Mercado Financeiro

A Bolsa de Valores registrou queda de 1%, aos 119.388,37 pontos, nesta terça-feira, 27, influenciada pela demissão do secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, do Ministério da Economia. Ele deve ser substituído pelo secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal. 

A troca se deve à divergência entre Rodrigues, que defendia ajustes no Orçamento para 2021, e o Congresso, que queria a sanção integral do texto, mesmo que isso resultasse em furar o teto de gastos.  Por isso, a saída de Rodrigues sugere enfraquecimento de uma postura mais rígida no controle de gastos do governo.

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, é destituído do cargo pelo ministro Paulo Guedes por entraves em relação ao Orçamento 2021 - Foto: Agência Brasil/Marcello Casal Jr.

Somada à nova baixa de posição importante dentro da equipe econômica, há rumores de que o governo pretende desmembrar o Ministério da Economia em áreas da Previdência, Trabalho, Desenvolvimento e Indústria e Comércio Exterior. Configuração que tende a retirar do ministro Paulo Guedes seus superpoderes.

Mas além do dia conturbado no Ministério da Economia, a instalação da CPI da Covid e a decisão da Anvisa, que, por unanimidade, rejeitou a importação da vacina russa Sputnik V, desanimaram investidores. É que além de não contar com novas doses de imunização da vacina russa, o Instituto Butantan só deve voltar a entregar doses da coronavac em dez dias. Assim, apenas a Fiocruz produz imunizantes no momento, retardando ainda mais o processo de vacina. Além disso, há o receio de que venham a faltar doses em agosto. 

Dólar registra leve alta

Pelos mesmos motivos de tensão que afetaram a bolsa, o dólar inverteu a trajetória de queda observada no início do dia e encerrou o pregão em alta de 0,23%, cotado a R$ 5,461.

Os mercados estrangeiros se mantêm na expectativa pela definição do presidente americano, Joe Biden, sobre a agenda de aumento de impostos sobre dividendos. O Dow Jones teve leve alta de 0,01%, ao contrário do S&P 500 e da Nasdaq, que tiveram queda de 0,02% e 0,47% respectivamente 

CPI da covid-19: início dos trabalhos

Neste primeiro encontro, realizado hoje, os senadores oficializaram as escolhas do presidente e do relator da comissão em meio a um clima de guerra. Sem maioria no colegiado, o Palácio do Planalto já indicou que partirá para o ataque contra parlamentares da oposição.

A primeira audiência está prevista para a próxima terça-feira, 4, e deve ouvir o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, seus sucessores, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, e o atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga.

O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, também está na lista de possíveis convocados para depor na comissão, que vai solicitar ao governo uma série de informações sobre a aquisição de vacinas, isolamento social,  compra e indicação de medicamentos, gastos com comunicação e recursos repassados a estados e municípios.

Para colocar prefeitos e governadores também na mira da CPI, o Palácio do Planalto se articula para acionar órgãos de controle e abastecer a comissão com informações sobre o repasse de verbas federais a Estados e municípios.

O objetivo é identificar possíveis fraudes e desvios, além de mapear as investigações em andamento. Por outro lado, segundo especialistas, essa é uma manobra dos governistas para desviar o foco do governo federal.

A reação do mercado financeiro, segundo especialistas, dependerá do avanço das investigações e dos fatos novos que forem surgindo ao longo dos trabalhos da comissão.

Inflação abaixo do esperado

O IBGE divulgou, hoje, o IPCA-15, prévia da inflação. O indicador registrou 0,60% em abril, resultado inferior aos 0,66% projetados pelo mercado. No acumulado de 12 meses, o percentual é de 6,17%. Em 2021, o IPCA-15 está em 2,82%.

Balanços das empresas aberto com a Vale na véspera

O foco principal dos mercados, de todo modo, é a temporada de balanços, afirma Virgílio Lage, especialista em investimentos e inovação da Valor Investimentos.

Na véspera, a Vale divulgou seu balanço trimestral após o fechamento dos negócios na Bolsa. O resultado apontou um lucro de R$ 5,546 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 2.220% em relação aos mirrados R$ 239 milhões em igual período de 2020.

E os papéis da empresa na B3 refletiram esses resultados positivos, com valorização de mais de 1% nesta terça-feira.

Reforma tributária: entrega do parecer é dia 3 de maio

A movimentação na área econômica também tem sido monitorada, dada a expectativa de que a reforma tributária esteja voltando à agenda do governo.

Uma das propostas, de acordo com rumores que chegaram a circular no mercado no fim do dia anterior, seria a taxação de dividendos, que estaria em estudos pelo governo e, se aprovada, poderia causar mal-estar no mercado financeiro, especialmente na Bolsa.

Outro assunto na pauta da atenção dos investidores é o desdobramento da reforma tributária. Na véspera, o presidente da Câmara, Arthur Lira disse que deu prazo até o dia 3 de maio para que o relator da reforma na Casa, Aguinaldo Ribeiro, apresente o parecer à comissão especial.

"É uma demonstração clara de que vamos voltar a focar nesse assunto importante que é a reforma tributária", afirmou.

Lira disse que a reforma será discutida ao longo dos próximos meses "pelo que nos une, de maneira consensual", por líderes partidários, governo, relator e Senado. A ideia, segundo ele, é dar tranquilidade, segurança jurídica, simplificação e "tranquilidade fiscal para o Brasil".

Especialistas apontam que essa movimentação para dar início à reforma tributária é uma manobra da Casa para tirar os holofotes de cima da CPI da covid-19.

Contratos em Nova York operam em leve baixa

Os contratos negociados nas bolsas de Nova York operam com leve recuo nesta terça-feira, refletindo alguns ganhos robustos de suas companhias no trimestre e o início da reunião de dois dias do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

Às 10h50, o índice S&P 500 apontava perdas sensíveis de 0,17%. Na mesma esteira, Dow Jones registrava queda sensível de 0,14%, e Nasdaq 100%, de 0,35%.

Para Edward Moya, analista sênior de mercado da Oanda, o anúncio do Fed "deverá ser chato", já que a expectativa é a de que o BC americano mantenha sua política atual.

De qualquer forma, investidores tradicionalmente ficam atentos a quaisquer comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, sobre perspectiva econômica e a indícios de quando as medidas de estímulos podem começar a ser revertidas.

De acordo com Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, o mundo desenvolvido está em um caminho de recuperação mais firme com um ritmo mais rápido de vacinação.

Os dados dos Estados Unidos nesta semana, segundo Teixeira, devem mostrar um crescimento acelerado do PIB para 6,8% anualizados no primeiro trimestre.

“Esse prognóstico não deve mudar a postura altamente acomodatícia do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que deve manter as taxas em ‘stand by’ e as compras de ativos inalteradas na reunião desta semana”, destaca.

Na temporada de balanços, o destaque da véspera foi para os números da Tesla, que registrou lucro líquido de US$ 438 milhões no primeiro trimestre de 2021. O lucro ajustado por ação diluído foi de US$ 0,93 – acima da previsão do mercado de US$ 0,75 - alta de 304% na comparação com igual período do ano anterior.

Após os resultados, a ação da Tesla recuava 2,55% no after hours das bolsas de Nova York, às 17h45 de Brasília, após ao longo do último mês ter subido mais de 20% e ao longo dos últimos 12 meses, mais de 350%.

Para esta terça-feira, são esperados os números da Microsoft, Alphabet, após o fechamento do mercado, além de Visa e Starbucks.

No dia anterior, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que o presidente dos Estados Unidos assinaria um decreto que cria uma força-tarefa com foco em impulsionar a organização e a capacitação de trabalhadores. A iniciativa será comandada pela vice-presidente Kamala Harris.

"A iniciativa será dedicada a mobilizar as políticas, programas e práticas do governo federal para capacitar os trabalhadores a se organizar e negociar com sucesso com seus empregadores", explicou Psaki.

Bolsas asiáticas fecham mistas nesta terça-feira

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única e com pequenas variações nesta terça-feira com investidores demonstrando cautela antes da reunião de política monetária de dois dias do Federal Reserve, que começa hoje.

Como se previa, o Banco do Japão (BoJ) deixou as configurações de sua política inalteradas no começo da madrugada.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,46% em Tóquio, aos 28.991,89 pontos, enquanto o Kospi cedeu 0,07% em Seul, aos 3.215,42 pontos, apesar de a Coreia do Sul ter crescido mais que o esperado no primeiro trimestre.

Já o Hang Seng recuou 0,04% em Hong Kong, aos 28.941,54 pontos, ainda que a ação local do HSBC tenha saltado 2% após o banco britânico - que tem foco na Ásia - divulgar forte balanço trimestral.

Já na China continental, os mercados tiveram ganhos marginais: o Xangai Composto subiu 0,04%, aos 3.442,61 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,03%, aos 2.281,93 pontos. O Taiex se comportou de forma semelhante em Taiwan, garantindo ligeira ala de 0,13%, aos 17.595,90 pontos.

Nesta madrugada, o BC japonês, conhecido como BoJ, deixou sua política monetária inalterada, mas reiterou a disposição de adotar medidas adicionais, se necessário.

Já seu presidente, Haruhiko Kuroda, avaliou que a meta de inflação de 2% do BoJ ainda é viável, embora as projeções para os próximos anos sejam de preços fracos.

Continua no radar a situação da covid-19 na Ásia, principalmente na Índia, que vem acumulando recordes diários de novos casos, e no Japão, que estuda o endurecimento de medidas para conter a doença.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou levemente no vermelho, pressionada por ações de tecnologia e saúde. O S&P/ASX 200 caiu 0,17% em Sydney, aos 7.033,80 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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