Mercado Financeiro

A Bolsa abriu em alta nesta segunda-feira, 11, um dia de liquidez ou volume de negócios reduzido por um começo de semana marcado por dois feriados. No comemorativo do Dia de Colombo (referência a Cristóvão Colombo, descobridor da América em 12 de outubro de 1492), não há o funcionamento do mercado americano de treasuries. O outro é doméstico, Dia de Nossa Senhora Aparecida amanhã, terça-feira, feriado nacional desde julho de 1980. Mercado deve apresentar baixo volume de negócios

Logo no início dos negócios, a B3 abriu firme e chegou a subir mais de 1%. No entanto, no decorrer da manhã foi perdendo o gás para engatar em queda à tarde. às 16h, o Índice Bovespa apresentava queda de 0,37%, o que o levou a perder os 113 mil pontos ( 112.4719,13). O dólar operou perto da estabilidade, ora no positivo, ora no negativo, registrava alta de 0,13%, cotado a R$ 5,527 no mesmo horário.

Foto: Envato
Liquidez deve ser estreita com volume baixo de negócios por causa dos feriados

No início do pregão, a valorização da Bolsa foi sustentada por Vale e siderúrgicas que, por sua vez, foram beneficiadas pela elevação expressiva do minério de ferro no mercado internacional. Petrobras foi outro pilar do mercado com avanço das cotações, motivado pela valorização do petróleo.

Não se pode descartar, no entanto, que o mercado financeiro em dia de pouca movimentação também fica mais sensível à influência de fatores negativos, como os dados de principais indicadores econômicos projetados por economistas na nova edição do boletim Focus que o Banco Central divulgou nesta segunda-feira.

Os destaques negativos continuam sendo as persistentes revisões para cima nas estimativas de inflação e para baixo nas previsões de crescimento econômico, principalmente para o próximo ano.

O cenário de inflação ainda elevada, acima do teto, e a redução nas projeções do crescimento preocupam e causa desconforto em um ambiente que as estimativas continuam apontando também para juros mais altos no ano que vem.

A preocupação não fica restrita à inflação e à política monetária mais dura que o Banco Central deve adotar para combater a alta de preços que, por sua vez, deve respingar na economia com menos crescimento do PIB.

O mercado financeiro vê com desconforto também a evolução do quadro fiscal em que o principal temor se refere à fonte de financiamento para a quitação dos precatórios, valor em torno de R$ 90 bilhões, que o governo precisa acertar com os credores no próximo ano. Pendentes de definição ainda, em questões que afetam a política fiscal, a proposta de reforma do imposto de renda e de criação do novo programa social.

As incertezas que cercam a solução para essas questões que tendem a impactar o ajuste fiscal, de acordo com especialistas, também podem pressionar o mercado de juros futuros. O controle das contas públicas é visto cada vez mais por economistas como condição necessária para que a alta dos juros tenha efeitos consistentes para o controle da inflação.

Ajuste fiscal preocupa mercado

A preocupação com a questão fiscal, em um ambiente que combina inflação e juros em elevação com perspectiva de baixo crescimento econômico, é um fator que pressiona também o dólar, cujas cotações vêm sustentando persistentes altas. Um comportamento que leva os analistas de mercado a não descartara possibilidade de novas intervenções do Banco Central, com ofertas de contratos de swap cambial.

São títulos que equivalem à compra futura de dólar e servem para suavizar a volatilidade das cotações e proteger contra as variações do dólar, o que reduz a pressão sobre os preços e, com isso, os efeitos negativos da alta da moeda sobre a inflação.

De todo modo, a expectativa, para especialistas, é que o arquivamento de denúncias contra o ministro da Economia, Paulo Guedes, e presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em relação à manutenção de offshores nas Ilhas Virgens Britânicas tende a contribuir para uma redução dos pontos de estresse que vinha incomodando os mercados.

No cenário externo, o foco central continua voltado para a perspectiva de crise energética global, agravada pela aproximação do período de inverno. O risco energético é considerado elevado, mas especialistas acreditam em boas perspectivas para o segmento de commodities, o que pode aliviar um pouco o cenário mais pesado internamente e sustentar a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3.

Projeção do Focus para alta do PIB em 2021 segue em 5,04%

O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 11, apontou nova redução na expansão prevista para o PIB em 2022. A projeção recuou para 1,54%, comparada com a de 1,57% do boletim anterior. A previsão para a o crescimento de 2021 oi mantido em 5,04%.

A inflação oficial calculada pelo IPCA para 2021 foi revista de 8,51% para 8,59% (há um mês estava em 8%). O IPCA projetado para o próximo ano também subiu, passou de 4,14% para 4,17% (há um mês estava em 4,03%), acima da meta central de 3,50% definida para 2022.

A taxa básica de juros, a Selic, para o fechamento de 2021 foi mantida em 8,25% ao ano. A Selic projetada para o fechamento de 2022 avançou de 8,50% ao ano, do boletim Focus anterior, para 8,75%.

A cotação do dólar foi revista de R$ 5,20 para R$ 5,25 no fim de 2021.

Sobe e desce das ações

A valorização do minério de ferro, em torno de 9% em Singapura, justifica a elevação nas cotações da Vale do Rio Doce, que às 16h sobem 1,98% e exercem forte peso na composição do Ibovespa. Siderúrgicas também estão em alta: Usiminas sobe 0,42%%, e Gerdau 0,22%. As ações da CSN que chegaram a subir mais 2,20% estavam caindo 0,14%.

Os preços do petróleo em alta, barril acima de US$ 83, também respingam na B3 com avanço nas cotações de Petrobras, de 0,93%, e também de PetroRio, que subiram mais de 6,00% pela manhão, tinham alta de 2,78% às 16h.

Papéis da Embraer também são destaque no pregão e apresentam alta de 5,17%, (16h)depois que a empresa anunciou encomenda de mais 100 aereonaves para a NetJets com entrega para 2023.

E também entre os resultados positivos vale destacar os das ações da Kora Saúde que dispararam 6,19%, às 16h, após o anúncio de compra de 80% de rede de hospitais no Ceará.

As maiores baixas, em torno de 9%, ficaram com as ações do banco Inter, BIDI11 cai 9,40%, e BIDI4, 8,57%. Banco Pan também está em queda de 7,50%.

As ações dos grandes bancos também estão caindo: Bradesco cai 2,401%; Itaú cai 1,38%; Santander recua 2,89%.

Bolsas fecham positivas na Ásia

A maioria dos mercados de ações na Ásia fechou em alta nesta segunda-feira, 11. Apenas o de Xangai trabalhou em estabilidade, enquanto os da Coréia do Sul e de Taiwan não deram expediente por causa dos feriados locais.

O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou com valorização de 1,60%, em 28.498,20 pontos. Investidores locais reagiram positivamente à declaração do novo primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, de que não considera mudanças no imposto sobre ganhos de capital local. A força do dólar frente ao iene também ajudou ações de exportadoras japonesas.

Na China, a Bolsa de Xangai encerrou o pregão em baixa de 0,01%, em 3.591,71 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,43%, para 2.514,87 pontos. Os negócios locais continuam oscilando dentro de uma faixa menos movimentada, por causa do período de feriados locais.

Ações ligadas à energia estiveram sob pressão, pela preocupação dos investidores com o custo elevado do carvão, apesar do esforço recente do governo chinês para garantir a oferta de carvão e apoiar aumento nas tarifas de eletricidade.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 1,96%, para 25.325,09 pontos. O destaque foram as ações das empresas de tecnologia, reflexo da animação do setor com a perspectiva de retomada de diálogo bilateral sobre comércio entre Estados Unidos e China.

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da bolsa de Sydney, recuou 0,28%, para 7.299,80 pontos, no fechamento. Os setores de tecnologia e saúde e papéis ligados a jogos puxaram a baixa, compensada em parte pelo bom desempenho geral dos papeis de commodities.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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