Mercado Financeiro

No último pregão da semana, nesta sexta-feira, 2, a Bolsa abandonou as preocupações com a crise política, se animou com o mercado acionário de Nova York e subiu 1,56%, aos 127.621 pontos. Foi o suficiente para apagar as perdas acumuladas ao longo da semana com a proposta de reforma tributária proposta pelo governo, que não foi bem digerida pelos agentes do mercado sobretudo devido a taxação de dividendos. No acumulado da semana, a Bolsa fechou com uma leve valorização de 0,29% em relação à última sexta-feira.

A alta nos papéis da Vale (VALE3), com valorização de 1,99%, e Petrobras (PETR3 E PETR4), com altas de 0,81% e 0,38%, respectivamente, também influenciaram o resultado positivo.

dólar, que na última semana derreteu o patamar dos R$ 5, voltou a subir nesta semana e, em relação a sexta-feira passada, teve uma forte valorização de 2,33%. A moeda americana fechou o dia cotado a R$ 5,05, em alta de 0,008%.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Empregos nos EUA

O grande motivador dos mercados nesta sexta-feira foi o payroll, indicador sobre a geração de empregos nos Estados Unidos. Segundo informações do Departamento de Trabalho americano, a economia do país criou 850 mil empregos em junho. O resultado ficou dentro da faixa de expectativas dos analistas, que esperavam algo em torno de 500 mil a 1,05 milhão de novas vagas, e acima da mediana de 800 mil.

Na contramão, a taxa de desemprego dos EUA subiu 5,8%, em maio, para 5,9% em junho. A projeção era de queda da taxa, a 5,7%.

O número forte, que veio acima da mediana de 800 mil, sinaliza que a economia americana está com mais tração no processo de retomada, o que mais cedo ou tarde pode levar a uma revisão da política de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano). No entanto, a subida na taxa de desemprego aponta que essa alta não deve acontecer tão rapidamente.

Sobe e desce na B3

Nesta sexta-feira, apesar da queda no preço do minério de ferro no mercado chinês, as mineradoras e siderúrgicas reportaram alta em seus papéis, juntamente com a Vale. CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) tiveram ganhos de 3,78%, 1,45% e 2,80%, respectivamente.

Por mais um dia, a BR Distribuidora (BRDT3) trafegou no azul na Bolsa, após a notícia, divulgada na véspera da venda da participação da Petrobras na companhia. As ações da empresa fecharam em alta de 2,76%.

Influenciadas pela retomada econômica, as empresas de educação e turísticas também viveram um dia positivo, bem como as varejistas. Os papéis da Gol (GOLL4) registaram valorização de 3,08%. Já as companhias Cogna (COGN3), Ser (SEER3) e Yduqs (YDUQ3) avançaram 1,88%, 4,38% e 1,14%, na sequência.

No setor de varejo, as ações do Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3) e Lojas Renner (LREN3) fecharam em alta de 4,40%, 1,79% e 1,31%.

Dólar em alta

O dólar fechou em alta nesta sexta-feira, após trafegar no negativo algumas vezes durante o pregão, com os investidores refletindo os dados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos (payroll) e queda dos rendimentos dos Treasuries longos no país.

A moeda americana teve uma valorização de 0,16%, cotada a R$ 5,053.

NY: bolsas no azul

No cenário externo, as bolsas de Nova York fecharam com resultado positivo, com os investidores repercutindo o payroll de junho divulgado nesta manhã.

O índice S&P 500 reportou avanço de 0,75%, com Dow Jones na mesma esteira, com ganhos de 0,44%, e Nasdaq 100, com valorização de 1,15%.

A alta no número de empregos gerados no país – de 850 mil mil – veio em linha com as projeções dos analistas, porém acima da marca de 800 mil novas vagas. O Departamento do Comércio também revisou os números de geração de postos em maio, de 559 mil para 583 mil, e em abril, de 278 mil para 269 mil.

Em junho, o salário médio por hora aumentou 0,33% em relação a maio, ou US$ 0,10, a US$ 30,40. Neste caso, a previsão era de alta um pouco maior, de 0,40%. Na comparação anual, houve acréscimo salarial de 3,58% em junho, também abaixo do avanço previsto de 3,70%.

A geração de empregos no período indica que a economia americana está voltando para o ritmo de crescimento. Isso pode fazer com que o Fed reveja sua política de juros e antecipe os aumentos para serem aplicados já em 2022.

Além dos dados sobre novas vagas no mercado de trabalho americano, o Departamento de Comércio também trouxe novos dados econômicos. O déficit comercial dos Estados Unidos avançou 3,1% em maio ante abril, a US$ 71,24 bilhões.

O resultado veio próximo do esperado pelos analistas, que previam déficit de US$ 71,4 bilhões. Já o saldo negativo da balança de abril foi revisado para baixo, de US$ 68,9 bilhões para US$ 69,07 bilhões.

As exportações dos EUA subiram 0,6% na comparação mensal de maio, a US$ 206 bilhões, enquanto as importações tiveram alta de 1,3%, a US$ 277,3 bilhões.

As encomendas à indústria dos Estados Unidos cresceram 1,7% em maio, na comparação com o mês anterior, a US$ 495,5 bilhões, após ajustes sazonais, ainda de acordo com o Departamento de Comércio. O resultado veio em linha com a estimativa dos analistas.

Excluindo-se transportes, houve alta mensal de 0,7% em maio. Retirando-se o setor de defesa, a alta foi de 1,4%. O Departamento de Comércio ainda reviu a queda de abril ante o mês anterior nas encomendas à indústria para 0,1%. Anteriormente, o recuo registrado havia sido de 0,6%

CPI: reviravolta

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid seguem na pauta de atenção do mercado.

Na véspera, o colegiado ouviu o vendedor de vacinas Luz Paulo Dominguetti. Marcado por tensão, o depoimento de Dominguetti ganhou ainda mais tempero quando ele mostrou à CPI um áudio de uma conversa com o deputado Luis Miranda.

Na gravação, Miranda diz ter um “comprador com potencial pagamento instantâneo”. Aos senadores, o vendedor afirmou que a gravação fora enviada ao representante oficial da Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho.

O áudio seria a prova de que o deputado quis negociar vacinas dentro do Ministério da Saúde, local onde trabalha seu irmão, Luiz Ricardo Fernandes Miranda, chefe de importação do departamento de Logística da pasta.

Porém, os senadores suspeitaram da tentativa de colocar Miranda, que denunciou irregularidades no processo de aquisição de vacinas, como alguém que também tenha intermediado negociações.

Dominguetti confirmou à CPI que o diretor de Logística, Roberto Dias, que acabou sendo demitido, lhe cobrou propina de US$ 1 por d0se da vacina AstraZeneca, sob alegação de que para fechar contrato com a pasta era preciso pagar pedágio.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta sexta-feira, um dia após o presidente chinês, Xi Jinping, fazer forte discurso contra a interferência externa e à espera dos últimos números do mercado de trabalho dos EUA.

Na China continental, o Xangai Composto recuou 1,95% hoje, aos 3.518,76 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda semelhante, de 1,86%, aos 2.396,78 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,80%, aos 28.310,42 pontos.

Em discurso pela comemoração do centenário do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping fez apelos à unidade nacional e desafiou pressões internacionais.

O povo do país "jamais permitirá que nenhuma força estrangeira nos intimide, oprima ou escravize", afirmou o líder, em tom contundente.

A fala de Xi vem num momento de crescente pressão externa, em especial dos EUA, por supostas violações de direitos humanos cometidas pela China.

Investidores na Ásia também estão na expectativa para o último relatório de emprego dos EUA, que será publicado às 9h30 (de Brasília).

Também permanece no radar a variante delta do coronavírus, que se espalha rapidamente por dezenas de países e ameaça planos de reabertura econômica.

Em outras partes da região asiática, o índice acionário Kospi teve baixa marginal de 0,01% na bolsa sul-coreana hoje, aos 3.281,78 pontos, assim como o Taiex, que caiu 0,02% em Taiwan, aos 17.710,15 pontos.

Por outro lado, o japonês Nikkei subiu 0,27% em Tóquio, aos 28.783,28 pontos, impulsionado por ações dos setores automotivo e petrolífero.

Na Oceania, a bolsa australiana também contrariou o tom predominantemente negativo da Ásia, e o S&P/ASX 200 avançou 0,59% em Sydney, aos 7.308,60 pontos, igualmente ajudado por ações de petroleiras. / com Tom Morooka e Agência Estado

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