Logo Mais Retorno
Renda Variável

Na Bolsa, o sofrimento também é opcional

Falta de transparência entre governo e comunidade financeira torna mercado volátil

Data de publicação:01/11/2021 às 07:00 -
Atualizado 7 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

É totalmente compreensível dormir preocupado com a alta volatilidade na Bolsa de Valores se você é um investidor de renda variável. Saber que as empresas onde seus recursos estão alocados vêm sendo desvalorizadas pelo mercado ao longo deste ano, realmente, não é uma boa notícia. A questão é como você reage a tudo isso.

Para superar essa verdadeira provação do mercado, é imprescindível guardar a ansiedade em uma gaveta, trancada a sete chaves. Nada de sair comprando ou vendendo ações sem antes entender o Brasil como ele é. Dois pontos precisam estar claros neste momento:

Foto: B3/Divulgação bolsa
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação
  1. Apesar de estar próximo à saída da pandemia, o País deixará essa crise sanitária com muitas sequelas graves – não só pela perda de milhares de vidas, mas também pelos impactos sociais, econômicos e institucionais advindos das fracassadas tentativas do poder público em lidar com o caos. É hora de enxergar que o “novo normal” já se transformou em “totalmente anormal”, e será desta condição que o Brasil precisará se reerguer.
  • De agora até as eleições, será cada vez mais comum o desalinhamento de interesses entre os poderes Legislativo e Executivo, já que estamos em ano de pré-eleição presidencial, quando a agenda macroeconômica será fatalmente contaminada por fatos capazes de influenciar as urnas em 2022. O resultado dessa desordem é o que vemos no noticiário recente, com destaque para a CPI da Covid, negociações para votar as reformas, ameaças de greve e, para encerrar o mês, o furo no teto dos gastos.

Diante de tantos sinais trocados e falta de transparência entre o governo e a comunidade financeira, o senhor Mercado de Capitais treme, oscila, cai, volta a subir dias depois. O dólar também segue a trilha da montanha russa, mas a taxa de juros futuro indica que o céu de brigadeiro visto em 2020 na renda variável permanecerá nublado, com mais turbulências até dezembro.

Como, então, reagir se a sua carteira de ações desvalorizou significativamente de janeiro para cá? Ora, depois de conter o impulso para não vender ou comprar sem necessidade, movido apenas pela emoção, medo ou ansiedade, e após compreender as razões de o pregão oscilar fortemente neste momento, o próximo passo é pensar a longo prazo. Simples assim.

Inflação, Selic, Câmbio, Ibovespa, tudo deve balançar bastante neste novo anormal. Mas nenhuma mexida pode derrubar os fundamentos estudados quando o seu portfólio de investimentos foi construído lá atrás. Quais ativos foram comprados? Por quais razões? Qual estratégia usou para a diversificação da sua carteira? Seus recursos podem esperar o momento certo para um eventual resgate, certo?

Não? Neste caso, o problema pode não ser o mercado, mas a forma como o seu investimento vem sendo feito.

Crises vêm e passam na Bolsa

Quem fez a lição de casa direito assiste a tudo isso sem desespero. Mesmo que seus ativos estejam desvalorizados, pessoas bem-informadas -- seja por conta própria, por gestoras de fundos ou bons escritórios de investimentos -- sabem que Bolsa de Valores está longe de ser um ambiente de negociação calmo e previsível.

Neste momento, elas estão sendo lembradas que o Brasil é um país com grandes riquezas, uma democracia consolidada, tem uma economia diversificada e em desenvolvimento e outros fatores positivos que se sobressaem aos tradicionais desencontros políticos e institucionais desta nação.

Crises vêm e passam. Há quem esteja comprando ativos por esses dias, feliz da vida, comemorando a queda das ações e a oportunidade de entrar ou aumentar sua participação em determinada companhia.

Isso tudo para dizer que a lição a ser aprendida diante da atual volatilidade na Bolsa vai muito além do conhecimento para escolher a empresa A, B ou C na alocação do seu capital. Antes disso, tais oscilações devem servir de aprendizado de que a renda variável é um investimento de longo prazo, que requer a orientação de profissionais especializados para explicar não apenas o quê, mas também o “como”, o “quando” e o “porquê” faz sentido comprar ou vender aquele ativo.

Se você não tem tempo nem paciência para esperar a hora certa de aplicar ou resgatar seu dinheiro em ações, talvez essa modalidade de investimento não seja para o seu perfil. Ainda assim, neste exato momento, aguarde o Ibovespa recuperar o fôlego. Mesmo no novo anormal, o mercado é cíclico, e alta vai aparecer novamente. /Com Andressa Bergamo.

Andressa Bergamo tem graduação em Administração de Empresas, Pós-Graduação em Economia e Finanças e é sócia-fundadora do escritório de assessoria financeira AVG Capital.

Luciano Boudjoukian França (CFP®️) é economista pela FEA-USP, Pós-Graduado em Finanças, Mestre em Economia pelo Insper e sócio da Avantgarde Asset Management.

Sobre o autor
Luciano França
Luciano Boudjoukian França (CFP®️) economista pela FEA-USP, Pós-Graduado em Finanças, Mestre em Economia pelo Insper e sócio da Avantgarde Asset Management.