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Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: Bolsa atinge o menor nível do ano com Petrobras e exterior, aos 103 mil pontos; dólar sobe

Investidores adotam posição de cautela com tapering e cenário fiscal local

Data de publicação:29/10/2021 às 10:42 -
Atualizado 8 meses atrás
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Após um tombo de mais de 2% na véspera, a Bolsa transita pelo negativo, chegando a atingir o menor nível deste ano, aos 103 mil pontos nesta sexta-feira, 29. O pregão está sendo influenciado pela desvalorização das ações da Petrobras, que caem forte pela perspectiva de interferência do governo nos preços dos combustíveis, mesmo depois de divulgar bons resultados em seu balanço nas véspera. Ações da Vale recuam mais de 2,6%, refletindo seus números do trimestre levemente abaixo do esperado e recuo no preço do minério de ferro.

Soma-se a esse cenário negativo o movimento de cautela nos Estados Unidos, por conta da aproximação da retirada de estímulos da economia e os novos dados de inflação, além do cenário fiscal doméstico, ainda cheio de incertezas. Às 15h50, o Ibovespa recuava 1,68%, aos 103.929 pontos.

Foto: B3/Divulgação ações
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

O dólar segue volátil, em dia de Ptax no mercado de câmbio (vencimento de contratos), avanço dos Treasuries. às 15h55, a moeda americana à vista engatou alta e subia 0,31%, cotada a R$ 5,608.

Lá fora, os investidores seguem apreensivos com a proximidade do período de início do chamado tapering, a retirada de estímulos da economia que será feita pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), conforme já sinalizado pela autoridade monetária, o que deve impactar o cenário econômico mundial. Por lá, as bolsas também operam no vermelho.

Mesmo a forte temporada de balanços - até agora cerca da metade de empresas emissoras com grau de investimento tendo publicado balanços, o lucro delas até agora ficou em média 12% acima das expectativas, com as vendas superando as projeções em 2,2%, segundo o Bank of America (BofA) - não conseguem manter as bolsas americanas no azul nesta sexta-feira.

Além disso, o mercado internacional tomou conhecimento sobre os gastos com consumo nos Estados Unidos do mês de setembro, que avançaram 0,6% ante o mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio divulgados ao longo da manhã.

O resultado veio em linha com a expectativa dos analistas, mas, por outro lado, a renda pessoal registrou queda de 1% no mesmo intervalo, maior do que o recuo de 0,4% esperado pelo mercado.

A pesquisa também mostrou que o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) - medida de inflação preferida do Fed - subiu 0,3% em setembro ante agosto. O núcleo do indicador, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,2% no período, como previsto por analistas. Na comparação anual, o PCE subiu 4,4% e seu núcleo aumentou 3,6% em setembro.

No Brasil: cenário fiscal e balanços

O último dia do mês sela um período no qual o cenário fiscal, ainda cheio de incertezas, se mantém no radar dos investidores, com as indefinições sobre a acomodação dos gastos do programa social Auxílio Brasil a R$ 400 e a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos precatórios, adiada por diversas vezes pela Câmara.

Em paralelo, os balanços corporativos seguem com a temporada aquecida. Na véspera, o mercado conheceu os números de gigantes do setor de commodities, como a Petrobras e a Vale, que têm um forte peso na cesta de ativos do Ibovespa.

Os dados, principalmente da Petrobras, vieram acima do esperado, o que fez com que o presidente Jair Bolsonaro, em sua live da noite anterior, criticasse a petroleira – algo que deve reverberar no mercado.

 “A Petrobras é obrigada a aumentar o preço porque ela tem que seguir a legislação e nós estamos tentando aqui buscar uma maneira de mudar a lei”, afirmou. Além disso, reforçou que a empresa tem que ter um papel social e não pode gerar um lucro “tão alto”, disse.

Por outro lado, os especialistas avaliaram positivamente o resultado de ambas as companhias. “Tanto a Petrobras quanto a Vale se destacaram pela forte geração de caixa no terceiro trimestre. A Petro trouxe um resultado um pouco melhor do que o esperado e nos chamou a atenção o desempenho na parte de refino, além da forte distribuição de dividendos, na casa dos R$ 31,8 bilhões, o que entrega um dividend yield ao acionista de 8,5%”, avaliou Bruno Lima, head de equity do BTG Pactual.

Na questão fiscal, o foco agora é na possibilidade de o governo prorrogar o auxílio emergencial ou reeditar o estado de calamidade e usar crédito extraordinário, fora do teto, para financiar o Auxílio Brasil de R$ 400 em 2022, tendo em vista as dificuldades para aprovação da PEC dos Precatórios. Após vários adiamentos na Câmara por falta de quórum, uma nova tentativa de votação da proposta está prevista para a próxima quarta-feira, 3.

“Estamos em um ano pré-eleitoral, além da proximidade do fim do ano. Com a demora no andamento da agenda, vai ficando cada vez mais difícil concluir esses assuntos. E, em paralelo, o mercado de juros já está precificando isso”, enfatiza Lima.

Com a curva de juros seguindo com forte estresse, Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de renda variável do BTG recomenda cautela nos investimentos em títulos pré-fixados. “A volatilidade da curva impacta nesse tipo de ativo. Nesse momento, o ideal é diversificar a carteira de renda fixa também com títulos pós-fixados”.

Juros futuros

Os juros futuros dispararam até 46 pontos-base na ponta curta, e 25 p.b nos longos logo após a abertura, com pressão do fiscal e exterior, mas logo perderam força e há pouco caíam quase 20 pontos nos curtos. Segundo traders, o mercado passa por correção da alta "exagerada" da véspera e recentemente.

"O mercado está com ressaca, estressado. Sem profundidade e sem volume. A volatilidade deve se intensificar até encontrar um equilíbrio", afirma o operador de renda fixa sênior da Renascença DTVM, Luis Felipe Laudisio.

O sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Raymundo Faria Júnior, vai na mesma direção: "Juros aqui exageram na alta e devolvem um pouco. O movimento das últimas duas semanas é bizarro. E caem porque não tem lógica no momento" afirma, ressaltando que o mercado já vê Selic a 14% a partir do próximo ano.

Há, no entanto, incômodo com a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro está sendo aconselhado a fazer uma consulta formal ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a prorrogação do auxílio emergencial.

Às 9h56, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subia para 12,20%, de 12,41% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2025 caía para 12,32%, de 12,51%, e o para janeiro de 2027 caía a 12,29%, de 12,47% no ajuste de ontem.

Sobe e desce da Bolsa

Nesta sexta-feira, no sentido contrário da Petrobras, os papéis da PetroRio valorizavam 0,51%, às 16h00. Já as siderúrgicas seguem o ritmo de recuo da Vale, incluindo a Usiminas, que apresentou um lucro líquido 821% maior no terceiro trimestre ante o mesmo período anterior. Às 16h00, as ações da companhia despencavam 7,19%.

Os bancos também vivem um dia de desvalorização de seus papéis. Às 16h02, as ações do Itaú, Bradesco e Santander recuavam 1,80%, 2,00% e 1,03%, nesta ordem.

Repercutindo os resultados trimestrais, empresas como Suzano, Irani, ISA Cteep e Fleury registram avanço no pregão. Às 14h01, os papéis dessas companhias subiam 2,35%, 1,80%, 0,29% e 3,87%, respectivamente. Já o Assaí, após ficar no azul, virou o sinal e caía 1,28%.

Mais sobre a PEC dos precatórios

No dia anterior, o relator da proposta da PEC dos precatórios, Hugo Motta, disse que o que o Congresso não está dando "cheque em branco" para o governo gastar como quiser o espaço extra no teto de gastos, que será aberto com a aprovação da medida.

Ele demonstrou confiança na aprovação célere da PEC, tanto da Câmara quanto no Senado, e defendeu que a proposta é a "melhor saída" para ampliar a proteção social das famílias brasileiras.

Apesar da falta de quórum ontem para a votação da medida no plenário da Câmara dos Deputados, Motta demonstrou confiança na aprovação do texto na próxima quarta-feira, 3, "por ampla maioria". Em seguida, segundo ele, a tendência é que a apreciação também seja célere no Senado, presidido por Rodrigo Pacheco.

"Pacheco tem sensibilidade para com o tema, para votação rápida no Senado", disse Mota. Mais cedo, o ministro da Cidadania, João Roma, alertou que a PEC precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até, no máximo, a segunda semana de novembro, sob pena de o pagamento do Auxílio Brasil ter dificuldades para sair.

"Até o dia 15 de novembro, no caso antes, porque 15 é segunda-feira de feriado. Nosso apelo é para que, até a segunda semana de novembro, essa medida possa ser aprovada, porque, se não, terão dificuldades operacionais para fazer chegar o recurso à população", disse Roma a jornalistas na saída do Palácio do Planalto.

Do outro lado do mundo

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única nesta sexta-feira, com parte delas pressionadas por ações de fornecedores da americana Apple, que, na véspera, divulgou receita abaixo da expectativa em seu informe trimestral.

A decepção com o balanço da Apple pesou no índice sul-coreano Kospi, que caiu 1,29% em Seul, aos 2.970,68 pontos, e no Taiex, que recuou 0,32% em Taiwan, aos 16.987,41 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng também ficou no vermelho, com baixa de 0,70%, aos 25.377,24 pontos.

Outra gigante da tecnologia dos EUA, a Amazon, também publicou resultados trimestrais piores do que o esperado, contribuindo para o sentimento parcialmente negativo na Ásia.

Por outro lado, o Nikkei subiu 0,25% em Tóquio, aos 28.892,69 pontos, na expectativa para as eleições parlamentares do Japão do fim de semana.

Os mercados da China continental também se valorizaram, apagando parte de perdas recentes: o Xangai Composto avançou 0,82%, aos 3.547,34 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto mostrou alta de 1,60%, aos 2.400,03 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana teve um dia de perdas significativas, lideradas por ações dos setores imobiliário, de comunicações e financeiro. O S&P/ASX 200 caiu 1,44% em Sydney, aos 7.323,70 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.