Economia

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elevou sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021 para 7,1%, conforme a Nota de Conjuntura 17, publicada nesta terça-feira, 24, no site do órgão. Anteriormente, a projeção estava em 5,9%, em relatório que havia sido divulgado em junho.

Foto: Arquivo
Ipea ajusta para cima suas projeções para o IPCA de 2021 - de 5,9% para 7,1% - Foto: Envato

A continuidade na elevação das cotações internacionais das commodities e o clima, com estiagem e geadas, desencadearam novos aumentos de preços de energia e alimentos, ao passo que a normalização gradual das atividades, em meio ao avanço da vacinação contra covid-19, dá margem para reajustes nos serviços.

Segundo o relatório do Grupo de Conjuntura do Ipea, parte da pressão inflacionária já era esperada, principalmente nos preços monitorados, por causa do represamento de reajustes em 2020, devido à pandemia.

Só que, mais recentemente, as "sucessivas altas das cotações das commodities no mercado internacional" e os "eventos climáticos adversos" surpreenderam negativamente e "desencadearam novos aumentos de preços de alimentos e de energia", apontaram os especialistas.

Gasolina, energia e alimentos

Diante da expectativa de reajustes mais acentuados para a gasolina e a energia elétrica, a projeção do Ipea para os preços monitorados em 2021 passou de 9,5%, nas estimativas de junho, para 11,0% agora.

No caso dos alimentos, os movimentos recentes, tanto no atacado quanto no varejo, sinalizam que a desaceleração esperada para o segundo semestre "deve ser um pouco menor que a projetada anteriormente".

Agora, o Ipea projeta alta de 6,9% na alimentação no domicílio em 2021, ante 5,0%, nas estimativas de junho - o cenário de desaceleração está mantido, já que, no acumulado em 12 meses até julho, a alimentação no domicílio saltou 16,0%.

Os vilões que levarão a uma desaceleração mais moderada da alimentação no domicílio são as "proteínas animais" e os "derivados de trigo e milho", "refletindo não apenas a alta dos preços internacionais, mas também os efeitos climáticos e o aumento dos custos de produção", diz o relatório do Ipea.

O problema é que as surpresas recentes associadas às cotações de commodities agrícolas e ao clima adverso ocorrem num momento em que a inflação de serviços começa a acelerar e os preços de bens industriais seguem pressionados.

Com a retomada das atividades de serviços, em meio à flexibilização de restrições ao contato social, à medida que a vacinação contra covid-19 avança, o Ipea elevou a projeção da inflação desses itens em 2021 para 5,0%, ante os 4,0% estimados anteriormente.

No caso dos bens industriais, o Ipea elevou a projeção para 6,6%, ante 4,8% anteriormente. "A pressão vinda pela aceleração das matérias-primas no mercado internacional, combinada com o aumento da utilização da capacidade instalada na indústria e os estoques abaixo do nível desejado, deve manter os preços dos bens industriais pressionados", diz o relatório do Ipea.

Diante disso, um "cenário de maior pressão inflacionária" é corroborado "tanto pelo índice de difusão quanto pelos indicadores de núcleo da inflação".

"Em relação ao indicador de difusão, nota-se que, a partir do segundo semestre de 2020, a proporção dos itens que compõem o IPCA com variação positiva vem aumentando de forma continuada, sinalizando que a alta de preços vem se espalhando entre os diversos segmentos da economia", enfatizou o Ipea.

De modo semelhante, "as medidas de núcleo de inflação também registram uma trajetória de aceleração, de forma que, na média, a variação acumulada em doze meses desses indicadores aponta taxa de 5,32%", destacou o relatório .

Inflação alta para 2022

Para os pesquisadores do Grupo de Conjuntura do órgão, "esse movimento de alta inflacionária maior, mais difusa e mais persistente em 2021 já começa a contaminar as estimativas para 2022". O Ipea projeta IPCA de 4,1% no próximo ano, já acima da meta de 3,5%.

Apesar disso, o relatório considera que "as expectativas estão ancoradas em uma acomodação nos preços internacionais das commodities e na baixa probabilidade de um fenômeno La Niña intenso".

Adicionalmente, a "sinalização de continuidade da trajetória de alta de juros deve agir no sentido de atenuar as variações de preços". Os riscos à inflação em 2022 "seguem associados aos preços das commodities e à taxa de câmbio". / com Agência Estado

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Veja mais Ver mais