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Inflação
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Entenda por que mesmo com queda da inflação, a sua vida pode ter ficado mais cara

Como abrange muitos itens, nem sempre a inflação oficial do País reflete o custo de vida dos consumidores; cada um tem sua inflação

Data de publicação:09/08/2022 às 05:00 -
Atualizado 4 meses atrás
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A principal pauta econômica de 2022 é uma velha conhecida do brasileiro: a inflação. Em função da injeção de liquidez realizada pelo governo durante a pandemia da covid-19, a população segue consumindo mesmo diante de um cenário adverso que, muito provavelmente, colocará o Brasil e o mundo em recessão técnica.

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Inflação "pessoal" existe, entenda os movimentos do mercado no seu bolso. |Foto: Envato

No entanto, um tema pouco explorado é a composição do IPCA, que é o principal índice inflacionário do nosso país, contempla diferentes segmentos. Ou seja, por mais que o aumento do indicador seja um ponto de atenção para o governo e o Banco Central, os impactos para a população brasileira podem variar de acordo com os próprios hábitos.

É sobre isso que vamos conversar hoje: como os efeitos da inflação podem ser distintos em cada setor da economia.

Afinal, o que é a inflação?

Vamos começar explicando que a inflação é, em resumo, a variação de preços ao longo do tempo. Quando ela é positiva — isto é, os produtos e serviços se tornam mais caros — temos a inflação. Já se o resultado é negativo, com queda de preços, então temos outro efeito que se chama deflação.

A principal maneira pela qual o nosso governo acompanha esse indicador é por meio do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Essa ferramenta funciona por meio de uma cesta com os principais produtos e serviços consumidos pelos brasileiros definida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O monitoramento dos preços é feito nas principais capitais do país.

Com essa metodologia, é possível selecionar aqueles itens que são mais consumidos pela nossa população. Além desse pacote de produtos e serviços, há também um peso de acordo com a importância no orçamento doméstico. Caso queira se aprofundar sobre o tema, você pode acessar a página oficial de inflação do Banco Central.

O IPCA não reflete a sua inflação...

O IPCA é um índice extremamente importante para que a gente possa entender a variação dos preços no Brasil. É com base nesse indicador, por exemplo, que o Banco Central toma suas decisões em relação à política monetária, aumentando ou diminuindo a taxa básica de juros de acordo com os seus objetivos de inflação.

No entanto, como vimos, o IPCA representa uma cesta de produtos e serviços que, não necessariamente, reflete a sua realidade individual. Veja os itens comuns nesse tipo de pesquisa:

  • Alimentação e bebidas
  • Artigos de casa
  • Comunicação
  • Despesas pessoais
  • Educação
  • Habitação e moradia
  • Saúde
  • Vestuário
  • Transporte

Note, portanto, que há uma boa variedade de setores que fazem a composição do índice. E nem sempre você consome os itens que possuem peso relevante dentro do IPCA. Isso quer dizer que, mais do que olhar para o resultado geral da inflação no Brasil, nós precisamos entender a nossa realidade pessoal.

A queda do IPCA em julho não deve ser tão comemorada...

Um ótimo exemplo desse cenário é o IPCA de julho. A prévia de inflação (IPCA-15) divulgada aponta para 0,13% no período — resultado bem menor do que o índice de junho, que fechou em 0,69%.

No entanto, quando olhamos para a composição da inflação nesse estudo, percebemos que há um impacto relevante da redução de custos de itens específicos como, por exemplo, gasolina e passagem aérea. Por outro lado, a alimentação seguiu em forte alta, gerando uma pressão de custos para as casas brasileiras.

A menos que você tenha um carro e precise dele com boa frequência, a queda do preço da gasolina não tem relevância para o seu orçamento. E ela impacta diretamente o IPCA de julho. O mesmo vale para passagens aéreas: poucos brasileiros têm uma frequência alta de viagens.

Já a alimentação é um item fundamental para as nossas necessidades básicas. E ela segue com uma pressão muito forte de aumento de custos, o que fatalmente levará a gastos maiores com mercados.

A inflação que importa é a da sua casa

Onde queremos chegar com esse raciocínio? É simples: a inflação que realmente importa é aquela que afeta diretamente o seu bolso.

Se na sua rotina não existem muitos gastos com gasolina e passagens aéreas, por exemplo, o resultado da queda do IPCA torna-se absolutamente irrelevante. Ainda mais considerando que itens básicos de alimentação continuam com um movimento de aumento de preços.

Outro bom exemplo é a educação. Se você não está cursando uma faculdade ou não tem filhos, por qual razão esse setor traz algum tipo de alívio para as suas finanças? Em junho, um dos maiores ofensores do IPCA foi plano de saúde, com participação de 0,10% no índice. Quem não tem esse tipo de serviço, contudo, não foi afetado.

Ou seja, a sua "inflação pessoal" (isto é, o seu gasto mensal) pode ser completamente diferente do que aponta no nosso índice inflacionário. E, no final do dia, é sobre esse número que você deve dedicar a sua atenção — e não ao IPCA nacional que, de certa forma, diz muito pouco sobre a sua realidade individual.

IPCA e os investimentos

Diante de tudo isso que apresentamos ao longo do artigo, como podemos nos proteger da nossa "inflação pessoal"? De maneira objetiva, por meio de investimentos que paguem juros reais. Isto é, rendimentos percentuais acima da inflação. Essa é a maneira de preservar o seu poder de compra e não sentir o impacto direto do aumento dos preços.

Entretanto, fique atendo à sua inflação individual, considerando os gastos da sua rotina. Uma situação prática que deixa essa importância mais clara é a cesta básica, que subiu mais de 20% o seu custo em 12 meses. No mesmo período, o IPCA registrado foi de pouco menos de 12%.

Embora elevada, essa inflação não registra a realidade específica do custo da alimentação. Dessa forma, apenas bater o IPCA com os seus investimentos não garante, infelizmente, que o seu poder de compra esteja protegido — afinal, alimentação é algo que importa a todas as pessoas.

A nossa dica de hoje, portanto, é aprofundar a análise sobre o IPCA. Em muitas vezes, a sua inflação individual será diferente do índice inflacionário oficial. E é sobre ela que deve estar a sua atenção.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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