultados astronômicos ao longo do tempo com a aplicação dos juros compostos. Em 30 anos, o seu patrimônio já atingiria o valor de R$30.000. E, nos mesmos 50 anos do exemplo anterior, o valor acumulado seria superior a dois milhões de reais. Nada mal, concorda?

O que analisar para investir pensando no longo prazo?

Como vimos nos exemplos anteriores, portanto, o efeito dos juros compostos no longo prazo é extremamente poderoso. É por isso que tanto se fala sobre a paciência e a disciplina para investir no crescimento do seu patrimônio. E os resultados podem ser ainda mais incríveis conforme você aumenta a sua rentabilidade média anual...

No entanto, para que esses resultados sejam verificados no longo prazo, é essencial que o investidor esteja atento a alguns fatores:

  • Prazo: de acordo com os objetivos financeiros, por quanto tempo esse capital pode ficar investido? Se há necessidade de resgatá-lo, é importante que esteja em ativos sem risco.
  • Perfil de investidor: pode ser tentador buscar um incremento de rentabilidade, mas isso só faz sentido se você estiver preparado para lidar com eventuais oscilações patrimoniais.
  • Risco: ainda nesse contexto de aumento de rentabilidade, não se esqueça de avaliar os riscos dos ativos e os efeitos que um erro podem ter no seu patrimônio. Isso é essencial para não se afobar na tomada de decisão ao longo dos anos.
  • Reserva financeira: por fim, certifique-se de ter uma reserva de emergência antes de começar a investir. Dessa forma, caso você precise usar o dinheiro no curto prazo, essa necessidade não vai afetar a sua estratégia de juros compostos no longo prazo.
Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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