Mercado Financeiro

A Bolsa fechou o pregão desta quarta-feira, 14, em leve alta de 0,19%, marcando 128.406,51 pontos. A valorização foi puxada mais pelo setor financeiro, a porta de entrada dos estrangeiros na B3. O discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), reforçando que a alta da inflação no EUA é temporária, encoraja os investidores globais a apostar em mercado emergentes, como o do Brasil, uma vez que a sinalização é a de que juros não subam de imediato.

Repercutindo os dados econômicos americanos e locais, além das expectativas favoráveis ao andamento da reforma tributária no País, o dólar viveu um dia de forte queda e voltou a operar abaixo do patamar dos R$ 5,10. A moeda americana caiu 1,87%, cotada a R$ 5,084.

Foto: envato
Dólar volta a operar abaixo dos R$ 5,10 - Foto: Envato

Os papéis do Itaú e Bradesco registraram leve alta de 0,03% e 0,04%, respectivamente. O Banco Inter, por sua vez, saltou 5,48%. O Santander, no entanto, começou o pregão subindo, mas fechou o dia com uma baixa de 0,21%.

A valorização do Ibovespa foi até maior durante o pregão desta quarta, chegando a máxima de 129.620 pontos. Entretanto, como explica Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, o setor siderúrgico pesou, fazendo com que o mercado devolvesse boa parte dos ganhos, após Paulo Guedes, ministro da economia, afirmar que pretende reduzir as taxas de importação de aço.

Com a notícia, as mineradoras e siderúrgicas, que começaram o dia em alta, fecharam com uma queda acentuada. As ações da Vale, Usiminas, CSN e Gerdau desvalorizaram 0,73%, 3,41%, 4,00% e 1,51%, na sequência.

Dólar em queda

A queda do dólar, de 1,87%, está ligada à divulgação do índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) dos Estados Unidos de junho, que apresentou alta de 1% ante maio, segundo dados com ajustes sazonais publicados pelo Departamento de Trabalho americano.

O resultado veio bem acima da expectativa dos analistas do mercado, que previam aumento de 0,6%.

Já o núcleo do PPI, que exclui os preços de alimentos e energia, também avançou 1% na comparação mensal de junho. Neste caso, a projeção era de acréscimo de 0,5%.

Na comparação anual, o PPI teve alta de 7,3% em junho, a maior desde que o indicador começou a ser calculado, em novembro de 2010.

Sobe e desce da B3

A alta mais relevante do pregão ficou por conta das ações da Smart Fit, que estreou hoje na B3 e teve uma valorização de 32,65% em seus papéis.

Refletindo as perspectivas de retomada econômica, os papéis das aéreas também fechou no positivo. A Gol reportou alta de 1,30%.

Após anunciar a compra da empresa de sapatos My Shoes ao mercado, os papéis da Arezzo subiram 1,93%.

Pelo lado negativo, além das mineradoras e siderúrgicas, que registraram as maiores quedas do dia, outra empresa importante na carteira teórica da B3, a Petrobras, caiu 1,04%.

Dados do Banco Central

No cenário local, o Banco Central divulgou durante a manhã o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, de maio, que registrou queda de 0,43% no mês ante abril, com elevação de 0,85%. O resultado de maio veio abaixo do esperado pelos analistas, que estimavam alta de 1,05%.

Na comparação entre os meses de maio de 2021 e maio de 2020, houve alta de 14,21% na série sem ajustes sazonais. Desempenho que também veio abaixo da mediana esperada (+15,80%) e dentro do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro.

Reforma tributária: mudanças agradam

As mudanças sinalizadas na reforma tributária estão influenciando positivamente os ânimos dos investidores, de acordo com os especialistas. As novas alterações foram muito bem recebidas pelo mercado, segundo Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

Dentre elas está a possibilidade de redução de alíquota de imposto de renda sobre as empresas, além de anúncio de volta de isenção tributária sobre os dividendos pagos pelos fundos imobiliários. Há perspectivas de que a reforma seja apreciada na Câmara ainda esta semana.

Wall Street com índices em alta

No cenário externo, as bolsas de Nova York fecharam em alta com a divulgação dos dados do PPI americano, que, conforme dito acima, vieram acima do estimado pelos analistas e no aguardo de novos números dos balanços corporativos trimestrais.

O índice S&P 500 registrou ganhos de 0,14%, com Dow Jones e Nasdaq 100 na mesma esteira, com valorização de 0,13% e 0,17%.

Nesta quarta o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a falar sobre inflação durante depoimento no Congresso americano. Nos últimos meses, Powell e outros dirigentes do Fed têm avaliado o avanço da inflação nos EUA como "temporário" e o discurso permaneceu semelhante hoje, mantendo a taxa de juros do país baixa e continuando com os estímulos monetários.

Nesta quarta-feira, o mercado também conheceu os números do 2º trimestre de empresas como o Bank of America (BofA), Citigroup, BlackRock, Delta Airlines, entre outros.

CPI da Covid: direito ao silêncio

Na véspera, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, ouviu a diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades. Porém, ao longo de sua oitiva, permaneceu em silêncio amparada pelo pedido autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de se manter em silêncio sobre questões que podem incriminá-la.

Emanuela depôs à comissão, mas se recusou a responder qualquer pergunta, o que gerou insatisfação entre os senadores.

Porém, ao longo do dia, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, emitiu uma nova decisão sobre o pedido de habeas corpus da diretora, e disse que a CPI tem autonomia para a analisar se a depoente abusa ou não do direito de ficar em silêncio.

Em paralelo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheo, vai garantir o ato para prorrogar os trabalhos da comissão. O requerimento deve ser lido nesta quarta-feira. Com isso, a CPI terá mais 90 dias de funcionamento e deve conduzir as investigações até o final de outubro.

A prorrogação representa uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro e aumenta o desgaste do Palácio do Planalto. A comissão investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra de vacinas e já emitiu sinais de que deve apontar responsabilidade direta de Bolsonaro.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quarta-feira, seguindo o comportamento de Wall Street, após um novo salto da inflação ao consumidor nos EUA reavivar temores sobre aperto monetário.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,38% em Tóquio hoje, aos 28.608,49 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,63% em Hong Kong, aos 27.787,46 pontos.

O o sul-coreano Kospi desvalorizou 0,20% em Seul, aos 3.264,81 pontos, e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com perda marginal de 0,01%, aos 17.845,75 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve queda de 1,07%, aos 3.528,50 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto cedeu 0,88%, aos 2.470,07 pontos.

Os preços vêm ganhando força em escala global este ano, à medida que a economia mundial se recupera dos choques da pandemia de covid-19. A disseminação de variantes da doença, no entanto, tem forçado vários países a rever planos de reabertura.

Na Oceania, a bolsa australiana ignorou o tom negativo de Wall Street e da Ásia e ficou no azul, com ganhos em quase todos os setores. O S&P/ASX 200 avançou 0,31% em Sydney, aos 7.354,70 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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