Mercado Financeiro

No primeiro dia do último trimestre do ano, enquanto a Bolsa opera em alta acentuada, o dólar cai forte. Às 14h08, recuava 1,42%, cotado a R$ 5,369. Já o Ibovespa subia 1,25%, recuperando os 112 mil pontos - 112.362.

A movimentação do mercado financeiro reflete os números econômicos globais de inflação, confiança do consumidor, produção industrial, entre outros, divulgados durante a manhã desta sexta-feira, 1, assim como as boas notícias sobre o desenvolvimento de um novo remédio para a Covid-19.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

No caso da Bolsa, soma-se ainda o reflexo positivo da valorização das ações da Petrobras, que tem um peso de mais de 9% na cesta de ativos do Ibovespa, e também dos bancos, que juntos, respondem por cerca de 17% dessa carteira. . Às 14h03, os papéis da petroleira avançavam 1,54%.

Na mesma trilha positiva, as ações dos grandes bancos também sobem forte. Às 14h21, o IFNC, índice da B3 que engloba os gigantes financeiros, disparava 2,51%.

Sobre o dólar, segundo operadores de câmbio, além da desvalorização da moeda no mercado externo e queda nos juros dos Treasuries, pesam na queda da moeda a possibilidade de o Banco Central reforçar a oferta de dólares, visando conter a pressão e volatilidade cambial, a fim de amenizar o impacto na inflação.

Junta-se a isso a disposição da autoridade monetária de levar a Selic, taxa básica de juros do país, até onde for possível para garantir o cumprimento das metas de inflação neste ano e em 2022. Em tese, esse movimento favoreceria a atratividade do real perante investidores estrangeiros.

Já os juros futuros operam em queda, em sintonia com o dólar e juros dos Treasuries longos, mas ganharam um pouco de força.

Mais cedo estavam mais perto da estabilidade, com viés de baixa e recuo de até 4 pontos-base. Embora o exterior favoreça uma retração das taxas, que já começaram a ter alívio na sessão estendida na véspera, permanece como pano de fundo a cautela com o cenário fiscal local.

Movimentação na Bolsa

No pregão desta sexta-feira, a Vale opera com volatilidade. Após abrir em alta, as ações chegaram a cair levemente e depois mudou o sinal novamente para o positivo. Às 14h05, os papéis da mineradora valorizavam 0,13%. As demais siderúrgicas também operam no azul. Ainda em commodities, a PetroRio avançava 3,84%, às 14h06.

Com o preço do barril de petróleo em queda, as empresas do setor aguardam a próxima reunião da Opep, que deve resultar em aumento no preço da commodity.

As ações da construtora MRV e do Grupo Oncoclínicas seguem em alta. A construtora concluiu a venda de um empreendimento na Flórida, nos Estados Unidos, por um Valor Geral de Venda (VGV) na ordem de US% 123 milhões. No mesmo horário, os papéis da MRV subiam 3,99%.

Já o Grupo Oncoclínicas, assinou memorando de entendimentos vinculante para a aquisição da Unity, grupo de clínicas oncológicas no Brasil por R$ 558 milhões e mais 45.765.246 ações. No mesmo horário, as ações da companhia disparavam 9,21%.

Após comunicarem a abertura de programas de recompras de ações, a BRF e a Cury têm desempenho positivo na Bolsa. Às 14h03, a indústria de proteína registrava avanço de 1,11% e a construtora, valorização de 2,08%.

A Embraer noticiou ao mercado que sua divisão de aviação agrícola concluiu o mês de setembro com a venda de 50 aeronaves Ipanema EMB-203 vendidas no ano, o que representa um crescimento de 100% sobre o total registrado durante o ano de 2020. Às 14h06, as ações da empresa aérea avançavam 3,80%.

Remédio para a Covid-19

As notícias sobre o desenvolvimento de um tratamento para a covid-19 animou aos mercados. Segundo o laboratório Merck, o molnupiravir, medicamento criado para o tratamento da doença, e feito em parceria com a Ridgeback Biotherapeutics, "reduziu significativamente" os riscos de hospitalização e morte pela doença, em análise feita com pacientes adultos que apresentaram sintomas leves a moderados.

No estudo, o medicamento diminuiu a chance de hospitalização ou morte em quase 50%e 7,3% dos pacientes testados foram internados ou à óbito, segundo a Merck.

A farmacêutica americana afirmou que deixará de recrutar mais voluntários devido aos resultados positivos, após consultar órgãos reguladores. A companhia disse que pretende emitir um pedido de Autorização de Uso emergencial ao Food and Drug Administration (FDA, a Anvisa dos EUA) "o mais rápido possível".

No Brasil, os números também são positivos. O número de brasileiros com esquema vacinal completo com duas doses ou com o imunizante de aplicação única é de 91,4 milhões, o que corresponde a 42,87% da população. Foram registradas 2.135.951 aplicações contra a covid-19 nas últimas 24 horas no Brasil.

Com a vacinação em andamento no País, 146.605.293 pessoas estão parcialmente imunizadas, ou seja, receberam uma dose. Em relação ao total da população, este número equivale a 68,73%.

Em relação às mortes, o mês de setembro encerrou como o período com menos mortes pela doença neste ano até aqui. No total 16.275 óbitos em setembro, ante 24.088 em agosto, contra 29.558 em abril, o período mais letal.

Inflação global

Assim como no Brasil, a inflação é o principal tema de atenção nos mercados internacionais desta sexta-feira. No mundo, o indicador segue avançando, influenciado principalmente pelo aumento dos custos com energia elétrica.

Na Europa, a taxa anual do indicador ao consumidor (CPI, em inglês) subiu 3,4% em setembro, ante alta de 3% observada em agosto. O resultado veio levemente acima das expectativas dos analistas, que previam avanço de 3,3%.

A prévia do mês passado, a mais alta desde setembro de 2008, deixa a inflação do bloco ainda mais distante da meta do Banco Central Europeu (BCE), que busca uma taxa de 2%.

Poucas horas depois foi a vez da divulgação do índice PCE (Despesas de Consumo Pessoal, na sigla em inglês) dos Estados Unidos de agosto. O indicador apontou alta de 0,4% sobre julho e somou uma expansão de 4,3% em 12 meses.

O PCE é o indicador de inflação que mais chama a atenção do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que usa seus resultados para calibrar o ritmo de redução dos estímulos monetários.

Ainda na zona do euro, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial caiu de 61,4 em agosto para 58,6% em setembro, atingindo o menor patamar desde fevereiro, de acordo com o IHS Markit.

O número ficou ligeiramente abaixo da previsão dos especialistas, que esperavam 58,7 para o indicador. Apesar da queda, o resultado bem acima da marca de 50 mostra que a manufatura do bloco continuou se expandindo de forma vigorosa no último mês.

Wall Street: pacote de infraestrutura e shutdown

Ainda no mercado internacional, o cenário político fiscal americano segue sendo acompanhado bem de perto pelos investidores. Os temores sobre um possível shutdown foram aliviados temporariamente, com a aprovação de uma medida chamada "resolução contínua" que evita a paralisação da máquina pública. Com isso, as bolsas de Nova York operam em alta.

O texto prevê recursos para o financiamento do governo até o dia 3 de dezembro. Para que o shutdown não ocorra, Biden precisa assinar a medida até às 00h59 desta sexta-feira, pelo horário de Brasília.

Em meio a uma disputa política entre democratas e republicanos, um projeto anterior que evitaria o shutdown havia sido rejeitado no Senado no começo da semana. Isso ocorreu porque os governistas atrelaram a medida à suspensão do teto da dívida, que a oposição decidiu não apoiar.

Os desdobramentos sobre o pacote de infraestrutura de U$ 1,2 trilhão do governo Biden também seguem no radar. No dia anterior, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que as negociações pela aprovação dos investimentos nos Estados Unidos se mantêm e que “todos os lados devem ter que ceder um pouco”.

Na véspera terminou o prazo para a votação dos pacotes no Congresso. A representante apontou, em coletiva de imprensa, que houve progressos no tema nos últimos dias, e que ainda acredita em uma aprovação.

Segundo Psaki, a questão é uma prioridade para o presidente dos EUA, Joe Biden, que vem se engajando em conversas com legisladores, como o senador democrata moderado Joe Manchin, um crítico dos valores envolvidos nos pacotes.

Auxílio Brasil, Desconto Gás e crise hídrica

Na cena interna, o mercado está de olho nas estratégias que o governo busca para encaixar o Auxílio Brasil nas despesas sem furar o teto de gastos, além da possível continuidade do auxílio emergencial. Em paralelo, o capítulo sobre o presidente Jair Bolsonaro e os combustíveis ainda segue sendo escrito.

Na véspera, o chefe do Executivo citou, em transmissão ao vivo nas redes sociais, a possibilidade de repassar dividendos da Petrobras a um fundo regulador que possa modular a alta dos combustíveis, hoje um dos vilões da inflação.

Segundo Bolsonaro, ele discutiu a possibilidade com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano. “Temos de buscar solução para isso”, enfatizou.

A possibilidade de criar um fundo regulador que amenize o impacto de oscilações do mercado internacional sobre o preço dos combustíveis já tinha sido sugerido na quarta-feira, 29, pelo presidente da Câmara, Arthur Lira.

O parlamentar disse que a medida não alteraria a política de preços da Petrobras, explicada pelo presidente a seus apoiadores durante a live.

Sobre o programa Desconto Gás, que envolve subsídios para famílias carentes adquirirem botijão de gás, Bolsonaro disse que espera que a política da petroleira “se concretize”. A empresa liberou R$ 300 milhões para subsidiar o programa, o que deve atingir 2% dos beneficiários do Bolsa Família.

Segundo o presidente, a Petrobras vai entregar um botijão de gás a cada dois meses aos inscritos no programa. "É uma ajuda, é um alento", afirmou em transmissão ao vivo nas redes sociais.

Na live, Bolsonaro falou sobre os efeitos da crise hídrica na inflação, devido à elevação dos preços nas contas de energia. O chefe do Executivo voltou a pedir à população que desligue um ponto de luz. Na semana passada, ele havia pedido aos brasileiros para tomar banho frio.

Bolsas asiáticas

Do outro lado do mundo, o clima azedo dos mercados internacionais respingou no desempenho das bolsas asiáticas, que fecharam em baixa nesta sexta-feira. Na China e em Hong Kong, os mercados não operaram devido a feriados.

O índice japonês Nikkei liderou as perdas na Ásia, com queda de 2,31% em Tóquio, aos 28.771,07 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi caiu 1,62% em Seul, aos 3.019,18 pontos, e o Taiex recuou 2,15% em Taiwan, aos 16.570,89 pontos.

Na China continental, as bolsas estão fechadas por causa do feriado da Semana Dourada, que começou hoje e se estende até 7 de outubro. Em Hong Kong, também não houve negócios nesta sexta em razão de um feriado.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho hoje, com queda de 2% do S&P/ASX 200 em Sydney, aos 7.185,50 pontos, influenciada principalmente pelo setor financeiro (-2,8%). / com Tom Morooka e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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