Mercado Financeiro

O mercado financeiro, que acompanha de perto dados de crescimento econômico e inflação, conhecerá nesta quarta-feira, 14, os dados do IBC-Br - Índice de Atividade Econômica do Banco Central, de maio. O dado é considerado uma antecipação do PIB calculado pelo IBGE, embora por metodologia diferente da utilizada pelo Banco Central.

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O IBC-Br sinaliza o avanço da atividade econômica no País, é uma prévia do PIB - Foto: Arquivo

Analistas não esperam surpresas nesse indicador de atividade. Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, estima um avanço de 0,2%, inferior ao de 0,4% de abril, mas que indicaria continuidade ao movimento de retomada observado em abril.

Nessa toada, o IBC-Br reforçaria a expectativa de um resultado ligeiramente positivo do PIB no segundo trimestre (abril-junho), impulsionado pelo bom desempenho do varejo ampliado e da indústria.

O otimismo global e a perspectiva de reabertura da economia doméstica, com a aceleração do processo de vacinação contra o coronavírus, continuam mantendo o clima relativamente animado no mercado.

A crise política permanece no radar, mas sem impactar diretamente o rumo dos negócios. O mercado continua monitorando os ruídos políticos gerados na CPI da Covid, as denúncias de corrupção contra integrantes do governo e a queda de popularidade do presidente Bolsonaro.

Mudanças na reforma

O que influenciou positivamente os ânimos dos investidores, de acordo com os especialistas, foram as mudanças sinalizadas na reforma tributária, muito bem recebida pelo mercado, segundo Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

Dentre as alterações está a possibilidade de redução de alíquota de imposto de renda sobre as empresas, além de anúncio de volta de isenção tributária sobre os dividendos pagos pelos fundos imobiliários. Há perspectivas de que a reforma seja apreciada na Câmara ainda esta semana.

A agenda econômica externa prevê a divulgação nesta quarta-feira do estoque bruto de petróleo nos EUA, um dado que pode dar alguma sinalização sobre a inflação, pois poderia influenciar o índice de preços ao consumidor americano.

Menor estoque de petróleo, de acordo com analistas, estaria indicando maior consumo de combustível em uma economia aquecida - que os investidores temem - ou menor produção de petróleo.

Ainda nesta quarta será conhecido também o Índice de Preços ao Produtor de junho nos EUA, outro dado bastante relacionado com o discurso do Fed sobre inflação e juros.

Wall Street: futuros sem direção única

No cenário externo, os contratos futuros operam com sinais mistos nas bolsas de Nova York, com os investidores repercutindo ainda os dados da inflação (CPI, em inglês) dos Estados Unidos, que veio acima do esperado, e a largada da temporada de balanços corporativos.

Na véspera, o índice Dow Jones fechou em baixa de 0,31%, aos 34.888,79 pontos, o S&P 500 caiu 0,35%, aos 4.369,22 pontos, e o Nasdaq recuou 0,38%, aos 14.677,65 pontos.

Nesta quarta-feira, o mercado conhecerá os números do 2º trimestre de empresas como o Bank of America (BofA), Citigroup, BlackRock, Delta Airlines, entre outros.

Nesta quarta, é esperado que o presidente do Fed, Jerome Powell, volte a falar sobre inflação durante depoimento no Congresso americano. Nos últimos meses, Powell e outros dirigentes do Fed têm avaliado o avanço da inflação nos EUA como "temporário".

Na véspera, o Departamento do Tesouro americano divulgou que o déficit orçamentário dos Estados Unidos diminuiu a US$ 2,2 trilhões durante os primeiros nove meses do atual ano fiscal, com uma menor distância entre gastos e receitas, conforme a recuperação impulsiona a coleta de tributos.

Os gastos dos primeiros três trimestres do orçamento do governo neste ano fiscal subiram 6%, a US$ 5,3 trilhões, informou nesta terça-feira o Departamento do Tesouro. Já a receita federal cresceu 35%, na comparação com igual intervalo do ano fiscal anterior, a US$ 3,1 trilhões, graças em grande medida à maior coleta de tributos de pessoas físicas e jurídicas.

Para o mês de junho, o déficit dos EUA ficou em US$ 174 bilhões, cerca de um quinto do registrado um ano antes. A receita subiu 87% em junho, a US$ 449 bilhões, enquanto os gastos recuaram 44%, a US$ 623 bilhões. Fonte: Dow Jones Newswires.

CPI da Covid: Precisa Medicamentos

Nesta quarta-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado pretende ouvir dois representantes da Precisa Medicamentos, empresa que intermediou a negociação de compra da Covaxin, vacina indiana contra a Covid-19, entre a Bharat Biotech e o governo federal. Emanuela Medrades, diretora técnica da Precisa, e Francisco Maximiano, dono da companhia.

A primeira a ser ouvida será Emanuela. Sua oitiva começou na véspera, porém foi remarcada após ela se negar a responder perguntas durante a manhã e, no início da noite, alegar 'exaustão' por ter ficado no Senado durante todo o dia 'sob tortura'.

Os senadores devem ouvir Maximiano na sequência. O depoimento havia sido marcado para 23 de junho inicialmente, foi reagendado para 1º de julho a pedido do empresário e depois novamente remarcado após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar Maximiano a permanecer em silêncio.

Em paralelo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, vai garantir o ato para prorrogar os trabalhos da comissão. O requerimento deve ser lido nesta quarta-feira. Com isso, a CPI terá mais 90 dias de funcionamento e deve conduzir as investigações até o final de outubro.

A prorrogação representa uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro e aumenta o desgaste do Palácio do Planalto. A comissão investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra de vacinas e já emitiu sinais de que deve apontar responsabilidade direta de Bolsonaro.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quarta-feira, seguindo o comportamento de Wall Street, após um novo salto da inflação ao consumidor nos EUA reavivar temores sobre aperto monetário.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,38% em Tóquio hoje, aos 28.608,49 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,63% em Hong Kong, aos 27.787,46 pontos.

O o sul-coreano Kospi desvalorizou 0,20% em Seul, aos 3.264,81 pontos, e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com perda marginal de 0,01%, aos 17.845,75 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve queda de 1,07%, aos 3.528,50 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto cedeu 0,88%, aos 2.470,07 pontos.

Os preços vêm ganhando força em escala global este ano, à medida que a economia mundial se recupera dos choques da pandemia de covid-19. A disseminação de variantes da doença, no entanto, tem forçado vários países a rever planos de reabertura.

Na Oceania, a bolsa australiana ignorou o tom negativo de Wall Street e da Ásia e ficou no azul, com ganhos em quase todos os setores. O S&P/ASX 200 avançou 0,31% em Sydney, aos 7.354,70 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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