Mercado Financeiro

Por muito tempo, falar de cannabis era quase que uma exclusividade do noticiário policial. Essa é, afinal, a planta utilizada como base da maconha, uma droga bastante popular. Aos poucos, porém, houve uma mudança de mentalidade no sentido de entender também o valor medicinal da erva como base de uma série de medicamentos.

Se essa mudança de posicionamento ainda gera alguma polêmica na sociedade, não se pode dizer o mesmo do mercado financeiro que logo captou o potencial de valorização da planta e passou a oferecer soluções aos investidores. Mas será que vale a pena investir em cannabis?

É possível investir em cannabis?

Novos tipos de investimentos, saindo de ativos tradicionais como renda fixa ou ações, sempre despertam muita curiosidade por parte dos investidores. É o caso de investir em cannabis.

A evolução do uso de cannabis para uso medicinal não é uma pauta brasileira, mas global. Isso significa que, em diversas geografias, já há um crescimento do uso da "planta da maconha" para uma finalidade de saúde, algo que naturalmente gera uma valorização do produto. E se existe potencial de valorização, os agentes do mercado financeiro estão de olho.

É por isso que, ao longo dos últimos meses, verificamos um aumento não apenas da demanda por parte dos investidores, como também dos canais que permitem esse tipo de investimento. Assim, você já consegue alocar uma parte do seu capital nessa indústria, caso entenda como uma estratégia interessante para o longo prazo.

Isso mesmo que você acabou de ler: é possível ganhar dinheiro investindo na "indústria da maconha". E sem cometer qualquer ilegalidade.

Como investir em cannabis do Brasil?

No exterior, os mercados de capitais são mais desenvolvidos, algo que inclui também uma boa diversidade de empresas e produtos nas bolsas de valores. No Brasil, infelizmente, o mercado ainda é mais restrito.

Isso não significa, contudo, que você precise de uma corretora internacional para alocar uma parcela do seu patrimônio em ativos relacionados ao segmento da cannabis e surfar essa tendência de valorização.

Isso porque já existem três fundos de investimentos que podem ser acessados pelos investidores brasileiros cuja finalidade é a exposição de 100% ao setor. Vamos conhecê-los, assim como as diferenças entre eles.

Trend Cannabis FIM

Assim como acontece em outros segmentos, a XP Investimentos tem diversos fundos que permitem ao investidor brasileiro o acesso aos ETFs (Exchange Traded Funds) internacionais — que nada mais são do que fundos de índices, replicando alguma carteira teórica segmentada.

No caso do Trend Cannabis FIM, o dinheiro do cotista é investido na sua totalidade no ETF MJ, que é a sigla utilizada na bolsa americana para localizar o fundo ETFMG Alternative Harvest ETF.

O que o ETF faz é investir em ações de empresas que tenham alguma relação com o mercado de cannabis, algo que pode ocorrer via cultivo legal ou distribuição de produtos, por exemplo. É mandatório que ao menos metade da sua receita seja originada no setor. As companhias estão majoritariamente em países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

Pela operação de investir nesse ETF internacional (que não pode ser acessado na B3 pelo investidor brasileiro), a XP cobra uma taxa de administração de 0,5% ao ano. O aporte mínimo inicial é de R$100, algo que o torna bem acessível.

Vitreo Canabidiol FIA IE

Outra corretora referência quando o assunto são os investimentos temáticos é a Vitreo. E ela possui o seu fundo para o mercado de cannabis que é o Vitreo Canabidiol FIA IE.

Em relação ao fundo da XP, a principal diferença está na estratégia. Ao contrário do Trend Cannabis FIM, o fundo da Vitreo não aloca 100% do seu capital em ETFs. Na realidade, apenas 20% do patrimônio utiliza dessa estratégia. O restante, equivalente a 80% do capital aportado, é destinado às ações com relação ao segmento.

Ou seja, aqui você tem uma gestão mais ativa, que se responsabilizará por selecionar boas companhias do segmento para investir. Por uma questão de oportunidade, a concentração dos ativos se mantém nas mesmas geografias (Estados Unidos, Canadá e Reino Unido).

Como a gestão é um pouco mais complexa, a taxa de administração é mais cara: 0,9% ao ano. Além disso, há cobrança de taxa de performance sobre o que exceder o índice S&P500 TRN. Por fim, esse fundo é restrito para investidores qualificados.

Vitreo Cannabis Ativo FIM

Ainda dentro da plataforma da Vitreo, você encontrará um outro fundo relacionado ao setor de cannabis: o Vitreo Cannabis Ativo FIM. A sua finalidade é flexibilizar o acesso à tese da indústria da maconha para o investidor de varejo.

Isso porque, ao contrário do fundo anterior, aqui não há restrição para o investidor qualificado. Portanto, o investidor institucional pode acessar o produto com aporte mínimo de R$100. Para que isso seja possível, porém, há uma redução da exposição ao segmento.

A carteira do Vitreo Cannabis Ativo FIM é composta por 20% do Vitreo Canabidiol FIA IE, que é o fundo que apresentamos anteriormente. Esse é o limite permitido pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para autorizar que o produto seja destinado ao varejo. O restante do patrimônio é alocado na renda fixa tradicional.

Quais são as vantagens de investir em cannabis?

Neste momento, talvez você esteja se perguntando por que investir em um mercado alternativo como esse, certo? O primeiro ponto que o torna atrativo está no seu potencial de valorização.

Hoje, nós podemos considerar a cannabis pertencente ao mercado de commodities. Embora não seja uma mercadoria tradicional como ferro, petróleo ou soja, por exemplo, o seu preço está diretamente associado à demanda da indústria. E há um potencial crescente na medida em que mais países adotem o uso medicinal da planta.

Supondo que isso venha a acontecer (e reforçando que se trata de um exercício de projeção, não um fato), naturalmente que a demanda pela planta vai aumentar. Consequentemente, o preço de mercado deve subir. Segundo a XP Investimentos, a projeção é de um crescimento anual próximo de 20% ao ano.

Outro ponto atrativo é que os investimentos possíveis no segmento para o investidor brasileiro estão atrelados a papéis estrangeiros. Ou seja, trata-se de uma forma de diversificação geográfica, com exposição do patrimônio a outros países.

Quais são os riscos de investir em cannabis?

Se há um bom potencial de valorização, então a relação lógica do mercado financeiro nos sugere que há alto risco também. E essa teoria é fundamentada na prática.

Não, você não será preso por investir no mesmo mercado da maconha — que, aliás, tem uso recreativo permitido em algumas localidades no exterior, justamente onde estão as companhias utilizadas pelos fundos que apresentamos anteriormente. No entanto, podemos esperar alta volatilidade para o capital alocado no segmento.

Muitos dos riscos são regulatórios. A qualquer momento, os governos podem revisar as respectivas autorizações para uso medicinal da planta, algo que fatalmente afetaria o mercado de cannabis.

Vale a pena investir em cannabis?

É inegável o interesse dos investidores pela indústria da maconha. E os próprios fundos que mencionamos neste texto refletem essa realidade. Veja só:

Podemos perceber, portanto, que há sim uma demanda crescente por parte dos investidores. E, para quem tem estômago para a volatilidade de curto prazo, pode ser um investimento alternativo.

Por tudo que envolve o mercado de cannabis, estamos diante de um segmento que oferece uma relação de risco vs. retorno atrativa. Há maior probabilidade de novos países adotarem a planta para uso medicinal (ou mesmo flexibilizar o uso recreativo) do que restrições nos locais onde a aprovação já foi obtida.

No entanto, maior probabilidade não é garantia de que isso venha a acontecer. Ademais, esses processos são burocráticos e podem exigir algum tempo, algo que afeta o desempenho dos investimentos. É, portanto, uma opção mais recomendada para o investidor agressivo — preparado para lidar com a alta volatilidade do produto — e com horizonte de longo prazo.

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Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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