Mercado Financeiro

O mercado financeiro estará com a atenção voltada nesta quarta-feira, 22, às decisões de política monetária, no Brasil e nos Estados Unidos.

É a chamada Super Quarta-Feira, dia em que os bancos centrais dos dois países vão decidir o rumo dos juros ou redefinir linhas de política monetária. Decisões que podem provocar reações em todos os segmentos do mercado - de ações ao de dólar, passando pelo de juros.

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Definição sobre juros pode provocar reações em todos os segmentos do mercado - Foto: Envato

No Brasil, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, eleve um ponto porcentual a taxa básica de juros, a Selic, de 5,25% atual para 6,25% ao ano. O resultado será conhecido no início da noite, após o fechamento dos mercados.

Especialistas não esperam surpresas, mas afirmam que uma decisão do Comitê que não venha em linha com as expectativas dos analistas pode provocar instabilidade no mercado financeiro.

Nos EUA, os investidores apostam na manutenção dos juros de curto prazo entre 0% e 0,20% ao ano, com a expectativa dirigida principalmente para uma possível sinalização sobre o ritmo de redução de recompra de títulos pelo banco central americano, que leva atualmente a uma injeção de US$ 120 bilhões no sistema financeiro dos EUA.

Discurso de Jerome Powell

O resultado da decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) será conhecido por meio de um comunicado que será divulgado às 15h (horário de Brasília).

Atrai atenção especial do mercado ainda a fala do presidente da autoridade americana, Jerome Powell, que também poderia dar sinais ou pistas sobre o plano de desaceleração do ritmo de redução do programa de recompra de títulos.

Com a atenção já voltada para a Super Quarta-Feira, o mercado financeiro aproveitou a terça-feira mais calma no exterior, que proporcionou a recuperação das principais bolsas, para recompor-se do estresse da última segunda-feira, provocado pelas incertezas com o risco de possível calote da incorporadora chinesa Evergrande.

A melhora de humor do mercado pegou carona ainda nas declarações dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, de que se empenharão na busca de uma solução para o pagamento dos precatórios e do Auxílio Brasil respeitando a regra do teto de gastos.

Cenário fiscal: precatórios

O cenário fiscal segue na pauta de monitoramento dos investidores. Na véspera, o presidente da Câmara, Arthur Lira, anunciou a criação da comissão especial para a proposta da emenda à Constituição (PRC) dos precatórios.

A instalação do colegiado com a eleição do presidente e do relator está marcada para esta quarta-feira, 10h. Lira afirmou que pretende acelerar a tramitação da proposta da casa, contando os prazos de segunda a sexta, para dar o tempo regimental necessário.

Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse que a “solução” acordada no dia anterior para o pagamento de precatórios em 2022 “não é calote”.

Depois de uma reunião com Lira e o ministro da Economia, Paulo Guedes, Pacheco anunciou que enviará ao Congresso Nacional uma proposta de retirar do teto de gastos a maior parte dos R$ 89,1 bilhões devidos pelo governo em dívidas judiciais e que deveriam ser pagos em 2022.

A ideia é corrigir o montante pago com precatórios em 2016, ano em que o teto de gastos foi instituído, e travar o pagamento das despesas nesse valor, que seria de cerca de R$ 39 bilhões a R$ 40 bilhões. Com isso, cerca de R$ 50 bilhões do total previsto para 2022 ficaria "alheio ao limite do teto", e poderia ser transferido para 2023.

"Não é calote, é uma prorrogação, e também não é o parcelamento. É um formato que pode dar uma solução para este problema e tirar este problema porque temos outros para enfrentar", afirmou Pacheco.

De acordo com o presidente do Senado, a ideia é aproveitar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) enviada pelo governo sobre o tema para fazer a mudança. Apesar de, na prática, o acordo prever a retirada da maior parte do montante a ser pago em 2022 do teto de gastos, Pacheco disse que a regra fiscal está sendo respeitada.

"Temos uma realidade, o cumprimento do teto. Outra hipótese seria retirar precatórios do teto de gastos públicos o que, neste momento, considerando todas as pressões que há em relação a inflação, câmbio e estabilidade do país não seria conveniente", completou o parlamentar.

Pacheco comentou ainda o recebimento da reforma do Imposto de Renda no Senado e disse que já foi encaminhada para uma comissão e já há relator definido.

Bolsonaro em NY

Na noite anterior, a Secretaria de Comunicação do governo confirmou em nota que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, testou positivo para a covid-19.

Queiroga está em Nova York, onde acompanhou o presidente Jair Bolsonaro em sua participação na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com a Secom, o ministro está bem e permanecerá nos Estados Unidos durante o período de isolamento. Os outros integrantes da comitiva presidencial testaram negativo para a doença, acrescenta o governo.

O teste positivo de Queiroga vem no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro criticou, na ONU, a obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19 e defendeu a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, gerando repercussão negativa na imprensa internacional.

Após um discurso marcado também por informações inverídicas e distorcidas, principalmente no que diz respeito à questão ambiental, o presidente Jair Bolsonaro decidiu cancelar a entrevista que concederia na véspera à ONU News, site de notícias da instituição.

A informação foi confirmada pela Secretaria Especial de Comunicação (Secom) do governo, que, porém, não quis falar o motivo da mudança de agenda.

Com isso, Bolsonaro não tem compromissos oficiais agendados para o restante do dia em Nova York. O retorno da comitiva presidencial está marcado para as 22 horas (horário de Brasília) e, até o momento, não está previsto um adiantamento do voo, diz a Secom.

Antes do pronunciamento, Bolsonaro teve encontros bilaterais nesta terça-feira com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, e com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

CPI da Covid: Ricardo Barros

O senador Omar Aziz, presidente da CPI da Covid, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeite o recurso do deputado federal Ricardo Barros contra a decisão individual da ministra Cármen Lúcia que manteve a quebra do seu sigilo fiscal decretada pela comissão parlamentar.

A briga é sobre o limite dos poderes das comissões parlamentares de inquérito: se podem ou não determinar a quebra de sigilo de outros deputados e senadores.

De um lado, a defesa de Ricardo Barros diz que a medida é ilegal por esbarrar na prerrogativa de foro especial. Do outro, a Advocacia do Senado, que produziu a manifestação enviada por Omar Aziz nesta segunda-feira, 20, ao Supremo Tribunal Federal, defende que as quebras podem ser decretadas desde que sejam devidamente motivadas e fundamentadas.

O requerimento para quebrar o sigilo de Ricardo Barros foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira e aprovado por maioria na comissão. O pedido foi motivado pelas acusações feitas pelo deputado federal Luis Miranda e pelo irmão do parlamentar, Luis Ricardo Miranda, que é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, de corrupção no contrato para compra da Covaxin.

Eles afirmam que o presidente Jair Bolsonaro atribuiu as suspeitas de irregularidades envolvendo as negociações para aquisição do imunizante a um 'rolo' do líder do governo na Câmara.

O documento lembra ainda que Barros foi autor da emenda que abriu caminho para a aprovação da importação da Covaxin ao incluir a agência de saúde indiana no rol de órgãos sanitários internacionais aptos a substituírem o registro Anvisa para compra de doses.

O terceiro fundamento usado para justificar a devassa foi a suposta proximidade do deputado com o ex-chefe de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, que entrou na mira da CPI sob suspeita de pedir propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal.

NY: investidores de olho no Fed

Nos Estados Unidos, os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam no positivo com o mercado em compasso de espera sobre a decisão de política monetária do Fed, que deve atualizar sua postura sobre os estímulos na economia.

O cronograma potencial do Fed para reduzir os estímulos e quaisquer mudanças nas expectativas de aumento das taxas de juros será fundamental para os investidores. A reunião do Fed ocorre após um período de volatilidade do mercado alimentado pelos infortúnios da Evergrande.

As restrições mais amplas do setor imobiliário da China também estão alimentando as preocupações sobre uma desaceleração na recuperação econômica pós-pandemia.

Segundo Edward Moya, analista, os mercados financeiros têm a Evergrande como foco e ficarão de olho até uma atualização do governo chinês. Para ele, a crise envolvendo a incorporadora não levará ao contágio nos EUA, mas há muitas dúvidas sobre quem será protegido quando a China disser "basta".

Já no Fed, a autoridade deve manter a política monetária, mas um dos principais focos será como seu presidente, Jerome Powell, tratará na entrevista coletiva sobre a redução do programa de afrouxamento quantitativo, o tapering.

Os efeitos da variante delta do coronavírus persistem, e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua estimativa de crescimento do PIB dos EUA em 2021, de 6,9% a 6%.

Além disso, o Fed sofre pressão para remover os presidentes das distritais de Dallas, Robert Kaplan, e Boston, Eric Rosengren, que negociaram ações e outros ativos em 2020 enquanto tomavam decisões de política monetária.

Bolsas asiáticas fecham mistas

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quarta-feira, com os investidores apreensivos com o efeito Evergrande com a reunião do Fed.

Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,67%, aos 29.639,40 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,33%, aos 3,140,51 pontos.  Em Hong Kong, o Hang Seng fechou com avanço de 0,51%, aos 24.221,54 pontos.

Na Ásia, a China evitou uma grande onda vendedora na retomada das negociações após um feriado durante o qual os mercados globais foram afetados duramente pelo risco de default da Evergrande.

Segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, o banco central chinês deve aumentar as injeções de dinheiro registradas na semana passada e se estima que precisará adicionar 130 bilhões de yuans – ou US$ 20 bilhões – até quinta-feira, 24, para garantir liquidez e colocar panos quentes sobre a questão, a menos por enquanto.

Na Austrália, o índice S&P/ASX200 concluiu o pregão em alta de 0,32%, aos 7.296,90 pontos. /com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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