Mercado Financeiro

A agenda econômica da semana que começa nesta segunda-feira, 26, e marca também o encerramento de julho acena com a perspectiva de um mercado financeiro bastante movimentado: divulgação de comunicado do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e inflação pelo IGP-M chamam a atenção nesta semana.

Em geral, os últimos dias do mês costumam ser de ajuste de posições em diversos segmentos do mercado, mas fatos e expectativas que compõem a agenda semanal devem contribuir também para um ambiente de negócios mais agitado na tomada de decisões.

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Comunicado do Fed sobre economia dos EUA e IGP-M de julho estão na agenda econômica desta semana - Foto: Envato

O principal foco de interesse de investidores e profissionais do mercado é o comunicado que o Fed divulga às 15h (horário de Brasília) da quarta-feira, 28, após mais uma reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) sobre política monetária americana.

Os mercados esperam uma avaliação mais atualizada do Fed sobre o nível de atividade econômica, o comportamento da inflação e dos juros americanos.

Os últimos comunicados e pronunciamentos da equipe da autoridade monetária, incluído seu presidente, Jerome Powell, têm insistido na análise e reafirmado a tese de que a alta do nível de atividade e da inflação é setorial - limitada a alguns segmentos - e provisória.

A novidade no período mais recente originada no Fed foi a sinalização de que o ajuste nas taxas de juro americanas deve ser antecipado para 2023, em vez de 2024, como se previa anteriormente.

Especialistas entendem que eventual mudança no discurso do Fed em relação à inflação e aos estímulos monetários – programa de recompra de títulos que fortalece a liquidez (amplia a oferta de recursos) do sistema financeiro e reaquece a economia – tende a influenciar os mercados, principalmente o de ações e o de dólar.

Outro ponto no radar dos investidores, relacionado a decisões do Fed sobre política monetária, refere-se aos dados preliminares do PIB americano no segundo trimestre, que serão conhecidos às 9h30 (horário de Brasília) de quinta-feira, 29.

IGP-M e balanços no mercado local

O dado mais importante da agenda doméstica na semana, de acordo com analistas, é o IGP-M de julho que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga na quinta-feira,29. A expectativa de especialistas é que o índice venha mais contido, em relação ao de 0,60% de junho, por causa da queda de preços internacionais de commodities e do recuo do dólar.

Embora o índice da FGV espelhe preponderantemente a variação de preços no atacado, o interesse pelo IGP-M aumenta porque é o último indicador importante de inflação a ser conhecido antes da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central (BC), marcada para os dias 3 e 4 de agosto.

O IPCA de julho, considerado a inflação oficial, que o BC mira para a calibragem da taxa básica de juros, a Selic, será conhecido apenas na semana seguinte, em 10 de agosto.

O mercado financeiro tocará os negócios da semana com um olho pregado em eventos e indicadores econômicos, domésticos e externos, e o outro colado nos resultados de balanços de empresas no segundo trimestre.

A safra de balanços, que teve largada na semana passada, prossegue ao longo desta. Energias do Brasil e Tim abrem a rodada semanal e apresentam seus resultados nesta segunda-feira, após o término do expediente do mercado financeiro.

NY: futuros em queda

Nos Estados Unidos, os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em queda, com os investidores em compasso de espera sobre a reunião do Fomc (Copom americano), que, segundo analistas, não deve trazer surpresas ao manter as taxas de juros do país próximas de zero.

Além disso, os investidores seguem acompanhando com atenção a temporada de divulgação de balanços trimestrais.

De acordo com a Capital Economics, o início positivo da temporada de balanços do segundo trimestre nos EUA ajudou a cimentar as expectativas de que o crescimento do lucro ajustado por ação nos próximos anos também será muito rápido.

Desta forma, a consultoria crê que analistas vão aumentar suas perspectivas de crescimento dos lucros de empresas americanas, e o impulso visto recentemente nos mercados de Nova York após resultados acima do esperado deve arrefecer, o que provocará menores ganhos dos índices nos próximos dois anos.

CPI da Covid: fake news

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, reforçou na véspera que a comissão quer ouvir representantes do Facebook, Twitter e Google sobre a veiculação de conteúdo falso ou contrário às evidências científicas em meio à pandemia do novo coronavírus. "

É depoimento, por permitir que se fizesse propaganda de medicação dentro desses aplicativos, sem comprovação científica. Fake news de medicação", afirmou Aziz ao Broadcast Político.

As convocações foram aprovadas no fim de junho e a data das oitivas ainda será resolvida, segundo o presidente da CPI. Grupo majoritário da comissão que reúne senadores independentes e de oposição ao governo, o 'G7' vai se reunir neste domingo para decidir a pauta da comissão no retorno aos trabalhos, após o recesso parlamentar, disse Aziz.

A convocação das plataformas, em junho, foi decidida pelos senadores como forma de enquadrar a postura do presidente Jair Bolsonaro nas redes.

Integrantes da CPI criticam as falas do chefe do Planalto durante transmissão nas redes sociais contrariando evidências científicas no combate ao novo coronavírus. Uma das linhas de investigação da comissão é a aposta de Bolsonaro no uso da cloroquina para tratar pacientes com covid-19, mesmo com a ineficácia comprovada do medicamento contra essa finalidade.

Bolsas asiáticas fecham em queda

 As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em queda nesta segunda-feira, após um aumento do cerco regulatório da China. Após mirar em empresas do setor de tecnologia, agora Pequim restringiu regras para companhias privadas de educação.

Também há certa cautela com o avanço da variante delta do coronavírus, em uma semana que contará com reunião de política monetária do Fed sobre a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e publicação do lucro industrial chinês.

Na China continental, o índice Xangai Composto recuou 2,3%, aos 3.467,44 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto também caiu 2,3%, aos 2.411,81 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 4,1%, aos 26.192,32 pontos.

"Apesar das novas máximas em Wall Street na sexta-feira, os mercados asiáticos estavam mais fracos nesta segunda-feira, liderados por uma queda de mais de 3% na China, já que movimentos regulatórios preocupam os investidores e as negociações comerciais EUA-China começam de forma amarga", diz o analista da Daiwa Capital Markets, Chris Scicluna.

Durante o fim de semana, Pequim divulgou regras que forçariam os serviços de tutoria que ensinam disciplinas escolares aos alunos durante os anos obrigatórios a serem administrados como operações sem fins lucrativos.

Além disso, as autoridades chinesas baniram esses serviços de levantamento de capital e propriedade estrangeira e proibiram aulas nos finais de semana e feriados públicos ou escolares.

"Investidores magoados e abalados agora devem ponderar quais outras áreas poderiam se tornar o próximo alvo de controle estatal expandido", afirma o banco de investimento japonês Nomura.

Em outras partes da Ásia, o Kospi registrou queda de 0,9% em Seul, aos 3.224,95 pontos, pressionado para baixo por ações dos setores de tecnologia e construção.

Os investidores acompanham também uma visita da vice-secretária de Estado americana, Wendy Sherman, à China. No começo das conversas, Pequim culpou Washington por um "impasse" nas relações bilaterais.

O Nikkei, por outro lado, subiu 1,0% no Japão, aos 27.833,29 pontos. A bolsa japonesa reabriu hoje após ter ficado dois pregões fechada devido a um feriado no país. O índice acionário, portanto, registrou ganhos na esteira dos recordes em Nova York no fechamento de sexta-feira, 23.

Divulgado na noite da véspera, o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar composto do Japão, que reúne indicadores de indústria e serviços, caiu de 48,9 pontos em junho para 47,7 em julho.

Na Oceania, a bolsa da Austrália fechou estável. O impulso de ações de mineração compensou perdas em outros setores. Com isso, o S&P/ASX 200 encerrou a sessão em Sydney aos 7.394,3 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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