Mercado Financeiro

A Bolsa fechou em alta de 0,97% nesta sexta-feira, 6, aos 122.810,36 pontos, mostrando uma recuperação em relação ao desempenho registrado na sexta da semana passada. Na semana, o Ibovespa registrou um avanço de 0,83%, influenciado, sobretudo, pelos bons resultados apresentados nesta temporada de balanços corporativos trimestrais.

Neste pregão, o destaque positivo ficou com o desempenho das ações do setor financeiro, que subiram ao longo do dia refletindo os números apresentados pelo setor, em especial os do Itaú. As mineradoras e siderúrgicas também contribuíram para o avanço do Ibovespa, recuperando as perdas registradas na véspera.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

O Itaú fechou com alta de 2,80% na B3. Bradesco, Santander e Banco do Brasil também viram seus papéis avançarem, com variação positiva de 2,20%, 3,97% e 3,05%, respectivamente.

Dólar em alta

O dólar viveu um dia de volatilidade e fechou com uma queda de 0,32%, cotado a R$ 5,231. Durante a primeira hora de negócios, a cotação chegou a subir mais de 1%, mas perdeu força ao longo do dia.

No entanto, em relação à última sexta-feira, a moeda americana valorizou 0,38% ante o real. As preocupações com o risco fiscal no País contribuíram em boa dose para esse desempenho.

Sobe e desce na B3

Nesta sexta-feira, a Vale viveu um dia de alta na Bolsa o que ajudou a sustentar o Ibovespa no positivo. As ações da mineradora subiram 0,57%. Na mesma esteira, Usiminas e Gerdau reportaram avanço de 2,71% e 2,02%. A CSN, por outro lado, inverteu o sinal e fechou com queda de 0,48%.

Um dos destaques desta sexta-feira na B3 foi a Lojas Marisa, cujos papéis avançaram 6,79%, com as notícias sobre as intenções da Lojas Americanas em comprar a varejista de moda. Já as ações da Americanas caíram 2,41% depois do anúncio, sendo a maior queda da Bolsa nesta sexta-feira.

Após anunciar o fechamento de acordo para a compra da empresa australiana Huon, produtora de salmão, a JBS também colheu ganhos, com uma valorização de 1,94% em seus papéis.

Com a divulgação de seus resultados trimestrais, as empresas de energia Engie e Eneva reportaram alta de 1,54% e de 1,60%, respectivamente, em suas ações. O mesmo acontece com a incorporadora Tenda e a Hering, com avanço de 1,71% e 2,20%, na sequência.

A Petrobras, depois de cair pela manhã, fechou com ligeira alta de 0,14%.

Tensão política local

Apesar da alta das ações, a tensão política e instabilidade econômica continua assombrando os investidores, o que limita a subida do Ibovespa para patamares mais altos.

A instabilidade nessas duas frentes faz parte do radar dos investidores há algum tempo, mas ganhou contornos mais preocupantes nos últimos dias, e os investidores não disfarçam o sentimento de mal-estar.

No âmbito dos balanços corporativos, a semana fechou com a divulgação de mais três balanços trimestrais hoje, com destaque para o da empresa M Dias Branco, companhia do setor de alimentos, que costuma fazer parte das recomendações das casas de análise.

Bolsas de NY fecham sem direção única

A economia americana gerou 943 mil vagas em julho, informou o Departamento do Trabalho. A mediana dos analistas era de 900 mil postos. Além disso, a taxa de desemprego recuou de 5,9% no mês anterior para 5,4% em julho, comparada com uma previsão de 5,7%.

Com os dados positivos para a economia, mas que sugerem retirada de incentivos e elevação dos juros, as bolsas de Nova York fecharam mistas neste pregão. O índice S&P 500 apontou alta de 0,17% e o Dow Jones registrou elevação de 0,41%. Já a Nasdaq 100 caiu 0,48%.

A geração positiva de empregos seria indicação de uma retomada mais forte da economia, um dado que poderia levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a repensar a política de estímulos monetários, com a redução gradual de compra de ativos. Uma decisão vista como negativa para a bolsa de valores e estímulo para a alta do dólar.

Por outro lado, o quadro segue bem acima dos níveis anteriores à pandemia da covid-19, ou 5,7 milhões de pessoas ante fevereiro de 2020, diz a nota.

O relatório também aponta revisões para cima na geração de vagas em meses anteriores. Em maio, ela foi de 583 mil a 614 mil vagas geradas e, em junho, de 850 mil a 938 mil.

O salário médio por hora teve alta de 0,36% em julho ante junho, ante previsão de avanço de 0,30% dos analistas. Na comparação anual, o salário subiu 3,98% no mês passado, ante previsão de 3,80%.

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o condicionamento dos diretores do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) tomou um forte solavanco pela expressiva surpresa positiva dos dados sobre empregos.

"Hoje não me questiono se o Fed iniciará o tapering ainda neste ano, mas se de fato a redução será forte, para algo ao redor de um quarto dos atuais US$ 120 bilhões, ou será apenas a metade", analisa.

Para Sanchez, as discussões deverão ser anunciadas no evento de Jackson Hole, no fim do mês, conforme esperado. "O próximo payroll pode ser apenas a gota d'água para um copo que foi quase que completamente preenchido pela divulgação de hoje".

O processo de elevação dos juros de fato deverá ocorrer apenas no final de 2022, "mas não custa lembrar que há pouco tempo esperávamos tal elevação apenas em 2023", reforça o economista.

Voto impresso

No cenário local, a comissão especial da Câmara dos Deputados rejeitou na noite do dia anterior uma proposta para a adoção do voto impresso pelas urnas eletrônicas, em uma importante derrota para o presidente Jair Bolsonaro.

Por 23 votos a 11, o colegiado decidiu se posicionar contrariamente ao parecer do relator Filipe Barros, mesmo ele tendo apresentado na véspera um substitutivo com alterações à proposta a fim de angariar apoio.

Um acordo para acelerar a votação da proposta foi acertado por dirigentes partidários em meio à escalada da tensão entre Bolsonaro e a cúpula do Poder Judiciário, em especial o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre o voto impresso.

Sob ameaças de não haver eleições, Bolsonaro acusou o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, de interferir nas discussões da Câmara para evitar a aprovação da proposta.

Apesar da rejeição pela comissão, mais cedo o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que a proposta poderia ser votada pelo plenário da Casa mesmo se fosse rejeitada pelo colegiado.

Bolsas asiáticas fecham em queda

 As bolsas da Ásia fecharam sem direção única nesta sexta-feiramas o quadro negativo prevaleceu. Na Bolsa de Tóquio, houve ganhos, impulsionados em parte por ações ligadas ao setor de energia, enquanto Xangai caiu, com papéis de farmacêuticas sob pressão.

Em Tóquio, o índice Nikkei fechou em alta de 0,33%, aos 27.820,04 pontos. A Oanda afirma que, após dados mais fracos do que o previsto hoje de gastos dos consumidores no país, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês pode passar por revisão em baixa para todo o ano atual.

Já na China, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,24%, aos 3.458,23 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,16%, aos 2.443,06 pontos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,01%, aos 26.201,02 pontos. O índice chegou a recuar 0,7% durante o pregão, mas reduziu perdas adiante. Em Taiwan, o índice Taiex fechou em queda de 0,44%, aos 17.526,28 pontos.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi terminou em baixa de 0,18%, aos 3.270,36 pontos. Ações ligadas ao varejo e à tecnologia estiveram pressionadas em Seul. Além disso, a decisão do governo sul-coreano de estender regras de distanciamento social mais rígidas diante de nova alta em casos da covid-19 prejudicou o sentimento.

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 terminou em alta de 0,36%, aos 7.538,40 pontos, recorde histórico de fechamento pelo terceiro dia consecutivo. Ações dos setores financeiro e de tecnologia puxaram o movimento no mercado australiano nesta sexta-feira. / com Tom Morooka e Agência Estado

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