Mercado Financeiro

A Bolsa, após um período de queda pela manhã, fechou em alta de 0,87% nesta terça-feira, 3, marcando 123.576,56 pontos. O resultado positivo veio com a valorização das ações da Vale e siderúrgicas, com os investidores se movimentando na expectativa da nova taxa Selic, que será anunciada amanha, dia 4, após a reunião do Copom. Ficou também no radar a temporada de resultados trimestrais das empresas.

Já o dólar, que chegou a subir mais de 3% no início dos negócios com ruídos políticos, devolveu a alta e fechou com ligeira valorização de 0,53%, cotado a R$ 5,193.

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Moeda americana reflete o tenso cenário político local - Foto: Envato

Dólar em ligeira alta

A moeda americana estressou com novos ataques do presidente Jair Bolsonaro ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Luis Barroso, e ameaças às eleições de 2022.

Após a abertura de inquérito administrativo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o envio de notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Bolsonaro pelas declarações infundadas de fraude no sistema eleitoral e ameaça à realização das eleições, Bolsonaro rebateu o assunto.

“Não aceitarei intimidações, não serão admitidas eleições duvidosas no ano que vem; o Brasil mudou, vou continuar exercendo meu direito de cidadão". E voltou a dizer que "o povo tem que estar armado".

O investidor passou o dia digerindo ainda falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, que disse que o número de precatórios chegou a R$ 90 bilhões. "Extrapolou a possibilidade de reservas nossas", afirmou.

Esse clima mais pesado deu gás para o dólar no início dos negócios, mas a moeda devolveu boa parte da alta no encerramento do dia.

Sobe e desce da B3

Nesta terça-feira, as siderúrgicas que iniciaram o dia em queda viraram todas para o positivo. A Vale registrou forte alta de 3,41%, com CSN na mesma esteira, com valorização de 0,25%, Gerdau com ganhos de 2,67%, e Usiminas, depois de transitar pelo vermelho durante todo o pregão, apresentou alta residual de 0,098% no fechamento.

Após abrir o pregão em queda, também as ações da Petrobras mudaram o sinal e avançaram 1,48%. Com a divulgação de seus resultados do segundo trimestre, depois de registrar queda, as ações da Petro Rio obtiveram ganhos de 1,76% na Bolsa.

O mesmo ocorreu com os bancos. Mesmo com resultados acima da expectativa do mercado, o Itaú operou em baixa na B3 até o início da tarde, quando inverteu o sinal, fechando com variação positiva de 0,98%.

Em dia de divulgação de seus números trimestrais, o Bradesco registrou alta. Os papéis do banco subiram 0,49%. Santander registrou alta de 0,62%.

Nos desempenhos negativos, Cielo e Marcopolo, que apresentaram seus números, viram suas ações recuando 0,58% e 6,05%, respectivamente.

Os papéis da Locaweb subiram 0,32% após a companhia anunciar a compra da plataforma Octadesk, de gestão de conversas, por R$ 102 milhões. Esta é a décima segunda aquisição da Locaweb desde sua entrada na B3.

No mesmo sentido, após reportar um salto de 683% em seu lucro líquido no segundo trimestre, a Pague Menos viveu um dia de valorização de seus papéis na Bolsa, com alta de 4,14%.

Selic mais alta

Embora o BC tenha adiantado, no fim da reunião de junho, nova elevação de 0,75 ponto porcentual em agosto, o que faria a Selic subir desta vez para 5,00% ao ano, houve uma reviravolta nos prognósticos do mercado.

Uma corrente majoritária de economistas e analistas passou a apostar, em uma revisão reforçada nos últimos dias, em uma alta maior, de um ponto porcentual, o que alçaria o juro básico para 5,25% ao ano.

Se confirmado, seria o maior ajuste da Selic desde fevereiro de 2003 e seu impacto mais significativo, avaliam especialistas, poderia ser sentido pelo câmbio.

Um efeito que auxiliaria também o controle da inflação, já que parte da pressão sobre os preços é derivada da valorização da moeda americana.

Cenário delicado

Os ruídos políticos locais seguem deixando os investidores em estado de atenção, incluindo não somente a questão das eleições de 2022.

Após o diagnóstico sobre a cifra elevada de pagamento de precatórios no Orçamento de 2022, os dois principais articuladores do governo, Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil, e Flávia Arruda, ministra da Secretaria de Governo entregaram ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca estabelecer regras de parcelamento para as dívidas judiciais.

Segundo a proposta, os precatórios de valor superior a 66 milhões de reais poderiam ser parcelados – eles representam "apenas" 3% da quantidade total de débitos do governo federal, mas liberariam cerca de 34 bilhões de reais no Orçamento do ano que vem.

O governo também discute incluir nesta mesma PEC a criação de um fundo com o objetivo de pagar parte das dívidas sem a limitação do teto de gastos. A medida ainda não é consenso nem dentro do ministério da Economia, mas entende-se que pode ser melhor honrar os compromissos em dia do que eventualmente parcelar grandes quantidades dos precatórios.

Segundo análise da Levante Investimentos, a ideia também divide o mercado, com parte dos economistas enxergando um possível drible no teto de gastos.

“Enquanto outro grupo compreende a necessidade de retirar os pagamentos – considerados uma ameaça ao Orçamento, dada a atual configuração das contas públicas – do limite constitucional de despesas”, reportam os analistas da casa.

De qualquer maneira, o Planalto deve aproveitar o problema para abrir espaço para o novo Bolsa Família, que virá "turbinado" e é uma das apostas eleitoreiras para o ano de 2022, para a Levante.

“O discurso que será usado para aprovar o parcelamento ou a criação do fundo será baseado na decisão do Supremo Tribunal Federal – da necessidade de implementar um programa de renda básica para brasileiros na situação de extrema pobreza e pobreza – e deve colocar pressão em deputados e senadores”, reforça a Levante.

A solução ideal e fiscalista para o imbróglio, de acordo com a casa, seria a de pagamento integral dos cerca de R$ 90 bilhões de reais em dívidas judiciais para 2022 e o corte mais acentuado de despesas obrigatórias.

“Como as medidas fiscais, enviadas pelo governo e aprovadas pelo Congresso nestes 3 anos de mandato, não surtiram efeitos no curto prazo, ficamos à mercê de uma solução alternativa”, enfatizam.

Para os analistas da Levante, a falta de resolução, no curto prazo, deve trazer mais volatilidade para os ativos domésticos, mas a tendência é de construção de uma saída menos dolorosa possível para o quadro fiscal brasileiro e a credibilidade do governo.

NY: bolsas em alta

Nos Estados Unidos, os contratos negociados nas bolsas de Nova York fecharam em alta com o mercado no aguardo dos dados sobre geração de empregos (payroll) no país, que serão divulgados na próxima sexta-feira, 6.

O índice S&P 500 reportou avanço de 0,82%, com Dow Jones na mesma esteira, com valorização também de 0,80% e Nasdaq 100 subiu 0,65%.

Segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos, as encomendas à indústria do país subiram 1,5% em junho, na comparação com o mês anterior, somando US$ 506,0 bilhões. O resultado superou a previsão de analistas que projetavam alta mensal de 0,9%.

Excluindo-se transportes, houve alta mensal de 1,4% em junho. Sem o setor de defesa, o ganho porcentual foi de 1,6%. O Departamento de Comércio ainda revisou o avanço de maio ante o mês anterior nas encomendas à indústria, de 1,7% para 2,3%.

Na véspera, Christopher Waller, diretor do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), atrelou a redução dos estímulos monetários ao desempenho do mercado de trabalho americano.

 Segundo ele, se o payroll de julho e o de agosto mostrarem melhora do emprego no país, a instituição pode começar a reduzir as compras de ativos (tapering) em outubro.

Em comunicado após o fechamento do mercado, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, informou que o governo adotou "medidas emergenciais" para cumprir o teto.

Na avaliação da Oxford Economics, contudo, esses recursos devem se esgotar no final de setembro. "Nesse ponto, o Tesouro precisaria fazer cortes drásticos nos tamanhos dos leilões de títulos, o que seria perturbador para os mercados", avalia a economista Nancy Vanden Houten.

Durante a semana, o mercado acompanhará o avanço do pacote de infraestrutura bipartidário, que pode ser aprovado nos próximos dias no Senado, e novos resultados trimestrais de empresas.

"Lucros fortes têm sido um fator importante para o desempenho do mercado de ações deste ano e a temporada de balanços do segundo trimestre tem sido, em sua maior parte, muito encorajadora", dizem analistas da LPL Financia

CPI da Covid: Davati

Nesta terça-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid retoma os trabalhos no Senado e ouve o reverendo Amilton Gomes de Paula, apontado por representantes da Davati Medical Supply como um “intermediador” entre o governo federal e a empresa.

Paula é fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), uma organização não governamental. Ele foi convocado para depôr na CPI após ser citado no depoimento de Luiz Paulo Dominghetti, que afirmou ter agendado reuniões no Ministério da Saúde com o intermédio do reverendo.

O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, reconheceu ter recebido Amilton para falar sobre uma oferta de doses de vacina contra a covid-19.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

Os mercados acionários da Ásia tiveram uma terça-feira negativa. Temores com a variante delta da covid-19 e seus impactos na atividade afetaram os negócios, bem como uma ameaça de um regulador da China a fabricantes de microchips.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,47%, aos 3.447,99 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,53%, aos 2.536,31 pontos.

Os setores de commodities e automotivo estiveram entre as principais baixas. Fabricantes de chips automotivos registraram quedas consideráveis, após um regulador afirmar que pretende combater manipulação de preços e o armazenamento indevido desses componentes.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei teve queda de 0,50%, aos 27.641,83 pontos, em meio a preocupações com o avanço da covid-19 e sua variante delta, mais contagiosa, na China e em outras partes da Ásia, o que assusta investidores, segundo a Oanda.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,16%, aos 26.194,82 pontos. Desenvolvedoras de games estiveram entre as maiores baixas, após reportagem da imprensa estatal destacar prejuízos dos jogos para os mais jovens.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi foi na contramão da maioria e subiu 0,44% na Bolsa de Seul, aos 3.237,14 pontos. Ações de tecnologia, montadoras e do setor financeiro puxaram a alta, com otimismo sobre a recuperação do país e ainda após dados positivos da balança comercial sul-coreana em julho.

Em Taiwan, o índice Taiex também avançou, fechando com ganho de 0,29%, aos 17.553,76 pontos.

Na Oceania, na Bolsa da Austrália o índice S&P/ASX 200 encerrou em baixa de 0,23%, em 7.474,50 pontos. Ações de bancos e as ligadas a commodities puxaram o movimento, com as mineradoras exibindo baixas entre 0,6% e 1,6%. / com Tom Morooka e Agência Estado

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