Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: Bolsa busca recuperação apoiada por bancos e Petrobras; dólar cai

Investidores acompanham os desdobramentos do cenário fiscal do País

Data de publicação:20/10/2021 às 01:47 - Atualizado um mês atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Após buscar recuperação depois do tranco do dia anterior, a Bolsa chegou a cair com a confirmação do presidente Jair Bolsonaro de adotar o valor de R$ 400 para o Auxílio Brasil. No entanto, conseguiu depois retomar o viés de alta, apoiada pelo avanço das ações da Petrobras e dos bancos.

Às 16h50, o Índice Bovespa subia 0,33% e retomava o patamar dos 111 mil pontos - 111.033. Já o dólar seguia no caminho oposto, com queda de 0,79%, cotado a R$ 5,550.

Foto: Be/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Às 16h50, as ações dos bancos subiam com convicção mais de 2%. As do Itaú avançava 2,30%, do Bradesco, 3,15% e Santander, 3,01%. O IFNC, índice financeiro da B3 que engloba os grandes bancos, refletia esses comportamento e apresentava alta de 3,00%. Os papéis de Petrobras registravam alta de 1,71%.

O principal assunto doméstico que mantém o mercado em estado de alerta é o Auxílio Brasil, programa social do governo que irá substituir o atual Bolsa Família. A movimentação para encaixar suas despesas no teto de gastos do País a cada dia ganha um novo capítulo, sem uma definição para o assunto.

No dia anterior, enquanto o mercado digeria a possibilidade de elevar o auxílio social a R$ 300 e dentro do teto de gastos, a informação sobre a intenção do presidente Jair Bolsonaro de anunciar um benefício de R$ 400 em 2022 levou a um mal-estar generalizado, com o temor de mais instabilidade econômica e avanço da inflação.

No fim do expediente, o anúncio do novo programa, que seria feito pelo governo, acabou sendo cancelado e os líderes se reuniram para novas discussões sobre o assunto.

Após o encontro, o presidente da Câmara, Arthur Lira, evitou falar sobre o tema. "Não vou falar sobre perspectivas, vou esperar, o governo está trabalhando, os líderes do governo estão trabalhando, os ministros estão trabalhando, vamos esperar que nasça a proposta", afirmou.

O problema de elevar o valor do Auxílio Brasil é que não estão previstas novas fontes de receitas, por conta da morosidade da aprovação da reforma tributária – que foi levantada como uma possível alternativa para acomodar os gastos – ou da PEC dos precatórios, que teve sua votação remarcada para esta quarta-feira.

Além disso, o acréscimo de R$ 100 no valor seria contabilizado fora do teto de gastos do governo. O estresse levou diversos analistas, segundo Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de renda variável do BTG Pactual, a fazer uma revisão nas projeções sobre o próximo ajuste da Selic, taxa básica de juros, elevando de 1% para 1,25%.

O próprio diretor de política monetária do Banco Central, Fabio Kanczuk, sinalizou que se o risco fiscal aumentasse, poderia haver mudanças no plano de voo da política monetária do País.

Zanlorenzi destaca que esse tipo impasse acaba travando o andamento da agenda de votações, e isso pode empurrar essas definições para 2022, ano de eleições no qual esse tipo de votação acaba saindo da prioridade do governo.

O assunto gerou tensão dentro do próprio Ministério da Economia, cujos principais auxiliares do ministro Paulo Guedes vem trabalhando focados na contenção de danos que o programa possa causar aos cofres públicos.

Mesmo que o gasto seja temporário, a medida vai contra o que vinha sendo defendido pelo Ministério da Economia. Em várias reuniões, o secretário Especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, deixou claro que não assinaria nenhuma medida que envolvesse a edição de créditos extraordinários, que ficam fora do teto de gastos.

O próprio ministro tem evitado tocar no assunto nas conversas com interlocutores, tamanha é a sua frustração em relação ao desfecho das negociações.

Sua reação ainda é considerada uma incógnita, apesar de assessores terem negado no último fim de semana que ele vá deixar o governo. No mercado, a pergunta que está sendo feita é se Guedes ficará no cargo.

A área econômica ainda vê riscos elevados de o Congresso deixar todo o auxílio fora do teto de gastos durante a tramitação no Congresso da proposta de emenda à Constituição (PEC) dos precatórios.

Essa PEC, enviada originalmente para tratar do pagamento de dívidas judiciais do governo, será o veículo para permitir a flexibilização da regra do teto em favor do Auxílio Brasil.

Por que o investidor reage mal a esse tipo de cenário?

Situações que redundam quase sempre em juros mais altos, como no atual ciclo de elevação da Selic conduzido pelo Banco Central, prejudicam o crescimento e os investimentos produtivos. O consumidor põe freio nas compras, a produção cai e a economia cresce menos.

Esse é um dos motivos pelos quais a incerteza fiscal deprime o mercado de ações, porque é um cenário que leva a uma pressão sobre os juros futuros, que é a referência de custos para as empresas que precisam de crédito.

Custos mais altos nos financiamentos, por sua vez, reduzem o faturamento e achatam o lucro das empresas endividadas, levando à perda de valor de suas ações negociadas na Bolsa.

A ação é considerada um ativo real, uma fração do capital da empresa do qual o investidor é acionista, portanto uma proteção contra a inflação. Até certo ponto.

Essa redução de atratividade das ações, combinada com a alta dos juros, leva o investidor a prestar mais atenção na renda fixa, que, com as taxas de remuneração nas alturas, passa a ser forte concorrente na atração de investidores da Bolsa.

Juros futuros

Os riscos fiscais sustentam os juros futuros em alta pela segunda sessão seguida, apesar do dólar estar em queda ante o real e juro dos Treasuries também em baixa, com a T-Note de 10 anos nas mínimas mais cedo. O que mais pesa é a indefinição sobre o tamanho do Auxílio Brasil.

Sobe e desce da B3

Nesta quarta-feira, as ações das siderúrgicas operam no vermelho, refletindo a queda no preço do minério de ferro na China. No caso da Vale, nem sua prévia operacional, divulgada na noite anterior, que aponta avanço nas vendas da commodity no período, estão conseguindo manter as ações da companhia no azul.

Às 14h51, as ações da Vale desvalorizavam 2,87%, enquanto que os papéis da Usiminas e Gerdau caíam 3,72% e 1,58%, respectivamente. A CSN, que antes estava operando em alta, virou o sinal e passou a cair 0,43%.

Após oficializar a compra da Neoway por R$ 1,8 bilhão - maior aquisição de sua história - as ações da B3 operavam em alta de 4,63%, às 14h56.

A Embraer comunicou que sua controlada EmbraerX firmou um acordo com a Republic Ariways para utilização da plataforma de coordenação de manutenção Beacon, para avançar na transformação digital. No mesmo horário, os papéis da empresa aérea recuavam 1,24%.

O Ministério de Minas e Energia informou que a privatização da Eletrobras deve acontecer no primeiro trimestre de 2022. Segundo comunicado, após a venda, a participação do governo na companhia será de, no máximo, 45%. Às 14h58, as ações da estatal desvalorizavam 3,11%.

Precatórios: mais detalhes

Outro assunto que causa preocupação ao mercado é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios. A sessão de votação, prevista para o dia anterior, foi cancelada e remarcada para esta quarta-feira.

O relator da PEC, deputado Hugo Motta, tem dito a interlocutores que "está aberto" a mudanças, mas ainda não há nada definido.

A votação da PEC é considerada importante porque é ela quem abrirá espaço para o novo programa social Auxílio Brasil e outras despesas, já que "empurra" parte dos R$ 89,1 bilhões previstos em pagamentos com precatórios em 2022 para o ano seguinte.

Em seu parecer, apresentado há duas semanas, o relator prevê que, a cada exercício, haverá um teto para o pagamento dos precatórios estabelecido pelo valor pago em 2016, corrigido pela inflação.

No ano que vem, o limite seria de cerca de R$ 40 bilhões, o que abre um espaço de R$ 50 bilhões para outras despesas.

O texto de Motta prevê ainda que o limite de cada exercício será reduzido da projeção para a despesa com o pagamento de requisições de pequeno valor para o mesmo exercício, que terão prioridade no pagamento. Os precatórios que não forem pagos em um ano terão prioridade no seguinte.

CPI da Covid: Bolsonaro

Com os trabalhos chegando ao fim, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado não deve mais acusar o presidente Jair Bolsonaro de homicídio qualificado e nem de genocídio contra as populações indígenas em seu relatório final.

O indiciamento do presidente por estes dois crimes estava presente na minuta mais recente do documento preparado por Renan Calheiros, mas os senadores do chamado “G7” da CPI fecharam um acordo para remover os dois crimes durante uma reunião realizada na noite do dia anterior.

Bolsonaro ficou especialmente irritado com o indiciamento por homicídio qualificado e o tipo penal acabou sendo removido por sugestão do senador Alessandro Vieira.

No exterior

Lá fora, o ritmo de divulgação dos balanços corporativos do terceiro trimestre segue a todo vapor. Após dados da Netflix terem vindo acima do esperado, nesta quarta-feira será a vez do mercado conhecer os números da United Airlines, IBM e Tesla. Nos Estados Unidos, as bolsas operam em leve alta.

Por outro lado, a temporada de divulgação dos números trimestrais das empresas tirou dos holofotes algumas preocupações sobre uma desaceleração da recuperação econômica no cenário de pós-pandemia, arrefecendo também parte das pressões de preços alimentadas  pelos custos de energia e redução do apoio do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Para o gerente de portfólio da casa de investimentos Villere & Co., Lamar Villere, uma série de balanços fortes ajudaram a acalmar os medos de investidores quando às fortes leituras de inflação recentes nos EUA. "Eu não diria que a névoa foi dissipada ou o medo se foi, mas pelo menos você tem alguns dados razoavelmente positivos", disse ele.

Membro da cúpula do Fed, Christopher Waller, no entanto, disse estar "muito preocupado" com a possibilidade de que a inflação no país não tenha caráter transitório, e por isso disse cogitar a possibilidade da entidade elevar as taxas de juros para responder à uma contínua alta nos preços.

Em comentário similar, Michelle Bowman afirmou acreditar que a escalada recente da inflação nos EUA deve se estender por um período mais longo do que o previsto originalmente.

Entre outros dirigentes do Fed, o presidente da distrital de Richmond, Thomas Barkin, disse que a escassez de oferta que afeta o mercado de trabalho americano pode se estender para além da pandemia.

O chefe do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, adotou visão contrário, ao afirmar que espera melhora no emprego com o término da crise sanitária.

Enquanto isso, o progresso na agenda econômica do presidente Joe Biden parece estar mais próximo depois que os democratas do Congresso avançaram na quebra de um impasse sobre o pacote de impostos e gastos na ordem dos trilhões de dólares.

Na Europa, a manhã foi marcada pela divulgação de diversos dados econômicos. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 3,4% em setembro ante igual mês do ano passado, acelerando em relação à alta de 3% observada em agosto, segundo revisão divulgada pela Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia. O resultado confirmou a estimativa preliminar e veio em linha com a expectativa dos analistas.

A inflação do bloco no mês passado se afastou ainda mais da meta oficial de 2% do Banco Central Europeu (BCE), ao atingir o maior patamar desde setembro de 2008. Em relação a agosto, o CPI da zona do euro avançou 0,5% em setembro, também como se previa.

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha subiu 14,2% em setembro deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado, conforme dados publicados nesta quarta-feira, 20, pela Destatis, agência oficial de estatísticas do país.

Segundo o levantamento, este é o maior aumento desde outubro de 1974 quando o índice registrou alta de 14,5%, por causa do primeiro choque do petróleo. Na comparação com o mês anterior, houve um avanço de 2,3% nos preços ao produtor.

Do outro lado do mundo, as bolsas na Ásia e Pacífico fecharam sem direção única nesta quarta-feira, após o banco central chinês deixar seus juros principais inalterados por mais um mês, apesar de recentes sinais de desaceleração econômica.

Na China continental, o dia foi de perdas modestas: o índice Xangai Composto recuou 0,17%, aos 3.587,00 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,11%, aos 2.420,04 pontos.

O PBoC, como é conhecido o BC chinês, decidiu manter os juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos nos níveis atuais pelo 18º mês consecutivo, embora o Produto Interno Bruto (PIB) da China tenha desacelerado mais do que o esperado no terceiro trimestre.

Analistas preveem que o PBoC eventualmente relaxará sua política monetária, mas por meio de um novo corte dos compulsórios bancários.

Em outras partes da região asiática, o japonês Nikkei subiu 0,14% em Tóquio, aos 29.255,55 pontos, ajudado por ações dos setores ferroviário e aéreo.

O Hang Seng avançou 1,35% em Hong Kong, aos 26.136,02 pontos, impulsionado por papéis de tecnologia. O sul-coreano Kospi cedeu 0,53% em Seul, aos 3.013,13 pontos, revertendo ganhos de mais cedo, e o Taiex registrou baixa marginal de 0,08% em Taiwan, aos 16.887,82 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul. O S&P/ASX 200 avançou 0,53% em Sydney, aos 7.413,70 pontos, com a valorização liderada por ações de grandes bancos domésticos, que representam quase 30% do índice. / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Julia ZilligRepórter do Portal Mais Retorno.
Mais sobre