Mercado Financeiro

Após três pregões consecutivos de fortes baixas, a Bolsa fechou em alta de 0,81% nesta terça-feira, 20, marcando 125.401,36 pontos, puxada pelos bancos, Petrobras e o setor das mineradoras e siderúrgicas. O movimento de valorização nas bolsas de Nova York também contribuiu para o resultado positivo do Ibovespa.

O dólar abriu o dia em alta, mas mudou o sinal e no final do dia caiu 0,37%, cotado a R$ 5,231.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Com a recuperação do otimismo dos investidores no exterior, depois de um último pregão marcado pela cautela em relação à variante Delta do coronavírus, a Bolsa mostrou fôlego especialmente no setor financeiro. A principal porta de entrada para os estrangeiros na Bolsa brasileira por sua liquidez. Com isso, os chamados "bancões" viram seus papéis se valorizar ao longo do dia. Bradesco e Itaú registraram alta de 1,08% e 1,28%.

Já a Petrobras, que responde por cerca de 13% da carteira teórica da B3, abriu o dia em queda na Bolsa, mas acabou mudando de rumo e encerrou as negociações com boa valorização, de 1,56%, seguindo a recuperação no preço do petróleo no mercado.

As siderúrgicas e mineradoras fizeram o mesmo caminho da petroleira. As ações da Vale, CSN, Usiminas e Gerdau subiram 0,84%, 1,07%, 0,63% e 0,41% respectivamente.

Sobe e desce da B3

Após um dia de forte queda por conta da nova configuração dos papéis da companhia na B3, a Lojas Americanas viveu um pregão de valorização na Bolsa. As ações da varejista subiram 5,44%.

Na mesma esteira, a Rumo também fechou o dia no azul, depois de manifestar interesse em participar do projeto da construção da ferrovia que ligará vários municípios do Mato Grosso. As ações da companhia avançaram 2,25%.

Seguindo mais um dia de ganhos em seus papéis, a JBS e Marfrig dispararam 6,48% e 4,24%, respectivamente. O que influenciou na alta de hoje foi um comunicado do Ministério da Agricultura da China alertando que o país apresenta dificuldade na contenção de novos surtos da peste suína. Dessa forma, o país asiático, que tem sua autossuficiência na produção de carne suína prejudicada, terá de recorrer às exportadoras.

Dólar em queda

A desvalorização de 0,37% da moeda americana frente ao real reflete, sobretudo, a recuperação do otimismo no exterior após a preocupação com o avanço de novas variantes do coronavírus na véspera.

Variante Delta

O temor dos investidores, que ainda paira no mercado, é que a nova onda do coronavírus, sob a variante Delta, aborte a retomada da economia, cuja expectativa vinha alimentando o otimismo dos investidores, especialmente na Bolsa de Valores.

Novos fechamentos da economia, com a possível adoção de lockdowns, passaram a fazer parte de um cenário que aparentemente havia ficado para trás, após a pior fase da pandemia, e agora ressurge para a preocupação dos mercados.

O sentimento de temor com o recrudescimento da pandemia levou os investidores às costumeiras reações que ocorrem em um momento de insegurança, o de aversão ao risco. As incertezas com o que pode acontecer com a economia encorajaram a busca por segurança para o capital, com a venda de ações e busca por proteção no mercado de dólar.

O desempenho das ações depende fundamentalmente da performance das empresas, que, por sua vez, têm seus resultados vinculados ao andamento da economia.

Se a atividade estiver empacada, os balanços das companhias, que produzirão e venderão menos, não agradarão aos acionistas. Em um momento de alta dos juros, os investidores poderão até trocar a renda variável pelos títulos de renda fixa.

Bolsonaro e as eleições

No cenário doméstico, a tensão política se mantém no radar dos investidores. O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, dizendo que vai provar fraude na urna eletrônica. Além disso, afirmou que as reformas tributária e administrativas devem ser aprovadas neste ano.

Na noite do dia anterior, o presidente ressaltou que irá vetar o fundão eleitoral, aumentando o mal-estar com o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, que pediu ao presidente da Casa, Arthur Lira, para ter acesso integral ao teor dos mais de 100 pedidos de impeachment de Bolsonaro.

Além disso, Bolsonaro voltou a prometer um Bolsa Família na faixa de R$ 300, a despeito das dificuldades na área fiscal.

Wall Street em alta

Nos Estados Unidos, os contratos negociados nas bolsas de Nova York fecharam em alta acentuada, com os investidores voltando sua atenção para os lucros corporativos da temporada de balanços, enquanto reavaliam as perspectivas para o crescimento global.

O índice S&P 500 teve forte elevação de 1,52%, com Dow Jones e Nasdaq 100 na mesma esteira, com valorização de 1,62% e 1,23%.

Além disso, o Departamento do Comércio americano divulgou hoje que o total de construções de moradias nos Estados Unidos subiu 6,3% em junho ante maio, para a taxa anual sazonalmente ajustada de 1,643 milhão de unidades. A leitura superou a previsão de analistas, que esperavam alta de 1,1%.

O número de maio foi revisado para baixo, de 1,572 milhão para 1,546 milhão. Já o total de permissões para novas obras registrou queda de 5,1% na comparação mensal de junho, a 1,598 milhão.

No JP Morgan View, os analistas destacaram que “a Variante Delta não representa um risco para os mercados”. Os investidores seguem preocupados que o avanço da nova cepa do coronavírus possa comprometer a retomada econômica.

Por outro lado, na visão do analista da Oanda, Edward Moya, a "aversão ao risco está firmemente estabelecida à medida que a propagação da variante delta está desencadeando um voo para a segurança conforme as preocupações econômicas globais se intensificam".

Os investidores globais estão ficando ansiosos e vendendo ações, que estavam em um cenário propício para recuos depois das altas consecutivos que levou os índices a renovarem recordes, avalia o analista. "É difícil manter ativos de risco no curto prazo, agora que ultrapassamos o pico de tudo" afirma sobre recuperação econômica e estímulos fiscais.

"As ações caíram ainda mais após relatos de que os EUA e aliados estão culpando indivíduos ligados ao governo chinês pelo hack do Microsoft Exchange", aponta Moya, sugerindo que a lista de problemas entre as duas maiores economias do mundo continua a crescer e provavelmente sugere que não veremos águas calmas tão cedo.

CPI da Covid: operador da propina

No cenário interno, apesar de estar com as oitivas temporariamente suspensas por conta do recesso, os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid no Senado continuam no radar do mercado.

Na véspera, o presidente da CPI, senador Omar Aziz, declarou ter certeza de que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, era o “grande operador” de um suposto esquema mensal de propina na Pasta.

Segundo Aziz, o esquema começou em 2018, durante a gestão do deputado e atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, no Ministério da Saúde, e continuou a partir de 2019, já com Dias nomeado.

Naquele ano, Barros extinguiu a Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi), responsável pela distribuição de vacinas e de outros insumos pelo governo federal, e a substituiu pela VTC Operadora Logística Ltda.

De acordo com matéria publicada pelo portal UOL, testemunhas relataram a senadores que a "operadora logística" contratada durante a gestão Barros seria um meio para desviar recursos do Ministério.

O esquema também beneficiaria Dias, que foi nomeado para trabalhar na pasta em 2019, e, de acordo com as denúncias, se encontrava "constantemente" com a CEO da empresa VTCLog, Andreia Lima Marinho.

Em entrevista ao portal UOL, Aziz disse que Dias "controlava todo o Ministério da Saúde" e que a CPI tem "fortes indícios" que apontam para a atuação do ex-diretor de Logística. "Vamos continuar investigando para que a gente possa, em cima dos fatos que nós temos, chegar aos nomes".

Apesar das provas que a comissão já acumula, Aziz sustenta que é preciso ter responsabilidade de "apontar o dedo": "Temos de ter responsabilidade e não expor pessoas sem ter certeza".

Segundo o senador, "Dias mentiu muito na CPI", por isso teve a prisão decretada. "Ele era um grande operador na Saúde, em muitos contratos assinados nos últimos anos enquanto esteve ali", disse Aziz.

No final de semana, o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues, anunciou que está prevista para acontecer entre os dias 26 e 29 de julho uma reunião virtual entre integrantes da CPI e juristas, a fim de embasar o relatório final da comissão. O responsável pela emissão do parecer definitivo é o senador Renan Calheiros.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas da Ásia voltaram a fechar majoritariamente em queda nesta terça-feira, na esteira das perdas registrados no mercado acionário de Nova York na véspera.

Na China continental, o índice Xangai Composto caiu 0,1%, aos 3.536,79 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto subiu 0,2%, aos 2.456,75 pontos.

Em Pequim, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) manteve na noite do dia anterior as taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos, conhecidas como LPRs.

A maioria dos analistas esperava a manutenção das taxas de juros, mas alguns como os do Barclays não descartavam um corte. Em meio à desaceleração do crescimento chinês, o PBoC anunciou há duas semanas uma redução do compulsório bancário. Agora, os economistas esperam mais medidas de estímulo.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng recuou 0,8% em Hong Kong, aos 27.259,25 pontos, e o Kospi teve baixa de 0,3% em Seul, aos 3.232,70 pontos.

"Os mercados na Ásia viram outra sessão negativa, à medida que os investidores avaliam a possibilidade de vermos mais fraqueza na retomada global", diz o analista-chefe de mercado da CMC Markets, Michael Hewson.

O Nikkei, por sua vez, caiu 1,0% no Japão, aos 27.388,16 pontos. As perdas foram lideradas por ações dos setores de energia e imobiliário. Por lá, há expectativa pela Olimpíada de Tóquio, que começa nesta semana.

No entanto, os organizadores do evento já confirmaram que pelo menos três atletas testaram positivo para a covid-19. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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