Mercado Financeiro

O resultado do PIB do segundo trimestre que o IBGE divulga nesta quarta-feira, 1, será o foco de atenção de investidores na largada dos negócios do mercado financeiro em setembro.

A expectativa de especialistas e analistas é que o avanço do PIB no segundo trimestre perca ritmo em relação à surpreendente alta de 1,2% do primeiro trimestre, impulsionada pela perspectiva de uma retomada mais consistente da economia.

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Analistas acreditam que o crescimento do PIB deve perder o ritmo forte, por conta da crise hídrica e avanço da inflação - Foto: Envato

A expectativa de Simone Pasianotto, economista da Reag Investimentos, é uma alta residual de 0,1%. “Apesar de próximo da estabilidade, esse pode ser o quarto resultado positivo seguido, com expectativas de nova expansão neste terceiro trimestre, refletindo a continuidade do movimento de reabertura.

”A alta projetada pela Reag para o ano está em 5%. O crescimento do PIB estimado por economistas do mercado financeiro no último boletim Focus fica ligeiramente acima, em 5,22%.

As projeções para o PIB têm passado por seguidas revisões para baixo e tendem a passar por novas reestimativas, de acordo com analistas, como consequência da crise hídrica e da elevação da inflação e dos juros.

Setembro: cenário nada promissor

O cenário do novo mês parece pouco ou nada alentador ao mercado financeiro, diante da persistência das mesmas incertezas e preocupações com a crise política e fiscal que permearam os negócios ao longo de agosto.

O período fechou com o mercado de ações e de câmbio no terreno negativo: a Bolsa recuou 2,48%, segunda queda seguida, e o dólar desvalorizou-se 0,77%.

A expectativa de especialistas é que o mercado de ações, principalmente, continue reagindo, para o bem ou para o mal, a fatores pontuais do dia a dia.

No período mais recente, o Índice Bovespa (Ibovespa, o principal indicador da B3) tem estado muito sensível ao vaivém dos preços das commodities no mercado internacional, que repercute nas ações da Vale, e das empresas de setores bancário e de varejo, principalmente.

O mercado de dólar tende a permanecer encontrando suporte no clima de instabilidade política e incerteza fiscal, que persiste.

A tensão política tende a crescer com a aproximação de 7 de setembro, quando ocorrerão manifestações de apoio ao presidente Bolsonaro, em um ambiente que, para analistas, poderia redundar em confronto entre manifestantes.

Auxílio emergencial

No cenário fiscal, sem conseguir reajustar o Bolsa Família como deseja o presidente da República, Jair Bolsonaro, a equipe econômica tenta conter o movimento pela prorrogação do auxílio emergencial.

O secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal, disse que, com a queda da curva de contágios e mortes por covid-19 e a economia voltando, não faz sentido falar em novas prorrogações do benefício.

Na Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022, enviada ao Congresso Nacional, a Economia destinou R$ 34,7 bilhões ao programa social, montante que manterá o valor do Bolsa Família pago este ano para as mesmas 14,7 milhões de famílias.

Na véspera, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, admitiu a possibilidade de prorrogar o auxílio emergencial diante do impasse para aumentar o Bolsa Família e a necessidade de respeitar o teto de gastos e o pagamento de precatórios em 2022.

Pacheco se reuniu no dia anterior com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, para discutir o pagamento de precatórios (dívidas judiciais) em 2022.

As autoridades avaliam se é necessário provocar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a oferecer uma solução para o pagamento das despesas, corrigindo os valores pelo teto de gastos, o que abriria caminho para o novo programa social.

Funchal voltou a dizer que, caso a reforma do Imposto de Renda não avance, o "plano B" do governo para financiar o aumento do Bolsa Família - a ser rebatizado de Auxílio Brasil - é a redução de gastos tributários.

Até o dia 15 de setembro, o governo tem que enviar ao Congresso Nacional um plano de redução desses gastos tributários e a "economia" poderá ser utilizada para compensar o aumento do Auxílio Brasil.

Crise hídrica

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, pediu na noite da véspera que consumidores residenciais, indústrias e comércio economizem energia e água devido à crise hídrica.

Em pronunciamento oficial, ele afirmou que a condição hidroenergética do País se "agravou" nos últimos meses, pois não choveu o quanto era esperado na região Sul.

O ministro afirmou que a crise é um fenômeno natural que também ocorre, com a mesma intensidade, em outros países. No pronunciamento, porém, ele não citou a palavra "racionamento".

"Para aumentarmos nossa segurança energética e afastarmos o risco de falta de energia no horário de maior consumo, é fundamental que a Administração Pública, em todas as suas esferas, e cada cidadão-consumidor, nas residências e nos setores do comércio, de serviços e da indústria, participemos de um esforço inadiável de redução do consumo", disse.

Por conta do baixo volume nos reservatórios, o governo tem autorizado o aumento no acionamento de usinas termelétricas, até mesmo as mais caras, e a importação de energia da Argentina e Uruguai.

Segundo cálculos apresentados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), essas medidas vão custar R$ 8,6 bilhões entre setembro e novembro. Para fazer frente às despesas, o governo recomendou a criação da bandeira "escassez hídrica", com custo de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh).

O ministro disse que levará tempo para a recuperação dos níveis dos reservatórios e que, além do empenho de todos, isso também dependerá das chuvas.

‘Rachadinha’

A Justiça do Rio autorizou a quebra de sigilos bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público do Estado na investigação que apura suspeitas de ‘rachadinha’ e contratação de funcionários ‘fantasmas’ em seu gabinete na Câmara Municipal.

A medida foi autorizada pela 1ª Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado do Rio no dia 24 de maio, mas só veio a público no dia anterior. A quebra também atinge outras 26 pessoas e empresas.

NY: futuros em alta

Nos Estados Unidos, os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em alta, com os investidores apostando em uma recuperação econômica resiliente em relação a novas e possíveis variantes da covid-19.

A questão agora é se o ritmo dessa recuperação, segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, atingiu ou não seu pico, devido à perspectiva de um estímulo monetário menos expansionista e se a propagação da variante delta ou novas variantes serão mantidas sob controle das autoridades sanintárias.

Estrategista chefe de mercados da LPL Financial, Ryan Detrick destaca, em relatório enviado a clientes, que setembro é historicamente um mês de perdas para as bolsas nova-iorquinas. "Mesmo no ano passado, em meio à forte recuperação das baixas de março de 2020, vimos uma correção de quase 10% em meados de setembro", diz o analista.

Para a consultoria, com uma esperada reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) prevista, junto a contínuas preocupações pela variante delta do coronavírus e o fato de que as bolsas de Nova York não recuam de maneira sustentada há bastante tempo, "investidores devem estar atentos a alguma volatilidade sazonal".

Bolsas asiáticas fecham mistas

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta quarta-feira, após dados mostrarem que o setor manufatureiro chinês voltou a se contrair.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 1,29% em Tóquio, aos 28.451,02 pontos, enquanto o Hang Seng avançou 0,58% em Hong Kong, aos 26.028,29 pontos, e o sul-coreano Kospi se valorizou 0,24% em Seul, aos 3.207,02 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve alta de 0,65%, aos 3.567,10 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,49%, aos 2.417,89 pontos. Já em Taiwan, o Taiex registrou perda marginal de 0,09%, aos 17.473,99 pontos.

Sondagem privada mostrou que o índice de gerentes de compras (PMI) industrial chinês diminuiu de 50,3 em julho para 49,2 em agosto, ficando abaixo da marca de 50 que indica contração da atividade e atingindo o menor nível em um ano e meio.

O número desanimador vem num momento em que a região asiática lida com novos surtos ocasionais de covid-19.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho nesta quarta, embora tenha reduzido perdas após a publicação de dados de crescimento do país melhores do que o esperado. O S&P/ASX 200 caiu 0,10% em Sydney, aos 7.527,10 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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