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Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: Bolsa sobe, puxada pela Vale e siderúrgicas; PEC dos Precatórios segue no radar

Investidores se mantêm em posição de cautela por conta das incertezas fiscais

Data de publicação:19/11/2021 às 10:41 -
Atualizado 6 meses atrás
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Após fechar o pregão da véspera atingindo o patamar mínimo desde 6 de novembro de 2020 (102.426 pontos), a Bolsa opera em alta nesta sexta-feira, 19, em alta, puxada pelas ações da Vale, que sobem mais de 3% com a elevação do preço do minério de ferro no mercado internacional, assim como as demais gigantes do setor.

Em paralelo, os investidores acompanham as tensões fiscais, que tem como base o imbróglio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios. Apesar de hoje ser um dia de vencimento de ações sobre opções na B3 - o que tradicionalmente traz volatilidade para os ativos - às 16h48, o Ibovespa subia 0,83% e recuperava o patamar dos 103 mil pontos - 103.275. O dólar à vista avança 0,70%, cotado a R$ 5,609.

Foto: B3/Divulgação mercado bolsa
Sede da B3 em São Paulo | Foto: Divulgação

Os desdobramentos da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios seguem na atenção dos investidores. O mercado acompanha o tema ao longo do dia, após a sinalização do relator no Senado, Fernando Bezerra, sobre “fatiar” a proposta para incorporar sugestões de senadores e assegurar o programa social Auxílio Brasil a R$ 400 ainda em dezembro. Segundo ele, a ideia é fazer mudanças, mantendo o texto já aprovado na Câmara.

A partir daí, haveria duas opções, sendo a primeira promulgar a parte do texto já avalizada pelas duas Casas e enviar a “PEC paralela” para a Câmara, sob o compromisso de votação rápida.

Porém, o relator da PEC no Senado não descarta um retorno de todo o texto à Câmara, para nova votação em bloco. “O fatiamento é uma possibilidade, mas não tem decisão tomada sobre isso”, afirmou. “Isso dependerá da natureza das alterações que serão inseridas no meu relatório”.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, se reuniu no dia anterior com Bezerra e mostrou disposição para aprovar o texto, mas não na versão que o governo espera.

Pacheco tem dito a interlocutores que a proposta não se transformará em uma “farra fiscal” com a digital do Senado, com espaço para o uso dos recursos a outras finalidades que não o programa social.

Sem votos suficientes para aprovação do texto no Senado, o governo analisa sugestões de ajustes, ainda que signifiquem uma tramitação mais demorada e o retorno do texto à Câmara dos Deputados.

As mexidas propostas por parlamentares “carimbam” recursos para o Auxílio Brasil, tornam o programa permanente e tentam evitar o descontrole de despesas. Entre senadores governistas, circula uma tabela que indica 40 votos favoráveis e 13 possíveis – um cenário indefinido, diante da necessidade de apoio de, no mínimo, 49 congressistas.

O retrato do placar acendeu o alerta no governo, que agora trabalha para virar votos e sensibilizar senadores sobre a importância da proposta para viabilizar o pagamento de, ao menos, R$ 400 aos beneficiários do novo programa social.

Mesmo a emenda apresentada pelos senadores Alessandro Vieira, José Aníbal e Oriovisto Guimarães na última quarta-feira, 17 – que propõe retirar os precatórios do teto de gastos – teria apoio limitado.

Essa versão teria 49 votos cravados a favor, o que, segundo analistas, dá pouco conforto à base aliada para levar a PEC para votação.

A área econômica prefere a aprovação do texto como veio da Câmara. Uma das razões é a de que a proposta de carimbar recursos na PEC para o Auxílio Brasil vai contra o mantra da equipe de evitar vinculações.

Juros futuros

pesar da aversão a risco no exterior, a manhã é de alívio na curva de juros, com mínimas sendo batidas há pouco, diante da possibilidade de fatiamento da PEC dos Precatórios no Senado, uma vez que a medida poderia ampliar o apoio da proposta na Casa e viabilizar a aprovação.

Às 9h15, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedia para 11,87%, de 11,96% no ajuste de ontem.

O DI para janeiro de 2025 recuava para mínima de 11,96%, de 12,09%, e o para janeiro de 2023 caía para 12,10%, de 12,18%.

Dados econômicos

Com uma agenda mais esvaziada nesta sexta-feira, o mercado tomou conhecimento dos dados atualizados do Monitor do PIB, indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O Produto Interno Bruto brasileiro recuou 0,1% no terceiro trimestre deste ano, frente aos três meses imediatamente anteriores, pela série com ajuste sazonal.

Na comparação com o mês de agosto, o monitor apontou alta de 0,3% no PIB, com ajuste sazonal. Em relação a setembro de 2020, houve avanço de 2,4% da atividade econômica.

Para os pesquisadores do Ibre/FGV, os resultados sugerem que "a economia brasileira reverteu a trajetória de recuperação que havia sido observada no terceiro e quarto trimestre de 2020 e no primeiro trimestre deste ano". A retração de 0,1% no terceiro trimestre ante o segundo será a segunda queda seguida na comparação com períodos imediatamente anteriores.

Os números do monitor estão em linha com as projeções dos economistas do mercado sobre a retração do crescimento do País para 2021. Segundo o último Boletim Focus, divulgado na terça-feira, 16, as estimativas para o indicador deste ano recuaram de 4,93%, na última semana, para 4,88%. E de 1,00% para 0,93% para 2022.

Sobe e desce da Bolsa

Nesta sexta-feira, a forte queda do preço do barril do petróleo impacta as ações das petroleiras no pregão. Às 14h36, a Petrobras e PetroRio caíam 1.96% e 2,95%, nesta sequência.

No sentido oposto, juntamente com a Vale, as siderúrgicas operam no terreno positivo, com a alta no minério de ferro na China de mais 5% no porto de Qingdao, na China, o que ajuda a reforçar a alta da Bolsa. Às 14h35, a CSN, Usiminas e Gerdau valorizavam 7,57%, 3,56% e 2,72%, nesta sequência.

Entre as altas mais expressivas da Bolsa durante a manhã estão o Magazine Luiza, que sobe mais de 7%, após a notícia de que a varejista está ingressando no desenvolvimento de jogos eletrônicos. E também o Grupo Soma, com avanço de 7,63% em suas ações. Dados atualizados às 14h55. O Banco Inter também segue nesta esteira, com avanço de 4,93%

As ações da Tim e a Vivo também sobem - 4,45% e 4,59%, às 14h34 - refletindo a notícia de que o Supremo Tribunal Federal reduziu a cobrança de ICMS para as empresas do setor de telecomunicações.

Entre as ações mais negociadas, às 14h58, se destacam a Vale, Petrobras, Magazine Luiza, Bradesco e Itaú.

Mercado americano

Lá fora, os futuros nas bolsas de Nova York operam mistos, com o mercado acompanhando os desdobramentos da votação do pacote de infraestrutura do presidente Joe Biden, de cerca de US$ 1,2 trilhão, que acontece a partir das 10 horas (horário de Brasília) na Câmara dos Representantes dos EUA. Seu destino ainda incerto.

Estão previstos ainda pronunciamentos de membros do Fomc (Copom americano), como o diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Christopher Waller, às 12h45, e do vice-presidente da autoridade monetária, Richard Clarida, às 14h15.

O pacote de Biden prevê gastos em educação, saúde e contra mudanças climáticas. Os democratas devem usar sua maioria estreita na Casa para avalizar uma peça central da agenda econômica do presidente Joe Biden, após meses de negociações.

Os republicanos estão unidos contra a legislação, que para eles trará mais inflação e desacelerará o crescimento.

Na tentativa de sensibilizar os parlamentares a aprovarem o pacote, a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, assegurou na véspera que os pontos da agenda econômica do governo que tramitam no Congresso americano "se pagam inteiramente por si só" e reduziriam a dívida pública, ao gerar mais de US$ 2 trilhões em receitas por meio do aumento de impostos para mais ricos.

Em comunicado, Yellen exortou os parlamentares a aprovarem o pacote conhecido como Build Back Better, que, na visão dela, vai melhorar as vidas de trabalhadores, crescer a economia, cortar tributos para a classe média e reduzir os custos das famílias.

Por lá, as ações globais continuam pairando em torno de suas máximas históricas, sustentadas pelo robusto crescimento dos lucros das empresas americanas. Mas as pressões sobre os preços, que acelera o aumento das taxas de juros e dificulta a recuperação da pandemia, estão trazendo neblina aos mercados.

O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse que seria apropriado tentar aumentar as taxas já no verão do próximo ano.

Do outro lado do mundo

Os mercados acionários da Ásia concluíram o pregão sem direção única nesta sexta-feira. Entre as principais bolsas, Tóquio e Xangai exibiram ganhos. Hong Kong, por outro lado, teve recuo de mais de 1%.

No Japão, o índice Nikkei subiu 0,50%, aos 29.745 pontos. A fraqueza do iene ajudou ações de exportadoras em Tóquio, enquanto notícias sobre eventuais estímulos econômicos no país reforçaram o quadro, com o governo preparando um pacote fiscal - confirmado após o fechamento dos mercados.

Nos mercados chineses, a Bolsa de Xangai fechou em alta de 1,13%, aos 3.560 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 1,20%, aos 2.605 pontos. Incorporadoras da China tiveram desempenho positivo, ainda com a percepção de que Pequim deve relaxar as condições de crédito.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng terminou em baixa de 1,07%, aos 25.049 pontos. Entre papéis negociados nessa praça, Cathay Pacific Airways caiu 1,11% e Bank of East Asia, 0,82%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi fechou em alta de 0,80%, aos 2.971 pontos, na Bolsa de Seul. Com isso, praça sul-coreana interrompeu uma sequência de três dias consecutivos de baixas. A LG Electronics subiu 9,0%, após a notícia de que a Apple acelera planos por um veículo autônomo movido a bateria, com a aposta de investidores de que a LG pode se beneficiar fornecendo componentes para esse projeto.

Em Taiwan, o índice Taiex registrou baixa de 0,13%, aos 17.818 pontos.

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 fechou em alta de 0,23%, aos 7.396,50 pontos. Ações ligadas a commodities puxaram o movimento para cima, com Rio Tinto e BHP subindo 0,83% e 1,14%, respectivamente. / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.